Terça-feira, 30 de Agosto, 2011


Cocteau Twins, Heaven or Las Vegas

Não podemos escolher uma terceira via?

Negociações FENPROF, FNE e Ministério da Educação, terceira reunião: o Ministério da Educação mudou de ideias e afinal todos os professores vão ser avaliados. Não há acordo em relação às quotas.  A partir do dia 31 de Agosto haverá uma consulta aos professores. Quem serão os professores avaliadores. A inexistência da observação de aulas para professores contratados.

Pedro Mota Soares, Ministro da Segurança Social, promete mais 20 mil lugares em creches através da alteração da legislação e do aumento do número de crianças por sala.

Let us say before I go any further, that I forgive nobody. I wish them all an atrocious life in the fires of icy hell and in the execrable generations to come.

Samuel Beckett, Malone Dies (recolhida aqui, a partir do Livro Shop Talk de P. Roth)

É sempre gratificante encontrar alguém que, de forma bem clara, já esteve tão indisposto como eu em certos momentos, não necessariamente agora, mas em certos momentos…

  • Os RAA que não sofreram prorrogação de data de entrega. Vamos lá a colocar tudo nas 6 páginas e nada de abusar nas evidências. Fiquem-se apenas pelo óbvio.
  • As colocações de DACL , DCE e contratados, porque acredito que aquela coisa dos três dias é para dar ao pessoal o fim de semana para fazer a trouxa.

Já disponível a lista: Mobilidade 2011_2012. 82 docentes. 12 em que a EPIS é a entidade proponente.

Eu cá acho que se podia avançar já para a não assinatura e sempre se poupava tempo: Posição da FENPROF – Reunião de 29 agosto. A menos que se dê um volte-face hitchcockiano dia 7 de Setembro.

Náááááá…..

“Modelo final de avaliação dos professores começa a ganhar forma”

PS quer taxa adicional de 3,5 por cento no IRC para empresas com lucros acima dos dois milhões de euros

Aposto que não se aplicará da mesma maneira em apurar quem andou a espiar sem qualquer enquadramento legal.

Marques Júnior quer apurar origem de fugas de dados para a imprensa

“Cunha”: afinal, a História repete-se…

          Existe hoje em Portugal uma tendência muito vincada para reconhecer que a crescente autonomia das escolas públicas poderá contribuir para eliminar vários entraves ao progresso nacional. Nesse sentido, argumenta-se que o maior conhecimento da realidade local concreta de cada Escola, por oposição à acção de gabinete dos pedagogos burocratas do Ministério da Educação, centralizado na longínqua e macrocéfala capital, poderá agilizar o processo de resolução dos problemas diagnosticados. Um exemplo prático: cada escola deveria poder contratar directamente os professores que melhor correspondem ao perfil da sua realidade.

          O processo que permitirá às escolas (por agora) públicas contratarem os seus docentes já foi iniciado e dificilmente será parado. Se alguma lição a História nos permite sustentar é que estes processos costumam ser irreversíveis e imparáveis, pelo menos até que as massas percebam ou recordem (amargamente) as suas consequências.

          Ora, sensivelmente a partir da primeira semana de Agosto começaram a ser publicitadas, a nível nacional, na página oficial do Ministério da Educação, vários horários respeitantes aos diversos grupos de recrutamento, cabendo depois directamente às escolas escalonar os candidatos, entre outros, através dos seguintes critérios (que podem mudar de escola para escola): média final da licenciatura, tempo de serviço, idade, ter leccionado no ano anterior na escola em questão (!), conhecimento do território educativo da escola e resultado da entrevista. Importará frisar que os pesos a atribuir a cada um dos itens anteriormente referidos variam, muitas vezes, de oferta para oferta, mas uma percentagem decisiva é quase sempre atribuída ao factor entrevista…

          Salvo raras excepções (que tenderão a desaparecer), caso a caso, os arquitectos do sistema concebem a priori um perfil recheado de pré-requisitos que se encaixam precisamente no candidato que se deseja integrar no sistema (“fato à medida”, como já se lhe chama). Ou seja, em vez de analisar atentamente o currículo dos candidatos, inventariam-se, antecipadamente, um conjunto de condições que apenas um determinado proponente poderá, à partida, reunir! Quem já algum dia concorreu a um lugar (fantasma) numa autarquia conhece muito bem o esquema frequentemente engendrado. Assim, os desejados são habilmente seleccionados, antes sequer de terem movido um dedo para realizar o exame de arremedo ou pronunciado uma palavra sequer durante a famosa entrevista, que, por tão subjectiva e oculta, tudo permite à entidade empregadora. Sempre, obviamente, ao abrigo da legislação, pura e dura. Hipocrisia.

