Quarta-feira, 26 de Outubro, 2011


Placebo, Bright Lights

… deixa-nos com vontade não apenas de os ver pelas costas, mas quase de igual forma ao país que os gera, alimenta e permite que prosperem.

A mansa desesperança instala-se.

No outro dia, num Daily Show de algumas semanas atrás, via um convidado de Jon Stewart (o autor deste livro) explicar como os irlandeses, sendo naturalmente pessimistas e estando tão habituados a viver desgraças, mal reagiram perante o descalabro financeiro e a intervenção externa.

Já no caso dos portugueses acho que é mais a habitual forma de tentarem acreditar que nada se passa verdadeiramente de anormal. Recorrendo a Eduardo Lourenço, é como se vivessem num estado de representação que perdura até aos limites da (ir)racionalidade, na tentativa de acreditarem que a realidade é outra e não a que temos.

Como se isso permitisse a não-inscrição (usando aqui o conceito de José Gil) da crise no seu quotidiano. E assim os ilibasse da anomia ou da situação de permanente crítica sem produção de alternativas.

E, como de costume, lançando sempre a culpa para os outros.

Os que governam e os que governaram. Os que foram eleitos e os que os elegeram.

A culpa é sempre dos outros. Dos que não votaram. Dos que votaram mal. Dos que, votando bem, não se revoltam. Dos que, revoltando-se, não se revoltam da forma certa. Dos que, revoltando-se da forma certa, não o fazem pelo tempo adequado. Dos que… Dos outros, pronto!

Sempre se vai enchendo o tempo e se dão palmadinhas nas próprias costas. Uma forma estranha de auto-estima que funciona como uma peculiar carapaça que impede o verdadeiro desespero.

Fica a mansidão. Mesmo dos que clamam e gritam.

Governo disponível negociar, espera alternativas da oposição

O Governo está disponível para negociar o Orçamento do Estado para 2012 para garantir o mais amplo apoio possível, e esperar que a oposição apresente alternativas, afirmou hoje o ministro das Finanças.

«Do ponto de vista do empenho do Governo em conseguir o mais amplo apoio possível nesta situação a disponibilidade é total. Estamos disponíveis para conversar sobre o Orçamento do Estado e prestar todos os esclarecimentos que sejam necessários», afirmou Vítor Gaspar perante os deputados na Assembleia da República.

Ali a partir dos 0’17”.

Médicos ameaçam com saídas em massa do SNS

Cerca de 800 médicos ameaçam deixar o SNS se avançar a proposta de Orçamento de Estado de equiparar os seus salários aos da função pública.

Gaspar agradece aos funcionários do Fisco pelo trabalho no Orçamento

O ministro das Finanças enviou um e-mail aos funcionários do Fisco a agradecer o trabalho feito para o Orçamento do Estado para 2012.

Autarca compra terrenos para os vender 10 minutos depois com lucro de 16 milhões

Tribunal detecta um rol de ilegalidades em parcerias público-privadas de Oeiras

… e sei que há quem prefira que não se fale muito nisso, mas os níveis de perturbação em muitas escolas, no que ao comportamento dos alunos diz respeito, está muito cedo a atingir níveis dificilmente suportáveis.

Em muitos casos são o reflexo da perturbação, desorientação e no que mais se sabe que acontece ao nível dos ambientes familiares.

Limito-me a constatar.

E o pior está para chegar.

Pais agridem professora dentro da sala de aula

Uma professora da Escola Básica n.º 3 da Quinta do Conde, em Sesimbra, foi agredida dentro da sala de aula pelos pais de dois alunos, confirmou esta quarta-feira à agência Lusa fonte da GNR.

Quinta do Conde Sesimbra, pais fecham a escola. Professora foi agredida na sala de aula por familiares de dois alunos do terceiro ano.

… porque o tempo gasta-se sempre, quer queiramos, quer não. E prefiro passar o tempo com algum no bolso do que de mão estendida.

A menos que me digam que ganho 2 meses de vida por cada ano em que me limpem os subsídios. E mesmo assim…

É impressão minha ou grande parte dos ministros está a perder, de forma incrivelmente acelerada, a capacidade para dizer algo com sentido? Quer dizer… os que ainda diziam coisa com coisa, como foi o caso de Vítor Gaspar nas primeiras semanas…

Corte dos subsídios permite “ganhar tempo”

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