Quinta-feira, 8 de Setembro, 2011


Mas parece ainda algo clandestino. E terão de ir à Central de Compras? Ou, como no PNL, será tudo centralizado obrigatoriamente numa única livraria, criando situações meios coisas?

Ou poderá ser directamente às editoras?

E, mais importante, haverá dinheiro?

Escolas autorizadas a comprar manuais escolares

A partir deste ano lectivo as escolas estão autorizadas a adquirir manuais escolares para os alunos com dificuldades financeira, do 1º ciclo do ensino básico ao 12º ano do ensino secundário.

Fonte oficial do ministério da Educação e Ciência (MEC), avançou ao Diário Económico, que a tutela vai enviar “muito em breve” uma circular para autorizar e “dar a orientação que as escolas comprem os manuais escolares às famílias que estejam abrangidas pela Acção Social Escolar”.

The Black Crowes, Remedy

… para além de qualquer avaliação de desempenho a fingir ou abuso na exploração do trabalho docente é a retirada de meios aos mais carenciados e vulneráveis com pretextos absolutamente materialistas.

Falo dos alunos e das medidas de poupança anunciadas como a necessidade das famílias com direito a subsídio terem de comprar primeiro os manuais e serem reembolsadas depois (algo que parece ser uma medida já tomada) ou a retirada meios humanos especializados no apoio a alunos com NEE.

Isto é ao pior nível dos tempos que pensávamos ultrapassados.

  • Quando da aprovação do decreto-lei 3/2008 levantaram-se imensas vozes contra a forma como se estava a restringir o universo das crianças e jovens a quem seria possível prestar apoios especializados em virtude da forma como se passaram a definir as NEE. Muitas dessas vozes foram de gente ligada ou próxima do partido que actualmente lidera o governo. Agora o que se pretende é reduzir esses mesmos apoios a um grupo que já de si não corresponde vagamente ao dos alunos que precisam efectivamente de um apoio individualizado e especializado. Não conheço ainda em concreto o que se pretende fazer ou cortar, mas quando a definição das prioridades passa por desproteger quem está mais vulnerável atravessa-se uma linha fundamental de (des)respeito pela condição humana.  Aqui não se trata de questões ideológicas, trata-se de princípios básicos de decência e ética perante os nossos semelhantes.
  • O mesmo se passa, embora de um outro modo, com a imposição das famílias carenciadas adiantarem os meios financeiros para adquirirem manuais que podem atingir centenas de euros no seu conjunto, ficando à espera de um eventual reembolso. Quando não se criaram os meios para, como defendia o CDS há meses, existirem bolsas de manuais usados nas escolas. Se há crise orçamental do Estado, há maior crise nos orçamentos das famílias. Para o bem e o mal, o Estado não está desempregado, mas muitos encarregados de educação estão. E NÃO TÊM meios para adquirir os materiais. E as escolas e professores vão ser obrigados a usar de imaginação e, por vezes meios à margem da lei para ultrapassar esta situação. O manual não deve ser o suporte único das aulas, mas pode ser quase o suporte único para o trabalho dos alunos fora das aulas. É absolutamente obsceno do ponto de vista intelectual que pessoas que se definem por oposição ao materialismo, justificarem uma medida destas. O que propõem? A caridade cristã? O milagre da multiplicação dos manuais a saírem do regaço da SE Isabel?

Só falta mesmo ler em qualquer notícia ou blogue que este tipo de protesto é um resquício de socialismo. Não, o que está a ser feito é que é muito mais do que um resquício de falta de uma abordagem humanizada do ensino e DOS ALUNOS.

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[aqui]

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DREC: Directora de serviços renuncia ao cargo

A directora de Serviços de Gestão e Planeamento da Rede da Direcção Regional de Educação do Centro, Fátima Crisóstomo, acaba de renunciar ao cargo, na sequência da investidura da nova titular da DREC, Cristina Oliveira, soube o “Campeão”.

Fátima Crisóstomo, cuja comissão de serviço (por 36 meses) fora objecto de recente renovação, tinha sido, há anos, coordenadora do Centro de Área Educativa de Coimbra.

A Gestão e Planeamento da Rede é uma das quatro direcções de serviço daquele organismo desconcentrado do Ministério da Educação e Ciência (MEC).

A renúncia ficou a dever-se ao facto de vários dos coadjutores de Fátima Crisóstomo, professores requisitados, terem sido dispensados após a passagem de testemunho entre Helena Libório e Cristina Oliveira.

Fontes daquele organismo desconcentrado do MEC disseram ao nosso Jornal que, num universo de 15 docentes, outrora requisitados pela DREC, 10 receberam guia-de-marcha.

… ficam aqui assinalados os estados d’alma explicitados na página 4 do Público (peça sem link).

Primeiro os esperançosos:

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, vê condições para que as grandes manifestações de docentes se “voltem a repetir”.
“As pessoas têm vindo a assistir ao anúncio de medidas violentas cuja violência ainda não se abateu sobre elas. Mas quando se começarem a sentir asfi xiadas, não vão fi car caladas. E aí vai ser o clique. Toda a gente virá para a rua”, prevê Mário Nogueira.

(…)

Ponderando todos os factores, Ilídio Trindade, do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP), prevê, ao longo do ano lectivo,um “crescimento das acções de protesto”. “Conseguiremos juntar toda a classe como já aconteceu? Uma grande maioria, penso que sim”, prevê.

A seguir, o cepticismo:

No entanto, Ricardo Silva, da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE), diz existir neste momento um “bloqueio na representatividade” dos professores junto dos principais sindicatos – FNE e Fenprof. “Em 2008 e 2009 houve picos de mobilização de quase 90% da classe que foram desperdiçados. Para que isso volte a acontecer será necessário renovar as estruturas sindicais e lançar um diálogo muito grande com os professores”, afirma.

O futuro demonstrará quem tem razão. Estou obviamente mais próximo da leitura do Ricardo, embora ao que ele chama bloqueio da representatividade eu prefira designar como quebra da ligação às bases quotidianas da docência, ao sentir dos colegas nas escolas. Algo que não se consegue fazendo plenários descentralizados para onde é mais confortável para alguns dirigentes.

A partir de 2007 a mobilização da classe fez-se de forma multipolar e graças a factores que dificilmente se repetirão: desde logo a facilidade com que as aparições e declarações da equipa Sócrates/MLR/Valter Lemos/Pedreira conseguiam despertar animosidade.

Em seguida, o cuidado que foi colocado por muita gente, apesar do seu cepticismo e das acusações trocadas, na recuperação do papel dos sindicatos e na confluência na luta.

O adormecimento voluntário da contestação a partir de finais de 2009 e durante o ano de 2010, aliado a outros factores como a fragmentação de posições na sequência do alinhamento partidário de muitos protagonistas por ocasião das eleições legislativas deste ano (que exacerbaram conflitos de ordem pessoal que vinham de trás e que ajudaram a perceber diversos oportunismos) e o medo reinstalado nas escolas em virtude do poder de vida e morte colocado na mão dos directores, conduziu ao que temos e que dificilmente será alterado, por muito que os lutadores profissionais ou amadores queiram acreditar no contrário.

Passem pelas salas dos professores, não se limitem a ouvir os cortesãos.

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