… ficam aqui assinalados os estados d’alma explicitados na página 4 do Público (peça sem link).

Primeiro os esperançosos:

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, vê condições para que as grandes manifestações de docentes se “voltem a repetir”.
“As pessoas têm vindo a assistir ao anúncio de medidas violentas cuja violência ainda não se abateu sobre elas. Mas quando se começarem a sentir asfi xiadas, não vão fi car caladas. E aí vai ser o clique. Toda a gente virá para a rua”, prevê Mário Nogueira.

(…)

Ponderando todos os factores, Ilídio Trindade, do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP), prevê, ao longo do ano lectivo,um “crescimento das acções de protesto”. “Conseguiremos juntar toda a classe como já aconteceu? Uma grande maioria, penso que sim”, prevê.

A seguir, o cepticismo:

No entanto, Ricardo Silva, da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE), diz existir neste momento um “bloqueio na representatividade” dos professores junto dos principais sindicatos – FNE e Fenprof. “Em 2008 e 2009 houve picos de mobilização de quase 90% da classe que foram desperdiçados. Para que isso volte a acontecer será necessário renovar as estruturas sindicais e lançar um diálogo muito grande com os professores”, afirma.

O futuro demonstrará quem tem razão. Estou obviamente mais próximo da leitura do Ricardo, embora ao que ele chama bloqueio da representatividade eu prefira designar como quebra da ligação às bases quotidianas da docência, ao sentir dos colegas nas escolas. Algo que não se consegue fazendo plenários descentralizados para onde é mais confortável para alguns dirigentes.

A partir de 2007 a mobilização da classe fez-se de forma multipolar e graças a factores que dificilmente se repetirão: desde logo a facilidade com que as aparições e declarações da equipa Sócrates/MLR/Valter Lemos/Pedreira conseguiam despertar animosidade.

Em seguida, o cuidado que foi colocado por muita gente, apesar do seu cepticismo e das acusações trocadas, na recuperação do papel dos sindicatos e na confluência na luta.

O adormecimento voluntário da contestação a partir de finais de 2009 e durante o ano de 2010, aliado a outros factores como a fragmentação de posições na sequência do alinhamento partidário de muitos protagonistas por ocasião das eleições legislativas deste ano (que exacerbaram conflitos de ordem pessoal que vinham de trás e que ajudaram a perceber diversos oportunismos) e o medo reinstalado nas escolas em virtude do poder de vida e morte colocado na mão dos directores, conduziu ao que temos e que dificilmente será alterado, por muito que os lutadores profissionais ou amadores queiram acreditar no contrário.

Passem pelas salas dos professores, não se limitem a ouvir os cortesãos.