Lança imensas pérolas, mas interrogamo-nos sobre o que aconteceria se a consequência fosse a esperada:

– Mas esperava ser convidado?

– Se tivesse surgido, seria a consequência – porque não dizer, com honestidade – de um trabalho [colaboração no programa eleitoral do PSD] e de diálogos, dos quais poderia retirar que essa era uma probabilidade.

Agora a parte de alcova:

CM – Além da suspensão do modelo de avaliação de professores, sugeriu outros nove princípios orientadores da Educação a Passos Coelho. Foram todos ignorados?

SC – Genericamente, sim. Estão publicados. Se vir a proposta do PSD apresentada na Assembleia da República, no livro que escrevi com a incumbência de Pedro Passos Coelho…

– E já falou com Pedro Passos Coelho depois de tomar posse?

– Não. A última vez que falei com ele foi no dia em que ele publicamente se comprometeu, sem nenhum pedido feito por mim… aliás, posso contar-lhe a história…

– Se fizer favor.

– Dois dias antes da divulgação do programa eleitoral, falei com Pedro Passos Coelho pelo telefone e manifestei a minha perplexidade por nada do programa de coordenação, para o qual me tinha sido pedida ajuda, ter sido feito. E, na véspera de o programa ser anunciado publicamente, era uma e tal da manhã, recebi, enviado do iPad de Passos Coelho, com pedidos de desculpa, o programa. Quando o leio, vejo que na parte da Educação, tirando três ou quatro frases plagiadas sem autorização e grosseiramente copiadas, não era nada daquilo que eu tinha proposto.

– E não questionou o que se tinha passado?

– Obviamente. Telefonei imediatamente e perguntei o que era aquilo. Do outro lado, obtive silêncio. Depois, perguntou-me sobre a disponibilidade para melhorá-lo. Disse que era total.

– Mas se o programa era incompatível com aquilo que defendia, o que ainda havia a resolver?

– Há aqui alguma coisa que não conheço, é saber porque é que Pedro Passos Coelho andou durante quase um ano a falar comigo, concordando com tudo o que lhe ia propondo, e depois aparece um programa que não tem nada a ver com aquilo com que concordámos. Este é um mistério para mim.

– Tem ideia do que se possa ter passado?

– Para mim, tem uma explicação que não posso tornar pública porque não posso provar.

– Alguém já se teria comprometido com Nuno Crato?

-Não sei. Ou melhor, aquilo que sei não é passível de ser provado.

Eu sei que há quem ache que estaria aqui o salvador, mas eu tenho dificuldade em encontrá-lo em fórmulas deste tipo, que me perdoem aqueles que acham que, só por se dizer mal de Passos Coelho (com quem colaborou um ano sem perceber a impreparação que agora detecta), como antes por se dizer mal de Sócrates, se merece o Paraíso Celeste:

– Qual seria o modelo ideal?

– Aquele que não seja universal, que seja construído pelas pessoas que vão sofrer as consequências da sua aplicação e respeita a autonomia das escolas.