De Nuno Crato ao Público.

Porque, apesar das 3 páginas de extensão, quase só trata de cortes, cortes cortes. Medidas identificadas, em estudo ou à espera de ser encontradas para cortar, cortar, cortar, em todos os níveis de ensino.

Falta, quase totalmente, um pensamento sobre Educação que não seja esse ou que não seja sequencial com o que é feito desde 2005.

Inversões, só ligeiras nas Novas Oportunidades. Até na Parque Escolar não se encontram males.

Declaração nuclear, quando interrogado sobre a convivência dos actos com as opiniões anteriores a ser ministro:

Convivo bem [risos]. Eu acho que há uma coerência. O que há de novo em mim é uma consciência das dificuldades do país que eu não tinha, e que o país não tinha, há um ano. A preocupação com a qualidade do ensino, com o conhecimento, com o mérito, com a avaliação, mais exames e mais rigorosos, tudo isso é exactamente a mesma coisa.

Não, não é, senhor ministro.

Não, não é.

A preocupação pode lá estar, os actos não.

Pode haver uma coerência, mas não Coerência. Todos temos direito a legitimar as nossas mudanças de opinião e até podemos usar o método-Sócrates, que é o de dizer que as circunstâncias mudaram de um dia para o outro.

Mas ou temos convicções e andamos informados (o ministro é de formação em Economia, não sabia da situação do país quando aceitou o cargo?) ou então não se percebem bem certas opções.

Nuno Crato destacou-se pela crítica acesa às políticas anteriores, que atacou em aspectos que não se limitaram aos métodos de ensino da Matemática e à linguagem eduquesa.

Infelizmente, na sua praxis como ministro, este Nuno Crato é outro. Um homónimo, que chocou com a realidade nas suas próprias palavras. Com que realidade? Eu acho que não foi apenas com a realidade financeira. Foi com a realidade de um ministério que sabia ser grande, cujos processos se nota que desconhecia, com a realidade das próprias escolas que é muito diversa da que se conhece em visitas e conferências.

E esse choque ainda não passou.

O episódio dos prémios de mérito comprovou que a sua equipa ainda não domina o aparelho e que a opção por implodi-lo é mais de defesa, por incapacidade de o controlar, do que de outra coisa.

E depois temos a solidão ministerial… a reforma curricular deveria ser defendida e fundamentada por uma secretária de Estado de que não sabemos o paradeiro.

Mas sobre as propostas mais específicas de reorganização curricular e de opções quanto a cortes, reservo-me para os intervalos ou o final de um longo dia de aulas.