Domingo, 11 de Setembro, 2011


Fall Out Boy, Beat It

Mas depois os (ir)responsáveis dizem que está tudo bem…

Sou uma leitora assídua do seu blogue e admiro o seu espírito crítico, sentido de oportunidade e bom humor. (…)  sou também uma mãe um pouco desesperada e gostaria de partilhar consigo o seguinte: neste momento estou a ler a legislação que consegui encontrar sobre transportes escolares no 1º ciclo porque foi informada pela câmara da minha área de residência que o meu filho de 6 anos, que vai frequentar o 1º ano, terá de embarcar num autocarro às 7:30 horas da manhã (este autocarro é a carreira pública regular para as pessoas da região), para fazer um percurso de 45m e (isto é do melhor) não tem nenhum vigilante a acompanhá-lo, nem aos outros meninos que irão para o centro escolar de Alijó. Temo pela sua segurança, pois imagino todo o tipo de pessoas a entrar no autocarro, imagino o seu desnorte e ansiedade.

Não sou uma mãe diferente das outras e sei que as crianças quanto mais autónomas forem, melhor. No entanto, parece-me uma irresponsabilidade este tipo de abordagem ao transporte de crianças tão novas. Estive a ler uma notícia no jornal Público sobre este assunto e pelo que percebi este tipo de “abandono” irá tornar-se uma realidade. Tanta “contenção” é inqualificável.

Desde já fico obrigada pelo tempo que vai despender a ler este e-mail. Partihar também faz bem. É bom saber que está aí, algures desse lado.
Continuação de bom trabalho.

Com os melhores cumprimentos

B

… e a maior emoção foi o facto do António José Seguro ter interrompido uma entrevista do António Costa para a TVI. Está tudo dito.

Sugestão do Livresco

Cá é um pouco assim, mas só um pouco, em alguns contextos.

A “Tralha” Socratista

Ocorreu durante este fim-de-semana, em Braga, o XVIII Congresso do Partido Socialista com um regresso icónico ao “punho” em detrimento da “rosa”. Nesta ambiente mais “avermelhado” e com um slogan repristinado dos tempos de Guterres (“As Pessoas Estão Primeiro”) propõe-se, neste ambiente interno mais distendido, iniciar um “Novo Ciclo” prometido pelo também novo Secretário-geral, António José Seguro.

Talvez para estimular um clima de unidade neste partido “plural”, invocação que costuma ter as costas largas e após a derrota (por números bem expressivos) nas eleições internas do “legado” socratista, os representantes desta “herança” (eu diria “pesada”) antecipam a manobra e passam ao ataque, para não terem que se defender. Até dá a ideia que não levaram o PS a uma das mais severas derrotas eleitorais de sempre e que o seu candidato (o estimável Francisco Assis) não perdera as internas, por uma margem significativa, para Seguro.

Esta jogada destinou-se a evitar que fosse feito um balanço crítico do Partido na “era Sócrates”, o que não deixaria sempre de trazer um certo apuramento de responsabilidades. Afinal trazer um País à Bancarrota, começar a desmantelar o retoricamente incensado “Estado Social” (ainda que alegando defendê-lo “à outrance“) e acabar por entregar o Poder à Direita, por insuportabilidade (o povo não tinha mais “saco”) política e moral mais do que evidentes, irão passar como meros “azares” decorrentes de uma, sem dúvida particularmente desfavorável, “conjuntura internacional”.

Manda o “Bom Senso”, que segundo um conhecido Mestre é (apesar de não parecer) “a coisa do mundo mais bem distribuída” – que se aprenda com os erros. Para que isso possa acontecer, é necessário fazer sempre balanços críticos do passado. Não para recriminações, mas para que possamos entender como chegámos aqui. Não vi neste Congresso quase nada disso, Manuel Alegre tocou no assunto fazendo uma alusão crítica global à “Terceira Via” e às cedências ao “neoliberalismo”, mas o resto foi “en passant“. Seria importante avaliar os danos que trouxe ao PS e sobretudo ao País a iniciativa dos governos Sócrates, conhecida como “guerra aos professores” em que, a pretexto do combate às “corporações” (não às verdadeiras, claro), se criou um “mise en scène” para uma campanha de ódio inédita, inusitada e contraproducente contra um único grupo sócio-profissional (apesar de ensaiado com vários, acabou por ser efectuado na íntegra apenas contra um) – os professores. Caluniados e vilipendiados na praça pública (os “mais bem pagos” da Europa, os que menos horas trabalham, veja-se a este propósito os motivos das greves de professores em Espanha, e outras patacoadas), acusados de preguiçosos por tipos que nunca trabalharam na vida e que, eles sim, têm vivido (e muitíssimo bem) à custa do “orçamento”, alvo de medidas puramente vexatórias sem qualquer ganho de eficácia real, antes pelo contrário, pois o objectivo também não era esse.

A “guerra aos professores” foi um “tiro no pé” determinante para a perda da maioria absoluta em 2009, para a derrota nas Europeias e para a derrota de 2011 e entrega do poder à direita coligada, que, nesta matéria, herdando o grosso do “trabalho sujo” já feito e com um pouco de “savoir faire“, até passa por simpática. “Elementar meu caro Watson”!