          Vivemos na época dos relativismos. Recorrentemente, ouço dizer que a média da licenciatura, a classificação do estágio pedagógico e o número de dias de serviço não significam muito, pois não representam uma garantia de que o candidato venha a realizar um bom trabalho, sobretudo, subentenda-se, num país onde fazer um bom trabalho equivale, por norma, a aceitar acriticamente tudo o que nos é imposto.

          Na sua poderosa e fundamentada crítica da pedagogia romântica e construtivista, Nuno Crato sustenta que “As mudanças devem ser graduais, experimentadas e avaliadas” (2011, p. 116). O actual Ministro da Educação, o autor do célebre livro O “Eduquês” em discurso directo, que parecia tão preocupado em dar uma lógica de rigor, objectividade e excelência ao ensino em Portugal, prestaria um serviço inestimável ao país se preservasse a lista nacional de professores, que, apesar de tudo, conferia alguma transparência e objectividade ao sistema. Ou, em alternativa, obrigasse as Escolas a contratarem os seus professores de acordo com critérios objectivos e rigorosos, de onde deveriam, naturalmente, constar a média final da licenciatura e o tempo de serviço. Ou até mesmo, neste momento não me escandalizaria minimamente, a realização de um exame, na área específica, por todos os candidatos interessados pelo lugar, mas, naturalmente, elaborado e corrigido por uma comissão externa de cariz nacional, caso contrário, pela nossa mentalidade, todos nós sabemos perfeitamente onde isso iria resvalar. Sempre fui contra a existência de um exame que regulasse a entrada dos novos professores na carreira, pois, devido a motivos economicistas, num contexto de grave crise, é por demais óbvio que não seria a simples admissão num exame deste género que iria permitir a entrada nos quadros da função pública. Além do mais, fundamental mesmo seria intervir a montante, na formação inicial dos professores, junto das Universidades; mas haveria, de facto, força política para mexer com o elo mais forte? Face ao caminho pelo qual neste momento já enveredámos, o exame seria um mal menor. Exigência? Naturalmente! Mas com critérios objectivos, transparentes e rigorosos, para todos os candidatos, sem que existam vencedores antecipados, algo que, neste momento, não acontece com muitas das ofertas colocadas a “concurso”. Não basta dar uma roupagem de legalidade ao sistema, é preciso, de facto, que ele seja legal.

          Mas, bem o sei, a realidade do processo caminhará em sentido inverso. O país do faz-de-conta subsistirá e ontem como hoje, mas também amanhã, a dita “cunha”, o “compadrio” e o “ nacional porreirismo” continuarão a operar milagres, promovendo a incompetência e atirando a ética para as ruas da marginalidade/desemprego.

          O actual Ministro da Educação, aparentemente obcecado em criar uma nova panaceia legislativa que coloque os professores (de escolas vizinhas!) a avaliarem-se uns aos outros, deveria perder algum do seu precioso tempo, abrir a aplicação informática disponibilizada pela Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação e concorrer a um dos horários ali disponibilizados para o seu próprio grupo de recrutamento (Matemática), percorrer o país de lés-a-lés, submeter-se ao faz-de-conta das entrevistas, cujas perguntas parecem, muitas vezes, retiradas de um livro de anedotas, e talvez assim compreendesse melhor a mágoa e revolta daqueles que já leccionam há uma ou duas décadas, concluíram, em vários casos, a sua licenciatura com distinção em universidades públicas, realizaram a sua profissionalização, são anualmente (diria mesmo, diariamente) avaliados, obrigados a abdicar da estabilidade familiar e/ou da própria família, impelidos a saltitar de local para local, permanecer a centenas de quilómetros das suas raízes nativas e, no final, acabarem por sentir-se ultrajados pelos alpinistas do sistema. Talvez assim o senhor Ministro da Educação sentisse na pele os efeitos de um dos mais poderosos entraves ao desenvolvimento deste país. Quiçá, assim, o autor da acutilante crítica à pedagogia romântica e construtivista recordasse as suas próprias palavras e percebesse que há muita matéria aparentemente simples que, se fosse alterada, poderia produzir significativas mudanças, não só no domínio imediato da educação, mas também ao nível do desenvolvimento mais global do país. Mudanças simples e graduais, antes de enveredar pela ânsia das revoluções burocráticas.

