Segunda-feira, 12 de Setembro, 2011


Foster the People, Pumped Up Kicks

Alberto João Jardim considera-se alvo da fúria do poder financeiro

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Fafe, pá, eu bem te pedi para apareceres…

Contra os exames

Sempre fui a favor do rigor no sistema de ensino; o contrário apenas leva, como aliás acontece nos dias de hoje, a que a escola reproduza os mecanismos de selecção social: quem pode, pode, e sabe; seja qual for a escola em que esteja matriculado; quem vem de baixo não tem qualquer hipótese de aceder, pela via do conhecimento, a um patamar superior. No entanto, face à súbita maré de rigor que mediaticamente se abate sobre o nosso sistema de ensino, face a afirmações e coincidências que, embora estranhas, não são de todo surpreendentes, sou, abertamente, contra os exames.

No que toca às afirmações, sou contra os exames que, mais do aferir transversalmente conhecimentos, servem como veículo mediático de proposições insondáveis – ou demasiado transparentes, se tomadas por um outro prisma. Ao afirmar que “as escolas prepararam mal os alunos” (Público, 24 de Julho de 2011), Hélder de Sousa, director do Gave, organismo responsável pela elaboração e critérios de correcção dos exames, está uma vez mais e como é habitual, a apontar o dedo aos professores, tentando contornar uma incontornável realidade: a de que os exames não foram bem preparados face aos alunos e ao que deles é expectável no âmbito da disciplina. Disso são prova as hesitações e imprecisões na definição dos critérios, os critérios confidenciais e a ameaça velada do dever de sigilo, elementos que são, uma vez mais, factores de pressão sobre os professores face às metas de sucesso desejadas – mas também marca de uma indesejável cumplicidade – e alguns diriam mesmo promiscuidade – entre quem avalia os saberes e quem produz, distribui e vende os saberes que irão ser avaliados.

Face a essa e a outras pressões centralistas, os professores são alvo fácil de modas e orientações científicas, didácticas e pedagógicas; a chancela do poder político e de uma pseudo-cientificidade, ainda que não validada – ou mesmo contestada – pela comunidade científica, impede a autonomia dos professores na construção de um saber sólido e consequente. Que tais modas e orientações sejam introduzidas nas provas de exame é um factor de peso nesse impedimento, e a sua inclusão nos exames é meio caminho andado para que elas sejam forçosamente geradoras de capital, seguramente não apenas simbólico. Por isso e assumidamente, sou contra os exames, ou melhor, sou contra estes exames.

Quanto às coincidências, elas existem apesar da habitual operação retórica da sua negação. Existem, pelo menos, na disciplina que lecciono, a de Língua Portuguesa, e, pelo menos, nos exames de 12º ano. Para além de questões improcedentes e vagas que foram já assinaladas noutros lugares por vozes dificilmente contestáveis, de assinalar a espantosa coincidência de os dois textos seleccionados para análise dos exames de Português de 2011 constarem de um livrinho de preparação para os exames, versão 2011; de assinalar também a forma como, nos exames como no livrinho de preparação, o esoterismo da Nova Terminologia Gramatical se instala cada vez mais em exercícios de gramática pela gramática, a coberto de opções terminológicas cientificamente contestáveis e, num grande número dos casos, completamente inúteis para o desenvolvimento das competências de compreensão dos alunos.

Não cabe aqui retirar ilações ou conclusões sobre estas coincidências, mas o rigor está ausente dos aspectos assinalados, como parece também arredado da afirmação, em destaque na caixa “Em resumo” do artigo do Público mencionado, de que «sete dos catorze pontos que a média do exame de Português do 12º ano perdeu por comparação a (sic) 2011 tiveram origem na troca, no grupo que testa os conhecimentos de gramática, de uma questão de associação por três questões de resposta curta»; não sendo especialista em ciências esotéricas como a da estatística (bem) aplicada, tal afirmação parece-me, no entanto, de difícil sustentabilidade. De mais difícil sustentação é, no entanto, uma outra afirmação da peça jornalística, desta vez a coberto de voz anónima: «confirmou-se que os alunos de 12º ano, a partir de um poema de Álvaro de Campos, voltaram a confundir ‘sentimentos’ com ‘sensações’». Não sei quem terá decidido, nos meandros do saber como os que dominam o nosso ensino, que, numa teoria sensacionista com a densidade da exposta e praticada por Pessoa – e sobretudo num poema de Campos – aquilo a que chamamos sensação só pode corresponder a uma sensação predominantemente física; no entanto, tal asserção é manifestamente errada – ou, pelo menos, de uma enorme falta de rigor.