É um “case study” em matéria de manobras suicidárias que um Partido possa ter feito, com a alienação por “muitos e bons” anos de uma parte importantíssima da sua base social de apoio (não, um Partido não deve governar para grupos em particular; mas também não deve hostilizá-los provocatoriamente, apelando ao ressentimento e à cizânia social). É baixeza, é vilania!

Neste Congresso em que a “tralha socratista” aparece entrincheirada nas listas de Assis (nem o Valter Lemos lá falta), das suas “vedetas educativas” pontificam o que, tendo sido Ministro do sector, “não fez, nem saiu de cima”, mas veio a revelar-se exímio como eminência parda dada ao ventriloquismo, “treinador de bancada” e grande “malhador” e outro que na sequência da derrota nas europeias e num acesso de “candura”, que revela a sua completa falta de maturidade (e estamos nós entregues a gajos destes), acabou por confessar a “estratégia” que se revelou, afinal, penalizadora:

“Era preciso criar pressão sobre certos sectores – como o da Educação (leia-se professores) – para que o resto da população aceitasse as reformas”.

Ora nem mais, não podia ter sido mais explícito no seu maquiavelismo de alcofa, tratou-se de “dar sangue à populaça”.

Mas, claro e como de costume, apenas o sangue dos outros.

António José Carvalho Ferreira

Professor

Co-fundador da Secção do Barreiro do Partido Socialista em 29 de Abril de 1974

Jornal de Notícias, 11 de Setembro de 2011 (a data fica fácil de recordar, embora o acordo seja de dia 9)

Nuninho – Ó Márinho, pá, assina lá e acabemos com isto. Tu partes para outras lutas e eu fico com isto despachado.

Márinho – Não posso, pá. Não me perdoavam, com as quotas não posso.

Nuninho – Mas tu com a Isabelinha assinaste e agora estás armado em esquisito.

Márinho – Pois assinei, mas ela dava beijinhos quando eu chegava, era amiga e os tempos eram outros. Tu és um malandro da Direita Neoliberal e Global.

Nuninho – Não sou nada. Assina lá, tu sabes que chegámos a acordo em quase tudo.As quotas são por causa dos tipos que também não me deixam fazer os exames e as aulas assistidas à malta toda. Achas que ando feliz?

Márinho – Eu entendo-te, como te entendo, mas não posso, os tipos dos blogues, aqueles enteados de uma madrasta, nunca mais se calavam e lá se ia a minha aura de lutador. Já me chegou o que disseram da outra vez.

Nuninho  – Mas concordámos em quase tudo, mais simples e a fingir só mesmo aquele inquérito do Joãzinho D.

Márinho  – Então fazemos assim: mandas fazer uma acta em que se diz que nós conseguimos conquistar quase tudo, menos as quotas e que por isso não assinámos.

Nuninho  – Tu és brilhante, pá. Eu fico com um acordo com o Joãozinho, um quase-acordo contigo e tu ficas como o lutador intransigente e acabamos com esta fita de uma vez por todas.

Márinho  – Combinado. Eu anuncio as conquistas e a acta e tu fazes aquele papel que sempre fizeram os outros quando eu me negava a assinar. E vamos tratar de coisas mais importantes. Por exemplo, os márinhos que não contrataste e cujos direitos me fazem cair lágrimas em bica sempre que me lembro que é preciso fazer uma arruada desconcentrada.

Nuninho – Brilhante. Eu já posso dedicar-me a fazer tudo aquilo que queria, tirando tudo o que não posso por causa da falta de dinheiro e tu podes ir lutar contra a Globalização Neoliberal e ajudar a Manelinho. Ele já está cansado, era tempo de seres tu o chefe dos manelinhos, tens melhor voz e és um tipo porreiro. Que saudades dos tempos em que eu também era dessas coisas.

Márinho – Isto parece-me ser o início de uma bela amizade. Vou gostar de discordar de ti, como discordava do Eduardo e do Guilherme e do Augusto. Não és a Isabel, mas com mais umas rondas eu esqueço-me dos beijinhos.

Nuninho – Vai em paz e vamos lá ver se os márinhos se calam, diz-lhes que há lutas maiores do que a coerência e o respeito por si mesmos. Diz-lhes que devem é ter medo de ficar sem a brincadeira.

Márinho – E é bem verdade. Sorte a daqueles malandros que me têm como maior representante. Sem mim, não eram nada.

Nuninho – Amén. Amanhã já mando fazer a acta e depois tu dizes onde queres colocar as reticências.

Recolha do Livresco:

9/11 lessons learned and not learned

Remembering the truth about 9/11 isn’t Islamaphobia

9/11: Did the U.S. Overreact?

9/11 a missed opportunity for economic repairs

In Afghanistan, tie between 9/11 and the war often gets lost

My 911: The moral cost of the Iraq War

Escola secundária construída pela autarquia e com gabinetes para docentes abre na segunda-feira

(…)

Além do facto de todo o processo ter sido conduzido pela autarquia, “o que significa que a escola foi construída a preços muito abaixo do que é normal nas obras realizadas pelo Estado”, o presidente da Câmara de S. João da Madeira realça duas outras particularidades do edifício: “Inclui gabinetes de trabalho para os professores e tem uma construção de qualidade, com materiais nobres”.

