Sábado, 10 de Setembro, 2011


M83, Midnight City

.. foi ver, em simultâneo, as recuperações do Sporting contra Paços de Baptista e do Djokovic contra o Federer e o público de Flushing Meadows. Houve ali um lampejo de McEnroe quando, após uma resposta fulminante de direita num match point do adversário, se dirigiu ao público a perguntar pelos aplausos.

Ou se tem alma e convicções ou não vale a pena brincar aos crescidos.

Nuno Crato explica o acordo na TVI

Nuno Crato dá uma entrevista sobre o acordo na SIC

Estas só podem convencer quem não leu ou ouviu o actual MEC durante a última década. O modelo de ADD que vai entrar em vigor é um exemplo de falta de rigor e capacidade de detectar qualquer mérito. Duas aulas assistidas por quadriénio valem tudo? Mais uns relatoriozinhos anuais? Lamento, pensava que era eu o facilitista em matéria de ADD…

Ao contrário do que o ministro Nuno Crato diz a certa altura da entrevista na SIC, este modelo é uma brincadeira.

Acredito nas circunstâncias e constrangimentos, mas isto é apenas um manto para encobrir o essencial: as quotas.

Para quando as quotas na avaliação dos alunos, se os professores não sabem avaliar e a curva de Gauss é Lei?

Lança imensas pérolas, mas interrogamo-nos sobre o que aconteceria se a consequência fosse a esperada:

– Mas esperava ser convidado?

– Se tivesse surgido, seria a consequência – porque não dizer, com honestidade – de um trabalho [colaboração no programa eleitoral do PSD] e de diálogos, dos quais poderia retirar que essa era uma probabilidade.

Agora a parte de alcova:

CM – Além da suspensão do modelo de avaliação de professores, sugeriu outros nove princípios orientadores da Educação a Passos Coelho. Foram todos ignorados?

SC – Genericamente, sim. Estão publicados. Se vir a proposta do PSD apresentada na Assembleia da República, no livro que escrevi com a incumbência de Pedro Passos Coelho…

– E já falou com Pedro Passos Coelho depois de tomar posse?

– Não. A última vez que falei com ele foi no dia em que ele publicamente se comprometeu, sem nenhum pedido feito por mim… aliás, posso contar-lhe a história…

– Se fizer favor.

– Dois dias antes da divulgação do programa eleitoral, falei com Pedro Passos Coelho pelo telefone e manifestei a minha perplexidade por nada do programa de coordenação, para o qual me tinha sido pedida ajuda, ter sido feito. E, na véspera de o programa ser anunciado publicamente, era uma e tal da manhã, recebi, enviado do iPad de Passos Coelho, com pedidos de desculpa, o programa. Quando o leio, vejo que na parte da Educação, tirando três ou quatro frases plagiadas sem autorização e grosseiramente copiadas, não era nada daquilo que eu tinha proposto.

– E não questionou o que se tinha passado?

– Obviamente. Telefonei imediatamente e perguntei o que era aquilo. Do outro lado, obtive silêncio. Depois, perguntou-me sobre a disponibilidade para melhorá-lo. Disse que era total.

– Mas se o programa era incompatível com aquilo que defendia, o que ainda havia a resolver?

– Há aqui alguma coisa que não conheço, é saber porque é que Pedro Passos Coelho andou durante quase um ano a falar comigo, concordando com tudo o que lhe ia propondo, e depois aparece um programa que não tem nada a ver com aquilo com que concordámos. Este é um mistério para mim.

– Tem ideia do que se possa ter passado?

– Para mim, tem uma explicação que não posso tornar pública porque não posso provar.

– Alguém já se teria comprometido com Nuno Crato?

-Não sei. Ou melhor, aquilo que sei não é passível de ser provado.

Eu sei que há quem ache que estaria aqui o salvador, mas eu tenho dificuldade em encontrá-lo em fórmulas deste tipo, que me perdoem aqueles que acham que, só por se dizer mal de Passos Coelho (com quem colaborou um ano sem perceber a impreparação que agora detecta), como antes por se dizer mal de Sócrates, se merece o Paraíso Celeste:

– Qual seria o modelo ideal?

