Afirma Nuno Crato na sua entrevista ao Público (p. 3, colunas do meio):

Qual a poupança com a supressão de Estudo Acompanhado?
No 3.º ciclo é de cerca de 17 milhões.No 2.º ciclo, cerca de 15 milhões. Mas substituímos estas áreas [Área de Projecto e Estudo Acompanhado] pelo reforço de Português e Matemática, o que representa um acréscimo de despesa de 40 milhões. Foi obtida alguma poupança, mas sobretudo reforçaram-se as disciplinas fundamentais. O Estudo Acompanhado era dado por dois professores no 2. º ciclo. Uma turma de Matemática tem um professor. Uma hora de Estudo Acompanhado custava o dobro de uma hora de Matemática. Se utilizarmos de forma mais racional os professores do quadro, estamos a proteger o seu emprego e a evitar contratações suplementares.

Isto é embaraçoso.

Porque, não o nego, não troco as tintas, tenho estima intelectual e pessoal por Nuno Crato.

Só que é penoso ler algo assim. Porque está escrito no pretérito perfeito. “Foi obtida alguma poupança”, “O Estudo Acompanhado era dado…”, “Uma hora (…) custava o dobro”.

Meu caro ministro Nuno Crato: o Estudo Acompanhado ainda é leccionado no 2º ciclo por dois professores e custa o mesmo que custava. Por favor, mas mesmo por favor, informe-se antes de falar sobre os specifics da Educação Básica. Sei lá… Tente que a sua secretária de Estado apareça. A menos que ela ainda saiba menos sobre o assunto.

Ora bem:

  • O Estudo Acompanhado no 2º ciclo está como estava, não houve poupança nenhuma. O que aconteceu foi a redistribuição das horas de Área Projecto. Apenas.
  • Quando deixar de existir, substituído por uma hora de Matemática e outra de Língua Portuguesa é impossível que gere, em simultâneo uma poupança de 15 milhões e um acréscimo de despesa de 40 milhões.

Vamos lá: 90 minutos de EA com dois professores representa pagar 4 horas lectivas aos professores. Se ficar uma hora para cada disciplina, isso representa pagar apenas 2 horas lectivas. Nunca pode representar um encargo maior do que a despesa, mesmo que EA fosse leccionado por contratados e agora a Matemática e a LP passassem a ser por docentes no escalão salarial mais alto.

O ministro Nuno Crato é matemático e formado em Economia. Certamente percebe o que acima fica demonstrado.

Repito: isto é embaraçoso.