Um consenso no debate de hoje: são imprudentes e contraproducentes as comparações entre realidades nacionais, sociais, educativas distintas. Comparar Portugal e a Suécia é, no momento presente, uma operação sem grande sentido. Nada que aqui não se repita há muito.

Como disse lá – e como tenho escrito e sairá em artigo alongado num par de semanas – não faz sentido fazer comparações directas quando os contextos histórico, socioeconómico e cultural são completamente distintos e com trajectos bem diversos. A Suécia tem uma alfabetização de quase 100% há um século ou mais, está no topo da tabela do quociente GINI e tem um conjunto de valores que privilegia o individualismo e a responsabilidade individual (algo sublinhado por Mats Björnsson na sua conferência). Portugal está a lutar para assegurar essa alfabetização completa da população (esperando o desaparecimento de uma geração), está quase no 50º lugar em termos de desigualdade de rendimentos e tem uma cultura que acarinha a desresponsabilização e o lançar da culpa sempre para cima dos outros.

Mas há comparações que se podem fazer. Por exemplo, foi apresentada a comparação entre as escolas municipais suecas completamente públicas (financiamento e gestão) e as escolas independentes (financiamento público para iniciativas de gestão privada). Na apresentação feita, chamaram-me a atenção dois aspectos: as escolas independentes têm uma dimensão média menor e o rácio professor/alunos é mais baixo (menos alunos por professor). Em média, o seu desempenho global é melhor.

O que não deixa de ser curioso.

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