Terça-feira, 6 de Setembro, 2011


SuperHeavy, Miracle Worker

Vamos lá colocar um (quase) último ponto de ordem, sem necessidade de muitos links a comprovar o que é conhecido, sobre esta coisa da ADD – Simplex 3.

O ponto da situação reporta ao período de Julho para cá, sendo dispensável rememorar as peripécias anteriores.

O MEC anunciou que queria despachar depressa a reformulação da ADD, para ser possível passar para assuntos mais importantes relacionados com o trabalho nas escolas. Prometeu-se modelo simples, justo e rigoroso. Chegou a falar-se em aulas assistidas para toda a gente ou quase. Falou-se em novo modelo. Também se falou em ajustes no anterior.

Do lado sindical afirmou-se que não era aceitável negociar em Agosto por ser período de férias e, por isso, ser impossível consultar os professores sobre a resposta a dar às propostas do MEC. Esta foi uma posição mais explicitada pela Fenprof, mas a FNE não discordou.

Apesar de tudo, ficaram negociações marcadas para Agosto, com última rodada a 9 de Setembro. Assim poderia existir consulta às bases e a Fenprof ameaçou com período suplementar de negociações.

Após a ronda de 29 de Agosto, a FNE mostrou-se razoavelmente disponível para não conflituar e a Fenprof ameaçou conflituar com base em questões que, há ano e meio, em sede de revisão do ECD, não foram suficientes para impedir um acordo.

Quanto a consultas, a dezena de nano-sindicatos absteve-se, a FNE colocou uma consulta online e a Fenprof aprazou para 7 de Setembro um conjunto de 20 plenários em pontos seleccionados do país, afirmando-se que

Estas reuniões servirão para debater com os professores o projecto do MEC e apurar a sua sensibilidade quanto ao posicionamento da FENPROF neste processo, designadamente no que respeita a um eventual acordo negocial final.

Não se sabe se existirão moções em confronto ou proposta única, se haverá votação, se serão contabilizados os votos recolhidos em todos os plenários e lavradas actas a propósito.

Quanto à FNE, não se sabe se disponibilizarão os números da consulta online.

O que se percebe – já se percebia – é que a Fenprof pretendeu estender as negociações para um período em que os efeitos do concurso (não colocações de muitos milhares de contratados, instabilidade de professores dos quadros em DACL) e do próprio final do ciclo anterior da ADD pudessem acicatar os ânimos e permitir uma dramatização do discurso negocial. E também esperou pelas tácticas saídas de outros centros de decisão, a começar pela CGTP e a sua fórmula habitual de decretar greves e manifestações em cascata.

Só falhou o conhecimento directo do ambiente nas escolas e o (des)ânimo de um enorme número de professores por duas razões óbvias:

  • A desilusão com o que foi desbaratado no passado pois em situações menos desfavoráveis (sem troikas, com mega-manifestações do lado do crédito) foram assinados dois acordos com o ME.
  • A incerteza de todos quanto ao futuro, com um generalizado receio em relação ao posto de trabalho, actualmente muito vulnerável à conjugação dos cortes orçamentais e caprichos directivos.

Talvez por isso a Fenprof tenha optado por uma consulta selectiva e acessível quase em exclusivo a quem não tem já trabalho nas escolas e a FNE nem apareça nas escolas, mais preocupada em saber se poderá ser entidade formadora dos avaliadores externos.

Talvez por isso não existe qualquer unidade entre os professores vagamente equiparável à que existiu em 2008-09 e que foi desbaratada, por comum acordo ME/sindicatos mais representativos, em 2010, quando a prioridade passou pela pacificação das escolas.

Neste momento existe, na globalidade e na localidade, uma fragmentação da classe docente, em micro-interesses individuais ou de grupos, tornando-se difícil encontrar pontos e temas de mobilização que não sejam ultrapassados pela sensação de medo que volta a imperar.

Antes havia medo perante as consequências dos protestos, ao nível da atribuição de maus horários e turmas indesejáveis. Agora existe medo, ao nível da não atribuição de qualquer horário ou turma a curto prazo.

Como aqui chegámos? Sabemos, não é preciso voltar a recapitular.

O que se pode fazer para inverter a situação? Depois da confiança e unidade restauradas a custo a partir de 2007 e estilhaçadas nos anos seguintes, é difícil perceber que novo caminho pode ser percorrido que não seja de mero regresso ao passado, às velhas trincheiras que caracterizaram a Situação desde os anos 90 até 2005-06.

A carne já foi roída quase até ao osso e o o próprio tutano escasseia nos zecos.

Restam alguns profissionais da representação e um grupo militante de adeptos da luta convencional. A que falhou.

Atitude de rendição? Não.

Trégua para reavaliação. De tudo. E com as costas bem encostadas à parede, porque a confiança já não mora aqui.

Fica aqui: ADD – Proposta6Set. A sério, não encontro alterações relevantes.

Nuno Crato pede uma nova auditoria à Parque Escolar e suspende novas obras. O arquitecto Tiago Mota Saraiva dá exemplos da pouca transparência na adjudicação das obras.

Opiniões nas escolas sobre a suspensão das obras da Parque Escolar.

Escolas em risco de perder centros

Com o ano lectivo prestes a arrancar, os Centros Novas Oportunidades (CNO) instalados em quase 200 escolas públicas correm o risco de não funcionar por falta de coordenadores. Devido aos cortes impostos na Educação, as escolas básicas e secundárias não dispõem agora de créditos horários para atribuir aos coordenadores dos centros.

Nada como inventar um bicho-papão para justificar qualquer coisa como, por exemplo, o CDS estar a fazer parte do governo que mais rapidamente elevou a carga fiscal sobre os cidadãos.

Paulo Portas: “Onda de greves sistemáticas torna o país mais pobre”

Se há coisa a que estamos mais do que habituados é aos discursos de encerramento da Festa do Avante e às tiradas do Carvalho da Silva e arrobos – entre sonecas – do João Proença.

Não vale a pena dramatizar, a menos que a dramatização dê jeito.

Comment réinventer l’école ?

Autorité contestée, décrochage, incivilités, apathie ou phobie scolaire, malgré les réformes, la crise éducative persiste ; Marcel Gauchet et Philippe Meirieu ébauchent ensemble les pistes d’une autre politique de l’éducation.

Página seguinte »