Lê-se na página 2 do Público de hoje:

Uma das medidas previstas é a reorganização e racionalização dos currículos. Quais são os princípios que vão presidir a essa reorganização?
A lógica geral é independente desta lógica monetária. Defendo, independentemente de todos estes cortes, que é necessário reduzir o número de disciplinas no ensino básico, que é necessário concentrar nas disciplinas essenciais, que é necessário eliminar a dispersão na oferta curricular, que é necessário reforçar o Português e a Matemática, que é necessário dar mais atenção à História, à Geografia, às Ciências, ao Inglês. O princípio da reorganização é este: como é que vamos conseguir que os jovens saibam mais nestas questões centrais?

O que infere qualquer pessoa medianamente racional desta resposta acerca das disciplinas nomeadas?

Que precisam de mais atenção e que os jovens devem saber mais nestas questões centrais.

A reacção em muita gente foi, não é exagerado admiti-lo, de alívio nestas áreas disciplinares, a começar pela História e Geografia, ameaçadas de casamento forçado à laia dos arranjos de outrora.

Mas então como se coaduna isso com o que foi dito numa reunião aparentemente (escrevo assim só porque…) realizada hoje de manhã no MEC em que foi apresentada novamente a hipótese de fusão das duas disciplinas sem quase contestação alguma por parte dos presentes?

Mas, afinal, o que se diz numa entrevista ao finalizar de uma semana é branco, mas na 2ª feira já é preto? Ou será que o branco foi para o público consumir e o preto para auscultar das resistências que alguns (incluindo um profblogger que por lá acenou que sim a tudo) consideram corporativas?

Ou, pura e simplesmente, não se tem uma linha de rumo e se está refém da herança dos cursos bolonheses valterianos de formação de professores generalistas e híbridos?

Ou será que o navegar ao sabor do vento resulta da influência próxima de quem tem essa forma de estar como regra?

Será que Nuno Crato, como MLR, não se importa de perder os professores para (de forma transitória) ganhar o apoio de alguma opinião publicada?