Rumoreja de novo por aí aquele discurso anti-professores, achando que são uma malandragem que trabalha pouco e ganha mais do que devia. O problema é que os números não são bens esses e numa recente publicação da OCDE sobre a necessidade de manter a docência como uma actividade de topo, em termos de qualidade, o ranking está longe de ser favorável aos professores portugueses, nomeadamente àqueles a que o MEC e as estruturas sindicais consideram mais adequado impor os padrões de ADD mais exigentes.

O que é objectivo é que um professor com 15 anos de carreira (com os congelamentos, é alguém agora na casa dos 40 anos ou mesmo mais), ganha em média cerca de 75% de um outro licenciado, sendo que o professor até tem formação adicional. Em 27 países, Portugal fica em 17º lugar. A vizinha Espanha encabeça a lista, com os professores a ganharem comparativamente mais do que os outros licenciados.

O resto, aquela propaganda agressiva do costume durante o consulado socrático que tanto seduz muitos elementos do PSD e alguns tarefeiros da imprensa, em tempos seduzidos com bolachinhas e chá quando aparentam ar de outros gostos, é apenas o que se sabe: ruído sem grande fundamentação empírica a que se agarrarem.