Em comentários neste blogue e em posts em outros blogues, anónimos em regra, mas também em comentários onde se sentem à vontade, algumas criaturas têm batido em algumas teclas que consideram inteligentes para colocar em causa o que acham ser a minha parcialidade política, o meu alinhamento por esta ou aquela força política e o meu envolvimento em conspirações anti-sindicais (leia-se anti-Fenprof).

As coisas rodam à volta de innuendos sobre dois factos:

  • Um jantar na Quinta do Anjo em Novembro de 2009.
  • Um jantar em Lisboa, em Março de 2011.

O elemento comum a esses jantares sou eu, os restantes são todos diferentes.

  • O segundo jantar é do conhecimento público, pois envolveu o então líder do PSD, uma dezena de bloggers e um par de assessores do actual PM. Alguns dos bloggers participantes relataram o acontecimento, não foi segredo e, no decurso da refeição, lembro-me de ter disputado com a sempre bela e simpática Marta Rebelo o estatuto de pessoa mais à esquerda no encontro. É esse jantar que serve de base para uma teoria conspirativa em que eu me teria colocado ao serviço do PSD para arregimentar votos, na esperança de receber algo em troca.
  • O primeiro jantar é de conhecimento privado, embora tenha sido em restaurante aberto ao público, envolveu meia dúzia de adultos e uma criança, dele nunca tendo feito mais do que alusões a amigos pessoais, alguns dos quais comentadores deste blogue. Nessa noite apanhei numa bela constipação porque acompanhei alguns dos comensais fumadores até à rua. No dia seguinte, parte dos participantes almoçou em Lisboa com o Pedro Castro e o Maurício. Esse jantar é objecto de teorizações algo doentias sobre uma eventual conspiração anti-sindical que eu teria tramado com uma espécie de delegação tenebrosa.

Este tipo de considerações é – há que dizê-lo com frontalidade – parvo. Porque o segundo (em termos cronológicos) jantar foi absolutamente público, esvaziando-se no acto, e o primeiro envolveu alguém com elevadíssimas responsabilidades no movimento sindical de docentes, a quem apenas pedi que, nas negociações que se avizinhavam não se esquecesse de tentar que os colegas que não tinham entregue AA não fossem esquecidos e deixados para trás. Falou-se de muita coisa, mas pouco de política. Falou-se de uma iniciativa que iria decorrer em Vila Real daí por uns dias. Há fotos do evento, embora não tiradas por mim.

Para além destes jantares, raramente fui comensal de personalidades importantes neste nosso torrãozinho rectangular. Mas, sou obrigado a confessá-lo, vi-me constrangido a não aceitar o almoço inserido numa iniciativa em que fui orador num hotel da capital. A principal razão foi porque duas das pessoas que estavam na mesa dos oradores (uma delas tinha estado na Quinta do Anjo) me fizeram uma abordagem subtil para que eu aderisse à organização. Como não gosto de almoços com contrapartidas desse tipo, fui comer antes ali por perto, num restaurante chinês com preços acessíveis.  Em nenhum outro momento alguém teve a falta de senso de fazer aquele tipo de proposta, muito menos dizer que o papelinho estava mesmo ali ao lado para ser preenchido. Mas naquela manhã devem ter-se confundido com quem estavam a falar.

Chegado a esta parte, gostaria de regressar indirectamente aos dois jantares referidos lá mais acima, para sublinhar uma diferença importante entre duas situações. Em nenhum momento, recebi de qualquer força partidária documentação apresentada como reservada para dar a minha opinião, com a devida autorização de um dos comensais daqueles dias.

Fiz-me entender?

Espero não ter de voltar a este assunto, agradecendo que certos inteligentes escribas e comentadores não disparem mais contra os pés dos seus amigos e ídolos. Porque não é em mim que acertam ou alguma vez acertarão se continuarem pelo caminho que optaram fazer. O jantar anti-sindical que povoa as vossas insinuações foi um jantar profundamente sindical. Pena o acordo.