A Avaliação do nosso Descontentamento

Tem sido com desilusão que tenho seguido as notícias e os debates suscitados pelo tema Avaliação (ADD). Não é fácil reconhecer que as políticas “socretinas” tiveram consequências muito mais graves do que eu própria poderia um dia ter imaginado.

A aprovação do actual regime de gestão, mas, acima de tudo, o execrável modelo de avaliação de MLR foram as principais causas da onda de indignação impulsionada pelos movimentos de professores no início de 2008 – a este propósito, os professores mais velhos (aqueles que ainda não se tinham aposentado!) tiveram um importante papel nessa altura e sem este seu envolvimento duvido que a manifestação de 8 de Março pudesse ter tido a enorme adesão que se verificou.

Se muitos de nós tivemos consciência da força que podemos ter, nem todos nos apercebemos, porém, que aquele dia extraordinário acabaria por coincidir com o esvaziar do próprio sentido da contestação ao reduzi-la ao problema da avaliação – facto que o Memorando de Entendimento da Plataforma Sindical com o Ministério veio confirmar um mês mais tarde.

Uma vez alcançado o principal objectivo (a saída dos professores mais caros a par do descrédito da classe docente) não foi difícil para o ME acalmar as hostes com um modelo soft que, contrariamente ao que se afirma por aí, EM NADA alterou as carreiras da grande maioria dos professores (titulares incluídos) porque permaneceram congeladas.

Permaneceram congeladas e assim permanecerão – seja como consequência de políticas erradas, seja como consequência da crise que entretanto se instalou!

Com uma diferença: para a opinião pública os safados dos professores não querem ser avaliados!

De ano para ano (para não dizer de dia para dia) as condições de trabalho nas escolas são cada vez mais problemáticas: modelo de gestão, turmas superlotadas, sobrecarga dos horários proporcional talvez ao desemprego dos professores, trabalho extraordinário não reconhecido, inexistência de concursos nacionais que permita reajustamento de situações, etc. …

Que sentido faz, pois, discutir qualquer modelo de avaliação neste momento QUANDO NÃO HÁ PROGRESSÃO?

Já nem referindo o facto de que a maioria dos professores foi obrigatoriamente avaliada este ano e não se sabe (e aparentemente nem importa saber) as consequências daquele processo?!

Que respostas dão os sindicatos às verdadeiras questões?

Que interesse têm os sindicatos (essencialmente a Fenprof) em insistir neste tipo de inutilidades?

Disfarçar o facto de que são incapazes de defender verdadeiramente os interesses da classe docente? Pior ainda: quando se falou da isenção de avaliação dos professores dos últimos escalões acabaram por dar força a uma campanha contra eles – basta ler comentários acerca deste tema nos blogues, em que são caluniados de maneira vergonhosa! Ou seja, aqueles que tantas vezes apelam à união contra o divisionismo acabam por fomentar um divisionismo invejoso e mesquinho!

E tudo isto a pretexto de quê? De uma inútil avaliação administrativa?

Fraca coisa por tão alto preço!!!

Isabel G.