Feita a prova dos factos, como sugere retoricamente o artigo do Público em destaque transversal e subliminar, sou contra os exames, ou melhor, contra estes exames marcados pela falta de rigor científico e pedagógico, pela indefinição e imprecisão face ao que com eles se pretende aferir e, sobretudo pela facilidade com se usam como instrumentos de desígnios misteriosos, nos quais é no entanto fácil perceber que não consta o que deveria ser o principal: o serviço público de avaliar aprendizagens essenciais para melhorar o ensino e beneficiar as gerações futuras.

Paula Lago

Onde é que eu já vi isto?

Só por causa da accountability de que eu gosto tanto. Na última semana estive a terminar um texto que me pediram – mais amplo do que o normal – sobre a questão da liberdade de escolha em Educação. Após a leitura de umas dezenas de relatórios e de dar uso a uma concorrente muito eficaz da Amazon americana – a BetterWorldBooks (recomendada em tempos pelo Luís Miguel Latas) – para aquisição de bibliografia suplementar em quantidade generosa (e que ia escapando incólume a um carteiro que gosta de atarrachar os livros na caixa de correio), acabei a produção de 46.000 caracteres sobre o tema durante o dia de ontem, ao mesmo tempo que fui fazendo os possíveis por acompanhar o bailado das negociações em torno da ADD.

Como quase dupliquei em extensão o que fora solicitado, estive de ontem para hoje a depurar o texto em 10.000 caracteres (traduzindo, cortar 4 páginas num texto que ia nem 18), beneficiando da boa vontade do editor. Pelo caminho, tive ainda de aturar os mafarricos de costume e ainda algumas queixas quanto ao serviço prestado.

É pá…

Olha-me a minha santa terrinha nas notícias… só que eu não andei nesta.

Quando tiveram obras, houve os que acharam o máximo. É como terem um Ferrari, sem dinheiro para a gasolina.

… até porque lhes impuseram equipamentos sem qualquer tipo de racionalidade energética. E falar nas “escolas” é falar exactamente no quê?

As “escolas” existem independentemente das pessoas que lá estão?

E nas escolas onde só se tem o básico?

Não acendo a luz? Não ligo o projector? Nem ligo o computador? Porque aquecimento, no meu caso, só se o levar de casa.

Claro que temos de poupar… mas um aumento destes na luz com um contexto de cortes no orçamento das despesas correntes é inaceitável.

Repito o que já disse várias vezes: é na definição de prioridades em tempos de crise que se percebe o que as pessoas valem.

Ouse as pessoas valem alguma coisa.

Façam.
Não é uma questão de ter esta ou aquela opinião.

Ahhh… só um detalhe… não desistam ao fim de quinze dias.

Mais de metade dos docentes do superior em risco de serem dispensados

Do total de 24.650 professores, cerca de 12.880 podem não vir a ter o seu contrato renovado.

Cerca de 12.880 docentes do ensino superior estão em risco de não verem o seu contrato renovado, durante o próximo ano lectivo. Um número que representa mais de metade (52%) do universo total de cerca de 24.650 docentes do ensino universitário e politécnico, que estão a leccionar a contrato a termo certo ou que são convidados pelas instituições de ensino, segundo dados avançados pela Fenprof ao Diário Económico com base nos números do GPEARI, o Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério da Educação e Ciência.

Espera-se a justificação, ou desmentido, do Ramiro.

Estado não comparticipa 20 mil vagas criadas em creches

Aumento do IVA sobre energia pode levar escolas à falência

Escolas podem ser obrigadas a cortar no aquecimento

Just like the old times… só falta o Plesidente.

Secretário de Estado da Educação inaugura nova escola em Almancil

Primeiro-ministro inaugura hoje dois centros escolares em Viseu

Salvo imprevisto, o Ricardo Silva da APEDE deve estar no Discurso Directo da TVI24, depois das 15 horas a falar do arranque do ano lectivo. Eu lamento, mas fui obrigado a declinar o convite para fazer um comentário sobre o mesmo assunto no noticiário das 12. A faina recomeçou, não há tempo para este tipo de aparições. Fica mais (todo’) espaço para quem tem todo o tempo só para isso.

Subida do IVA deixa escolas sem dinheiro para a luz

Então nas escolas com aquelas obras hiper-coisas da Parque Escolar, nem deve dar para velas.

Isso deve pecar por enorme defeito… sempre assumi que estavam por cá…

Portugal foi base da ETA durante dois anos

A partir do Portugal Profundo, cheguei a este texto do Tretas.org:

ServicosDeInformacoes

2001/02 ou 2002/03? Não me lembro. Guardo, mas quase nunca de forma muito organizada. O Zé ou Carlos, se passarem por aqui, que me digam se ainda se lembram do ano exacto (embora pelo grafismo do cartaz se chegue lá). Comemorações do 25 de Abril numa das duas escolas onde passei a maior parte do meu tempo como professor.