Em tempos não muito remotos disseram-nos que o manual é apenas uma ferramenta ao serviço do professor, que não deve – de modo algum! – esgotar as estratégias de trabalho a desenvolver com as turmas.

Que devemos fugir a usar materiais padronizados para a norma, que devemos diversificar os nossos materiais, se possível produzindo originais, adequados às turmas e alunos que temos.

Pois.

Mas, agora, em tempos de computadores aos molhos mas carência de dinheiro para tinteiros e fotocópias, em cada vez mais escolas se levantam restrições à reprodução de materiais extra para usar na sala de aula. Fichas de avaliação e pouco mais. Que se usem os exercícios do manual, dos cadernos de actividades.

Mesmo se alunos carenciados não recebem, por exemplo no escalão B, os materiais adicionais aos manuais. E se, em algumas disciplinas, as propostas de actividades são escassas para um ano completo de aulas. Casos de Língua Portuguesa ou Matemática. Trinta ou mesmo quarenta textos não chegam para 200 aulas. Por muito que andemos a 33 rpm.

E muito menos quando é necessário produzir materiais específicos para alunos com NEE e adaptações curriculares. Ou reformular tudo para ficar de acordo com o acordo. O ortográfico.

Mas, como acima já disse, são cada vez mais as escolas e agrupamentos em que materiais informativos ou de trabalho adicionais passaram a ser pagos (por alunos ou professores) já desde o ano anterior, não têm autorização para serem copiados ou estão sujeitos a plafonamento (também sei a novilíngua da gestão das tretas). E estou a falar da escolaridade obrigatória básica! Não da outra.

Chega projectar o que se acha na net ou se produz em casa e querer que as coisas sejam passadas para os cadernos? E no caso das disciplinas em que isso não é possível com facilidade? Como fazer com que os alunos desenhem, por exemplo, mapas nos cadernos? E nos manuais, que devem ser reutilizados ou reutilizáveis, é desaconselhado que se escreva seja o que for?

Houve dinheiro, portanto, para comprar a frota automóvel de boa cilindrada. O problema é que, agora, não há para combustível e os condutores que paguem do seu bolso.

Nada que não tenha sido avisado em devido tempo.

E não adianta falar que dantes eram uns e agora são outros.

A verdade é que equipar as escolas é muito bonito, em especial com equipamentos que ao fim de alguns anos podem ficar obsoletos, só que é necessário perceber até que ponto estão asseguradas as necessidades mais básicas.

É bom que o aluno venha bem vestido, mas ainda melhor se vier sem fome, para que não pare de trabalhar, porque o estado físico, as dores de cabeça e barriga não lhe impeçam a concentração.

É uma analogia. Eventualmente fraquita, mas não descabida.

Estamos de volta ao manual como fonte primeira e última de trabalho com os alunos?

Porque não chega projectar apresentações, vídeos, exercícios. A consolidação dos conhecimentos não se faz ou verifica de forma virtual.

Em tudo isto só vejo uma vantagem: aquela coisa dos porta-folhas que se ia tornando prática comum exigir aos alunos em cada disciplina vai ser de verificação e avaliação muito mais rápidas.

Fazer de rico em terra pobre dá nisto.