– Aquele que não seja universal, que seja construído pelas pessoas que vão sofrer as consequências da sua aplicação e respeita a autonomia das escolas.

Professores sem colocação protestam no Rossio

Um protesto convocado através do Facebook’ por quatro professores, que ficaram sem colocação este ano lectivo, juntou esta tarde, no Rossio, cerca de 150 pessoas. Entre as principais reinvidicações está o direito à compensação pela caducidade do contrato, o direito à vinculação ao fim de três anos de trabalho consecutivos e a redução do número de alunos por turma.

Estou cansado de empates e derrotas. E ver o João Pereira como capitão é um bocado coiso.

Fica aqui (ADDVersaoFinalSet11) e é, em minha opinião, equivalente ou menos rigoroso do que o do ECD de 98, à excepção da questão das quotas (a única questão relevante para o governo/MEC) e do mini-aparato em torno das aulas assistidas (para satisfazer uma réstia de simulacro de controle de qualidade).

Ao contrário do que li em declarações atribuídas à FNE não leio no artigo 30º grande coisa de estimulante quanto ao que possa vir a ser conseguido posteriormente como contrapartida da assinatura deste acordo (nomeadamente quanto ao regime de concursos e do modelo de gestão, pois nem caberiam neste tipo de diploma). Um pouco como em Janeiro de 2010, justifica-se o papelito com eventuais e futuros melhoramentos e compensações que depois nunca aparecem. E, se atentarem, são do mesmo tipo dos que Alçada, Nogueira e Dias da Silva terão acordado.

Está no artigo 20º:

6- A atribuição das menções qualitativas de Muito Bom e Excelente depende do cumprimento efectivamente verificado de 95 % da componente lectiva distribuída no decurso do ciclo de avaliação, relevando para o efeito as ausências legalmente equiparadas a serviço efectivo nos termos do artigo 103.º do ECD.

Mesmo se eu costumo fotografar antes de beber dois copos de sangria, desculpa fraca para a desfocagem. Aquela papinha amarela corresponde a ovos mexidos com alheira, uma entrada que faz disparar todos os alarmes aos mais preocupados. Nos tempos que correm, é coisa só para gente com alma e estômago à medida.

 

… deste modelo de ADD que não pudesse ter a assinatura de um… sei lá… Valter Lemos?

A este só saem pérolas:

Nuno Crato perdeu três meses a tentar o que já se sabia ser impossível: convencer os sindicatos dos professores a aceitar uma avaliação minimamente credível e eficaz. O que eles aceitam uma anedota de avaliação, em que não haja limites de quotas para as classificações máximas. Ou seja, em vez de premiar os melhores, os sindicatos querem é promover os medíocres e fazer da avaliação uma oportunidade mais de ruína financeira para o Estado. (MSTavares, Expresso, 10 de Setembro de 2011, p. 7)

Como não faço parte dos sindicatos, só posso responder enquanto professor que acha a ADD proposta pelo MEC uma anedota que não promove uma avaliação minimamente credível e eficaz.

Se o autor da prosa se desse ao trabalho (deve ser extenuante, eu sei…) de ler a proposta de ADD acordada com a FNE e se conhecesse como funcionam as escolas perceberia até que ponto escreve em roda livre, com um medíocre conhecimento factual das coisas e apenas porque embirra com os professores, vá-se lá saber por que razão (sabe-se, mas agora não interessa nada).

 

Está aqui.

Acho particularmente fascinantes estes dois parágrafos em que notoriamente querem fazer-nos passar por parvos:

Mas este acordo ainda acaba com os efeitos negativos da avaliação de desempenho sobre a graduação profissional para efeitos de concurso. Em relação aos docentes dos quadros, os resultados da avaliação não se repercutem na graduação profissional, porque já têm expressão na redução da duração do escalão seguinte. No caso dos docentes contratados, as classificações de avaliação de desempenho positivas – Bom e Muito Bom – asseguram de modo igual o crescimento de um ponto na graduação profissional.

