Sábado, 3 de Setembro, 2011


Franz Ferdinand, No You Girls

Experimentem viver 2-3 anos sem as transferências financeiras do OE e quero ver os jardins&jaimes a emagrecerem…

… se fosse pela mão de Nuno Crato que se enveredasse pela infantilização de um 1º Ciclo com seis anos, generalista, com base em teorias de secretária sobre o insucesso e achismos teóricos. Aquilo que caracterizava um Valter Lemos, por exemplo.

Os números do insucesso apontam para o 7º ano como o ponto crítico do percurso educacional dos alunos, não o 5º (há dados muito mais recentes, mas há muito que os pontos negros estão identificados e quantificados). O corte traumático de que tantos falam é descomprovado pelos dados disponíveis.  Toda a lógica aconselharia a fusão dos 2º e 3º ciclos, que até são leccionados nas mesmas escolas (as EB2/3), permitindo distender os programas das áreas disciplinares fundamentais (Língua Portuguesa, Línguas Estrangeiras, Matemática, História e Geografia, Ciências, Expressões), sem andarmos a  repetir conteúdos.

Mas parece que há demasiada pressão – será das instituições de formações de professores-generalistas para garantir empregos? – para o alargamento do 1º ciclo.

Em outros tempos, ainda me daria ao trabalho de me indignar contra a asneira. Nos tempos que correm já espero que tudo aconteça, com base nos argumentários mais estrambólicos. Que, em boa verdade, apenas pretendem arranjar espaço para os generalistas bolonheses que certos especialistas andam a formar. E precisam justificar a sua existência.

Já agora, só como exemplo de um estudo que prova o inverso do senso comum, com base opinião dos próprios alunos:

Ao contrário do que a literatura sugere, a maioria dos alunos, neste estudo, indicou que gostam mais do modo como está estruturada a escola Básica e Secundária (vários professores para diferentes disciplinas) ao contrário da Escola Primária (ensino globalizante).

Se gostam mais, provavelmente até será mais fácil motivá-los para… as aprendizagens e tal…

Dados do (in)sucesso disponíveis aqui:

 

Ministro detecta “desvio silencioso” de mil milhões

Há um desvio silencioso de mil milhões de euros nas contas públicas, detectado pelo ministro das Finanças, Vitor Gaspar, que será absorvido pelas políticas já em marcha.

Três reparos:

  • Não tinham dito que não se desculpariam com o passado?
  • Desculpando-se com o passado, não há maneira de identificar os responsáveis?
  • Não havendo maneira simples, porque deixaram cair a ideia de uma auditoria às contas públicas?

Não se deve ser mal agradecido. Mas há que notar que, pelo menos, andam a tentar amaciar-nos ligeiramente o ego em alguma imprensa, com uma mudança de atitude muito interessante. No DN uma bela reportagem com um grupo de contratados; na revista do Expresso, uma grande artigo com vários ex-professores ou professores, quase todo(a)s bem avançados na carreira.

O tom mudou. Está bem mais compreensivo.

As coisas não acontecem assim, por acaso.

Sabe-se que o cinto vai apertar e o peso duplicar. Ao menos, que seja com algum respeito.

… nas promoções de algumas Bertrand.

“Vou-me embora deste país de merda”, diz Berlusconi

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, envolveu-se noutro escândalo político, após terem sido divulgadas escutas telefónicas no âmbito das investigações sobre as festas de Il Cavaliere. Nas gravações, Berlusconi diz a um amigo que se vai embora “deste país de merda”.

Do Algures no Nordeste:

Bombeiros…

A guardar o canto da página 8 do DN de hoje e ainda a porta lá da escola com ar de mauzão.

Numa entrevista algo fofinha à Única, Nuno Crato repete coisas que já conhecemos, no que à Educação diz respeito, e dá a entender que vai colocar em prática o que sempre pensou. Não me parece bem assim.

