Poderia remeter apenas para o post abaixo. Mas acrescento algo mais, mesmo que redundante.

Para além das razões sistémicas da luta e tal, que como sabem a mim sensibilizam apenas o q.b., há as entranhadamente individuais.

Que são aquelas em que eu já não sei se ando border ou underline (private joke mesmo privativa para algumas pessoas) e já pago (ou deixo de ganhar) para me manter à superfície por não jogar suficientemente à defesa.

Porque quero, amanhã olhar para o dia a acabar e não ver sete das lectivas no dia seguinte.

É uma forma de resistência, nada festiva, diferente da daqueles cujo trabalho é fazer greves, pelo que estão com a pica toda de um ano à espera.

Eu estou à espera de descansar. E faço greve porque me fizeram estar assim. E a muitos outros fizeram pior. E prometem fazer ainda mais, do alto da sua pequenez secretarial.

Estou farto de secretários de estado e de ministros emproadinhos. Na 5ª feira também vou descansar deles e pensar, com tempo, no que lhes faria se os apanhasse ali numa sala de aula.

Nada de especial, mas difícil para os novos aflautados e engomados… tentar que percebessem que não há um país sem as pessoas que o fazem. E que todos somos transitórios por muito que julguemos de nós mesmos, das nossas teorias e da nossa visão.

Todos estamos de passagem, Mesmo os que se sentem donos de algo. Das nomeações a fazer ou por receber.

Faço greve contra esses. A favor de mim. Da minha sanidade. O resto…? O resto já me interessa muito pouco porque há muito que desacredito dos que só trabalham nos dias de greve. Se desse para fazer declaração de voto na greve, também a faria contra eles. E contra muitos presumíveis piquetistas também. Corajosos em bando. Nulas individualidades.

A greve radical. De total alheamento em relação aos actores deste teatro. Dos almofadinhas aos façanhudos. Dos que colocam cenho franzido de Estado (só seu!) aos que colocam voz altiva de Luta (só sua!).

Estou farto de todos.

Por isso faço greve.

E por ser 5ª feira.