Foi ontem recordada algumas vezes na Buchholz a intervenção feita pelo Paulo na semana anterior em que ele referiu uma espécie de algoritmo ou fórmula que alguns estudos avançam para o peso relativo dos factores condicionantes do sucesso escolar dos alunos.

A saber: cerca de 60% para o bem-estar geral da sociedade e as expectativas das famílias em relação ao desempenho dos seus educandos, 30% para a organização escolar (gestão, currículo, etc) e 10% para os professores.

E relembro aqui isto para recordar também o que foi sendo dito (nas sessões e em conversa com ele) sobre o que na última década aconteceu a este respeito em Portugal: os sucessivos governos fizeram o que puderam para destroçar os 60% (empobrecimento generalizado da população, quebra abrupta das expectativas de um futuro melhor), têm revelado uma enorme falta de capacidade para gerir os 30% da organização escolar (modelo único de gestão, indefinição curricular, reformas feitas à medida dos constrangimentos orçamentais, apostas erradas em novos-riquismos) e optaram por fazer recair o ónus do insucesso nos 10% finais, que têm servido à opinião pública como bodes expiatórios, sendo que os professores têm padecido de forma acrescida da erosão dos 60% e da desorganização dos 30%.

Mas como são um alvo fácil, aponta-se a eles.

E esquece-se que se queremos sucesso educativo, devemos cuidar dos 60% a montante (condições de vida) e jusante (perspectivas de futuro) das escolas e da intervenção dos professores para conseguir progressos consolidados e não meramente cosméticos.