Longe vão os tempos em que me dava ao trabalho de ler com atenção as entrevistas de Maria de Lurdes Rodrigues em busca das imensas incongruências que continham. Desisti com Isabel Alçada, porque não se encontram incongruências em algodão doce.

Em relação a Nuno Crato espero rigor e fundamentação nas afirmações que faz. Nesta entrevista, há várias que carecem de substância empírica e não foi por alta de espaço em a apresentar (5ão 9 páginas, mais de metade com texto).

Vou fiar-me por uma questão em que me sinto visado directamente enquanto professor de um ciclo de escolaridade que, ao que parece, destrói as aprendizagens dos alunos.

Diz Nuno Crato (p. 40, quase no início):

Há muitos jovens que chegam ao fim do 1º ciclo e que dominam aquilo que deveriam dominar, mas que parece que depois entram no 3º ciclo tendo esquecido uma série de coisas e perdido uma série de rotinas, de miniprocessos e conhecimentos que já tinham adquirido no 4º ano de escolaridade.

Acrescenta que «é um fenómeno internacional, não é só português», mas já vai tarde para iludir a afirmação disparatada.

Do que está a falar o senhor ministro? De que rotinas, miniprocessos e conhecimentos? De que disciplinas? Com base em que estudos ou elementos de aferição ou avaliação se baseia?

Quem é que lhe soprou a ideia que os conhecimentos de Estudo de Meio, por exemplo, desaparecem entre o 4º e o 7º ano? è a disciploina de HGP que os imprepara para os anseios dos professores de História e Geografia do 3º ciclo?

E em matéria de Ciências da Natureza? Que miniprocessos se perderam? Que rotinas se esfumaram?

E em Inglês?Como é estabelecida a comparação?

Fo que está exactamente Nuno Crato a falar? Até porque confessa que nenhum dos seus filhos passou pelo ensino público em Portugal?

Que estudos internacionais existem a demonstrar algo quando a organização dos ciclos de escolaridade é diferente da nossa?

É que este tipo de conversa é a que se ouve a alguns colegas que leccionam o 3º ciclo e descarregam as suas frustrações para trás, como os do 2º ciclo fazem para o 1º e os do Secundário e Superior.

É conversa da treta, na minha modesta opinião. Apenas isso. Conversa da treta, baseada em “parece” e “acho que”.

Há algum elemento empírico que sustente uma afirmação daquele tipo que apenas lança descrédito sobre todo um ciclo de escolaridade, sem que mais do que um parece que?

Até o eduquês mais fofo procura demonstrar de forma menos imperfeita do que esta.

… e lá mais para a tarde devo ter algum tempo e paciência para voltar ao assunto…

Histórias de professores que somam escolas e quilómetros

Todos os anos chegam a 31 de Agosto sem saber o que lhes vai calhar: a mesma escola, outra a centenas de quilómetros ou o desemprego.

Há mais de 100.000 à vossa frente (e não há mais porque, afinal, há gente satisfeita com a continuação do status quo):

Dirigentes do CDS já cobram promessas ao Governo

Erros no concurso de professores, dois casos e diferentes explicações.

Escola Francisco Torrinha. Grupo de pais pagam as obras de transformação de dois balneários em salas de aula. CONFAP critica a atitude dos pais.

E até concordo Albino Almeida, nem parecia ele, o homem está-se a transformar… espero que não seja numa borboleta…

Ministério da Educação anuncia a extinção das Direcções Regionais.

500 milhões de euros a reduzir no gasto da educação, um dos sectores a sofrer maiores cortes – no ensino básico: encerramento de escolas, fim das ofertas “não essenciais” , revisão dos critérios de mobilidade dos professores, aumento de alunos por turma e despesas do ministério reduzidas. Vítor Gaspar adia os detalhes para o Orçamento de Estado de 2012

Novas regras para as Creches, mais crianças para o mesmo espaço, menos funcionários e despedimentos?

Recolha e comentário do Calimero Sousa, porque eu não quero ter nada a ver com aquele apreciação sobre o Pai da Nação :mrgreen: