Quinta-feira, 13 de Outubro, 2011


Deacon Blue, Wages Day

ter acreditado que o prior do crato gerava alguma coisa.

Mas ainda vou a tempo de não me lamentar apenas!

apenas apelo à porrada, haja pontaria.

Sou explícito, não creio nas redes: “pixies…!

O problema são os sonsos, o(a)s songamongas, as starlettes, os xalentes e os bobbys. Que podem acumular entre si. E ainda os ecos.

Artigo 9.º
Montante do apoio financeiro
1 — O apoio financeiro a conceder, no âmbito dos contratos de associação por turma, traduzido num subsídio, é fixado para o ano de 2011 -2012 no valor de € 85 288 por turma.

Vou fazer umas contas muito estúpidas.

A carga horária de cada turma é equivalente (sejamos generosos) a dois horários de professores.

Se, em média, os professores ganharem 2000 euros (acreditem, estou novamente a ser generoso na média), isso implica um encargo de 4000 euros e ao fim de 14 meses (isso era antes de hoje!) de 56.000 euros.

Para onde vão os outros quase 30.000?

De ontem:

Bebidas energéticas vendidas a alunos.

Estudo da DECO sobre as ementas escolares.

Colégio de São Mamede, Batalha, segundo assalto a um colégio do grupo GPS.

Escolas de música de Viana do Castelo com falta de salas de aula.

De hoje

Alunos do ensino especial sem transporte e sem aulas, Gaia.

Telefona-se para a pt, um monopólio envergonhado, ou para outra treta qualquer e, após se vencer a morcega mecânica do pressione-um-dois-nove, temos um controlo de qualidade pilhérico  de que gravam a conversa.

Interessante, apesar de todos saberem ser isso ilegal. Porque se funciona para o zé das socas, o reconhecido filosofeiro da sorbanha, então…

A não ser que alguma inteligência me explique justiças económicas.

Na SICN, Brandão de Brito, uma opção algo sonolenta.Não é que diga coisas erradas, só que mudamos de canal. Eu fiquei um bocado, em homenagem ao semestre que me deu aulas num seminário há mais de 15 anos.

Na RTPN, dois gurus das evidências, Augusto Mateus e aquele senhor economista Pedro Reis que, ironicamente, coligiu depoimentos para o livro Voltar a Crescer.

Na TVI24, o Villaverde Cabral parece estar a dar uma aula no ISCTE sobre Teoria Social Aplicada ao Portugal Contemporâneo, o que é agradável de ouvir, mas vai dar a lado nenhum.

Bernardino Soares apoplético.

Miguel Frasquilho igual a si mesmo, como se tivesse saído de um filme do Tim Burton (adivinham qual?)

Pedro Filipe Soares como Bernardino, mas em menos capiloso.

Carlos Zorrinho até a fazer sentido, caso fosse de um partido novo, tipo PAN.

Nuno Magalhães, quase como se fosse da Oposição, mas também do Governo.

 

Os políticos que paguem a crise. Disse.

Acho que o essencial é que o OE para 2012 será servido às migalhitas, tipo work in progress.

O resto é costume: um cenário colossal e o acenar de fantasmas sem lençóis.

Grande, grande Maurício, o criativo sempre em cima do acontecimento.

Que também se lembrou da nano-equipa B adversária.

Entretanto, a prestação de contas:

Mais 60.000 visitantes em relação ao mesmo período do ano passado (acréscimo superior a 50%) e mais 72.000 visitas, apesar dos prognósticos reservados e profecias catastrofistas.

FINALMENTE – DCE

VINTE E UM MILHÕES traduzem algo.

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Sacraste!!!!

… aceitarão sem a mínima reacção uma reforma curricular que torne a História um pout-pourri liofilizado no 3º ciclo do Ensino Básico?

Escrito a 8 de Junho de 2007:

O Fim da Memória e o Desejo do Homem Novo

«Hoje, a nossa escolaridade é de amnésia planificada»
(Georges Steiner, Elogio da Transmissão, 2004, p. 46)

Este texto pode ser interpretado como um lamento de tipo corporativista, de alguém que protesta perante a menorização do espaço reservado nos currículos nacionais para a sua disciplina de formação e eleição. Ou como sinal da tristeza perante o completo estilhaçar da própria formação de nível superior em História, transformada num qualquer amontoado de créditos, colhidos aqui e ali, num mosaico muito pós-moderno, onde tudo se baralha e mistura, sem sequência necessária, como se tudo fosse intermutável e relativo.
Mas não. Essa interpretação mais do que simplista e redutora, desprezaria todo o contexto que enquadra esta tendência actual dos poderes (político e económico mas também cultural) para desaconselharem de forma activa o recurso à memória como recurso essencial da experiência humana para analisar o presente e encarar o futuro.

Não que a História contenha, nos seus movimentos aparentemente cíclicos, a resposta para todos os dilemas que enfrentamos, mas porque a Memória (individual, colectiva) é essencial para que os indivíduos tenham a capacidade de se posicionar no mundo e agir com base numa reflexão crítica, através do conhecimento do trajecto que fizeram até ao momento que vivem.
A redução da História nos currículos do Ensino Básico e Secundário a disciplina menor, quase acessória, com um programa desmesurado para o tempo disponível para o leccionar, é apenas o sinal mais visível de uma tendência dos poderes do momento, deste momento, para tentarem apagar nas novas gerações o lastro do conhecimento de um passado que, conhecido para além de um fio ténue e do que é anedótico, poderia colocar em risco a adesão acrítica e não informada aos slogans vazios de conteúdo com que são quotidianamente bombardeados.

É verdade que a História não tem uma utilidade prática evidente: não ensina a manejar uma máquina registadora num qualquer hipermercado e não reduz o esforço do trabalho numa obra pública de construção civil. Também não ajuda a acelerar o processo de criação de uma empresa-fantasma destinada a colher subsídios e morrer, nem mesmo é condição vantajosa para se progredir na estrutura local ou nacional de uma agremiação partidária do centrão governativo.
Mas a História, enquanto disciplina que pretende transmitir uma Memória do que nos é ancestral, levar-nos a conhecer o que outros experimentaram, o que sofreram e como o ultrapassaram, assim como tudo aquilo que funcionou bem e como foi feito, é essencial para formar cidadãos informados e capazes de emitir opiniões que não sejam condicionadas apenas pelos apelos mais imediatos.

De certa forma, a História e a Memória ajudam a criar um modelo de cidadão indesejável nos tempos que correm, porque será necessariamente, pelo menos em parte, um Homem Velho por ter dentro de si o conhecimento, mesmo que parcelar e parcial, do passado. E os novos tempos querem um Homem Novo, o mais vazio possível para que seja possível impregná-lo com tudo aquilo que a propaganda de hoje quer fazer passar como sendo os valores essenciais da modernidade tecnológica, mas que mais não é do que a redução dos indivíduos a autómatos.
É Richard Sennett (A Cultura do Novo Capitalismo, 2007, pp 14-15) que escreve que nas condições instáveis e fragmentárias em que vivemos só um determinado tipo de ser humano está em condições prosperar e que um dos desafios a que deve responder é o da «renúncia», que se traduz numa «forma de desprender do passado».

O Homem Velho terá sempre a capacidade de fazer comparações e, nessa operação, aperceber-se da pequenez das figuras que hoje parecem agigantar-se apenas pela sombra que projectam devido aos holofotes que lhes colocaram por trás.
O Homem Novo tenderá sempre para ser crédulo e aceitar o que lhe é dado, porque nada tem de seu e tudo recebe de forma acrítica. O traço de personalidade típico do consumidor ávido de novidades, que «deixa de lado bens antigos, mesmo quando são perfeitamente utilizáveis» (Sennett).

Perante isto, a reacção por parte dos vultos mais sonantes ligados à escrita e ensino da História nas Universidades tem sido a mais débil possível. E quase sempre numa perspectiva de defesa e nunca de afirmação pela positiva. As razões são evidentes: alguns preferem lutar em outras arenas, usando a História de forma instrumental ao serviço de estratégias pessoais de poder, apenas como pretexto e recurso para a sua retórica; outros, remetem-se a uma posição defensiva, percepcionando a aspereza dos tempos e preferindo garantir uma posição segura, dentro das suas possibilidades, do que erguer-se e fazer notar demasiado a sua voz, em especial se for dissonante.
À sua maneira, todos são cúmplices de um silêncio que se abate sobre a nossa História e Memória colectiva, entalada entre o apelo do concurso televisivo e os interesses dos negócios dos subsídios para projectos que desaconselham posturas muito críticas em relação ao status quo.

Mas se mesmo os andróides anseiam por sonhar com um passado, como se sentirão, a médio prazo, estes humanos a quem querem recusar toda uma Memória?

… e nem deve saber onde se situa no mundo.

Número de aulas e disciplinas reduzido

Reforma passará por corte nas aulas de História e Geografia e fim da segunda língua estrangeira obrigatória.

Não é espanto nenhum este tipo de opções, as mesmas que Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues colocariam em prática.

Não é só a questão da poupança que está em causa, é também as áreas que se pretendem sacrificar na tentação de criar gerações despojadas de uma identidade que as contextualize num tempo e num espaço.

O Homem Novo, como em topdos os projectos totalitários, deve ver a sua Memória destruída, para que desconheça o nanismo do tempo presente.

È verdade, defendo a disciplina em que me formei por gosto, não por negócio, em que permaneço por opção, não por imposição.

Nuno Crato, a confirmarem-se estas opções, ficará para a História da educação como uma Maria de Ludes Rodrigues 2.0, não como versão melhorada, mas como clone esvaziado de convicção própria.

Não há uma, mas várias versões do Orçamento

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