O acordo contempla ainda a concretização dos mecanismos previstos no ECD para garantirem que todos os docentes classificados com pelo menos Bom em toda a carreira têm a expectativa de atingirem em tempo útil o topo da carreira. Com efeito, esta norma do ECD precisava de uma portaria que definisse o fator de compensação pela atribuição de Bom, a qual nunca foi publicada, ao contrário do que era compromisso do Governo anterior, não dando plena execução a um dos aspetos essenciais do acordo de 8 de janeiro de 2010. Ora. O Governo comprometeu-se neste acordo a fazer publicar a referida portaria até ao final de 2011.

Isto significa exactamente o quê? Que o Bom implica mais um valor na graduação profissional dos contratados, a acrescer ao tempo de serviço? Então para quê concorrer a Muito Bom?

Para além disso, é óbvio que todos os docentes até ao 6º escalão e muito em especial até ao 4º escalão só podem ter a EXPECTATIVA de chegar, em tempo útil, ao topo da carreira. A menos que se considere como tempo útil chegar lá aos 70 anos.

A verdade é que a generalidade dos docentes que não estejam já no 7º escalão não conseguirá aceder ao actual 10º escalão.

O que é anunciado pela FNE só como truque de linguagem pode ser encarado como uma não-mentira descarada.

João Dias da Silva, da FNE, explicou que, “mantendo-se a discordância em relação às quotas, foram conseguidos pressupostos essenciais” para os docentes, entre os quais a não contabilização da avaliação para efeitos de concurso no caso dos professores de quadro.

Que pressupostos, pá?

Resumindo: todos tiveram o que precisavam, menos a maior parte dos professores.

  • O Governo fica, para todos os efeitos, com um modelo de ADD com quotas para controlar a progressão salarial dos professores, independentemente da qualidade do seu desempenho.
  • A FNE fica com o papel de negociador compreensivo, que terá obtido uns milímetros de qualquer coisa e espera-se que não uma posição de vantagem e parceria implícita com o MEC para formar os avaliadores externos.
  • A Fenprof fica com o capital de crédito da contestação ao modelo, o que lhe permitirá capitalizar a eventual insatisfação dos docentes, apenas não se sabendo a que ponto.
  • Uma dezena de nano-sindicatos  fizeram o papel de corpo presente, pró ou contra.
  • Quem queria manter-se com um papel qualquer de superioridade sobre os colegas mantém-no, podendo tornar-se avaliador por via do exercício das funções anteriores de relator ou titular.
  • Quem não queria uma ADD a sério fica com um modelito parecido com o do ECD de 98, mais as quotas.

Fiquei na dúvida

Final dos anos 90. Guiando visitas ao Jardim Agrícola Tropical em Lisboa no âmbito do projecto Viagens do Interior para o Litoral (acho que era assim…) do Grupo de Trabalho do ME para os Descobrimentos Portugueses.Neste caso a um grupo do 1º ciclo que, com imensa simpatia, registou o momento para esta duvidosa posteridade.

Cerca de uma década de experiências de todo o tipo, sendo das mais marcantes as visitas de alunos do Centro Helen Keller, em particular a primeira quando, não sabendo antecipadamente os grupos do dia, tive de aprender a mostrar os Jerónimos a um grupo de crianças e jovens, em grande parte invisuais, apostando no tacto e na audição para que sentissem a arquitectura e escultura e ouvissem o espaço.

O MEC chegou a acordo com a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) e seis outras estruturas sindicais. Mas não com a Federação Nacional de Professores (Fenprof) porque, segundo Mário Nogueira, secretário-geral desta estrutura sindical, o novo modelo mantém o regime de quotas para as classificações mais elevadas.

O ministério “irá ainda assinar uma acta global negocial com a Fenprof, onde estarão estabelecidos todos os pontos de acordo e desacordo, nomeadamente em relação às quotas”, fez saber o Executivo.

Expliquem-me uma coisa: há forma de provar que vida têm 10 das estruturas nano-sindicais que estiveram a fingir que negociavam?