Castro Almeida explica: “Cada professor tem aqui a sua secretária individual e as suas gavetas, para não ter que andar com os livros da escola para casa e de casa para a escola. Pode passar aqui o dia todo e depois ir-se tranquilamente embora, o que é uma novidade nas secundárias e uma marca importante desta escola”.

Joãozinho D – Joãzinho amigo, eu preciso dizer aos outros joõezinhos que eles podem ficar ricos em tempo útil.

Joãozinho C. – Amigo Joãozinho, vou já fazer uma lei, a dizer que podem ficar ricos em tempo útil, até final de 2011.

Joãozinho D. – Então até final de 2011 fica decidido que eles podem ficar ricos em tempo útil. Posso anunciar isso.

Joãozinho C .– Sim, podes anunciar que até final de 2011 em faço uma lei a dizer que os joõezinhos podem ficar ricos em tempo útil.

Joãozinho D. – Mas eles podem começar mesmo a ficar ricos ou só fazes a lei?

Joãozinho C. – Só faço a lei. Depois, logo se vê o resto. Se quiseres também faço uma lei, a dizer que todos podem deixar de pagar impostos, até final de 2011. Até final de 2011 faço a lei, mas é só a dizer que podem e que ficam à espera de uma portaria a dizer quando podem mesmo.

Joãozinho D. – A sério? E achas que eles acreditam?

Joãozinho C. – Se estás aqui a negociar em nome deles e se vamos apresentar a coisa como sendo representativa de todos os joõezinhos até são capazes de acreditar que há um Coelhinho de Natal a colocar ovos de ouro no sapatinho em pleno Verão.

… foi este o resultado da pergunta sobre a concordância acerca do acordo FNE/MEC…

Eu sei que dá 101%, mas os arredondamentos e tal…

A Fenprof recusou assinar o documento final pois os três pontos essenciais que defendia, a redução do número de menções na avaliação (actualmente são cinco), a eliminação de quotas para as classificações mais elevadas e implicação nas notas na graduação de professores nos concursos, não foram satisfeitos pelo Ministério.

“O Ministério manteve as quotas e as cinco menções avaliativas. Em relação aos concursos há uma alteração, que no nosso entender cria uma situação discriminatória entre professores de carreira e contratados, não resolvendo o problema”, justificou o secretário-geral da Fenprof.

Apesar de não ter havido acordo, Mário Nogueira considera que houve “resultados positivos” e dá alguns exemplos.

“Os ciclos de avaliação deixam de ser de dois anos, quem já teve observação de aulas não vai precisar de a ter novamente no novo ciclo avaliativo, a desburocratização de todo o processo e a simplificação de procedimentos”, salientou o dirigente sindical.

Nenhum dos sindicatos pediu negociação suplementar e para Mário Nogueira o processo de negociação do novo modelo de avaliação dos professores “encerrou esta sexta-feira” e apela a que os professores “virem a página para outros problemas maiores que têm pela frente”.

A Fenprof assinou ainda uma acta negocial global evidenciando os pontos de acordo e desacordo relativamente ao novo modelo de avaliação.

Está bem, abelha… vale uma apostinha em como não assinaram, mas pediram desculpa?

… tal como o outro fez depois do de Janeiro de 2010.

A assinatura do acordo dependia da apreciação global de tudo o que estava em cima da mesa, reconheceu aquele dirigente sindical. A reivindicação mais importante era que “todos os professores com classificação de Bom ou Muito Bom tivessem a expectativa de atingir o topo da carreira no decorrer da sua vida normal como docentes”, disse Dias da Silva. E acrescentou: “As nossas preocupações ficaram maioritariamente consagradas no texto final”

Esse acordo fora atingido em 2010, mas a sua concretização ficara dependente de um despacho e de uma portaria que “encalharam no Ministério das Finanças”, explica o secretário-geral da FNE. “Obtivemos agora do Governo o compromisso político de que esse mecanismo será operacionalizado até ao final do corrente ano”.

Como já se leu abaixo, parece que a operacionalização será bem mais tarde e que depois nunca, ninguém, assume os erros e o habitual é arranjarem desculpas esfarrapadas.

Quanto ao essencial, isto é como o tipo que diz que o médico fez quase tudo o que o protocolo exige para manter o doente vivo, excepto o aspecto de o manter vivo.

E repito: que idade tem e em que escalão está João Dias da Silva? Só para perceber os horizontes da expectativa de chegar ao topo da carreira na sua vida normal como docentes. Isto sabendo-se que João Dias da Silva não tem vida normal como docente desde que Matusalém usava cueiros.

Ministério recusa progressões

Secretário de Estado João Casanova de Almeida disse ao CM que portaria a publicar só prevê progressões após 2014. Sindicatos pensavam que era já.

Tantas horas em reunião e descompreenderam uma coisa tão simples?

Congelamentos p’rá fogueira!