Sexta-feira, 14 de Outubro, 2011


Sigur Rós, Inní mér syngur vitleysingur

Com tema livre. Quando chegar, já espreito.

Por exemplo, sobre as manifestações de amanhã.

 

Que até pelo momento que acontece é capaz de direccionar-se para o tema da Igualdade de um modo diferente do inicialmente previsto, em consequência dos cortes anunciados e da forma como tudo o que se conhece pode conduzir a alterações sensíveis no funcionamento das escolas.

O que significa “Igualdade” em Educação em três planos, entre muitos outros possíveis:

  • No dos alunos, até que ponto existe uma verdadeira de igualdade de oportunidades à entrada nas escolas, até que ponto é justo tratar como iguais todos os que por lá andam e se não tem sido um enorme equívoco pretender impor uma quase igualdade de sucesso à saída?
  • No dos professores, em que medida a forma generalista de apresentar a profissão como a mais igualitarista de todas e a que mais resiste à diferenciação, não foi um lugar-comum hábil para, por um lado, atacar tudo e todos como se a floresta fosse uniforme e, por outro, indiferenciar a forma de encarar funções e desempenhos que são necessariamente diversos.
  • Por fim, no das agora chamadas unidades de gestão, até que ponto não é profundamente errada a imposição de um modelo único (igual) de gestão a todas as escolas e agrupamentos, quando as diferenças de contexto são enormes, quer ao nível das comunidades envolventes, quer do próprio corpo docente e auxiliar.

… mas a partir dos anúncios de ontem quem quiser fazer da escola local de convívio, conversa fofa, mexerico sobre vida alheia ou repetição das mesmas tretas em reuniões que se devem restringir ao essencial e o resto ser consultado online ou por mail ainda vai ver-me pelas costas com maior rapidez.

O mesmo para iniciativas extra-curriculares. Que seja parvo(a) quem assim entender. Eu que já andava a poupar muito para esses peditórios de imagem, fechei a bolsa.

Vou cortar nas gorduras, nas balofices. Que tanto seduzem as pessoas responsáveis e sérias.

Quem quiser que se vá queixar do meu mau feitio a quem ache de direito. Se já o faziam, nada mudará.

Eu não aprendi Economia, apenas História Económica. Felizmente.

Acredito que com leituras mais à esquerda do que à direita, mas o que li sobre a forma de fazer arrancar uma economia estagnada ou como espoletar um arranque económico tinha a sua lógica.

Com Hobsbawm e outros, por exemplo, li que uma economia só consegue crescer de forma consolidada quando o seu mercado interno é forte, funcionando depois a procura externa como uma espécie de faísca que permite a expansão da produção. Por si só, por não ser algo que se possa contar como permanente, as exportações não podem ser a base de um crescimento económico sustentado. Isso só com base no tal mercado interno forte.

Ora, ontem, o que Passos Coelho anunciou foi o degolar de qualquer hipótese de um consumo interno relevante durante vários anos. Provavelmente na expectativa de que as exportações que se têm portado bem e assim se manterão. Só que a Alemanha começa a espirrar e os EUA ainda não curaram a gripe.

Pelo que a opção é errada e o Álvaro pode perceber de Economia, mas daquela que se faz em gráficos e curvas. E o Vítor, sendo muito didáctico nas explicações, parece mais um contabilista do que outra coisa.

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