          Na sua famosa obra, que, em Junho de 2011, conheceu a sua 12.ª edição, pela Gradiva, Nuno Crato afirma que: “Na realidade, disciplinas tão fundamentais como a literatura, a matemática e a filosofia podem ser essenciais para preparar um jovem para o mercado de trabalho” (p. 68). Sintomaticamente, Nuno Crato não menciona a importância, entre outras, de ciências como a História. Também aqui o processo iniciado, legislativamente, há já alguns anos, parece ser imparável e a fusão das duas ciências (a curto prazo, no Ensino Básico? a médio ou longo prazo, no Ensino Secundário?) estará já a ser detalhadamente delineada no gabinete ministerial. O que, naturalmente, significará, muito em breve, a morte das duas ciências sociais, habilmente condenadas a um vazio curricular particularmente estratégico para quem continua a desejar súbditos incapazes de pensar e, portanto, sempre prontos a conjugar o verbo aceitar.

          Consagrei a minha vida ao ensino de uma ciência social – a História – que está nas origens da nossa matriz de pensamento civilizacional. O conhecimento do passado e a noção da irreversibilidade dos processos, que, neste momento, já se encontram em pleno funcionamento, não podem deixar de provocar-me um profundo sentimento de desânimo, até porque a vida humana, simultaneamente tão complexa e frágil, é também bastante curta, o que nos impossibilita de ver uma luz ao fundo do túnel.

          Infelizmente, o TGV da estupidez nacional parece difícil de ser interrompido.

          Renato Nunes 

Há quem, pelas caixas de comentários onde se discute o fim da isenção de ADD para os docentes nos 8º e 9º escalões da carreira docente (não insistam, não há ninguém no 10º), fale muito em atitudes de inveja.

Será que estão conscientes dos restantes seis pecados mortais? Há o orgulho, a avareza (que eu gosto de chamar ganãncia)…

Também há a ira, a distribuir por todos.

Vamos tentar olhar para as nossas próprias atitudes antes de apontarmos o dedo?

Será legítimo, por exemplosssss…., que quem se afirmou contra os titulares agora queira uma situação de favor ainda maior do que essa, ou que quem colaborou activamente na produção de grelhas para assar em fogo lento os colegas, agora ache enorme dano ter de fazer um relatório de seis páginas de quando em vez?

Estão congelados há anos? Estamos todos! A diferença é que quem estacionou no antigo 10º escalão (actual 9º), estava já no fim do trajecto e agora ainda tem mais um patamar (o índice 370). Já quem estava mais abaixo, passou a ter os patamares maiores (4 anos em vez de 3) e em maior número (nasceram os índices 235 e 272). Também acham isso justo?

Não acham mais correcta uma atitude de mínima solidariedade?

Denúncia chegada por mail, com a devida identificação do remetente:

Caro Professor Paulo Guinote,

(…)

Nos últimos dias têm vindo a público os critérios de selecção das Escolas/Agrupamentos TEIP e Escolas/Agrupamento com contrato de autonomia. Considero que esses critérios não contribuem em nada para a melhoria do desempenho dessas Escolas/Agrupamento, sendo muitos desses critérios de discutível seriedade e legalidade.

No entanto, não quero chamar a atenção para esses critérios, mas para a violação do Decreto-Lei Nº 29/2001 de 3 de Fevereiro (pessoas com deficiência).

Onde consta nas ofertas de Escola/Agrupamento?

“Artigo 3º Quota de emprego”

“Artigo 4º Aviso de abertura do concurso

1 – O aviso de abertura dos concursos externos de ingresso na função pública deve mencionar o número de lugares a preencher por pessoas com deficiência.”

(…)

“Artigo 9º Aplicação a outras formas de recrutamento

O disposto nos artigos anteriores é aplicável, com as necessárias adaptações, aos processos de selecção de pessoal que se destinem à celebração de contratos administrativos de provimento e contratos de trabalho a termo certo.”

Declaro que não sou beneficiário dessa legislação, mas estou cansado da arbitrariedade do sistema e da lei ser letra morta neste país.

Peço-lhe, sem esperança que as coisas se alterem, que divulgue esta situação.

Pode utilizar este email como entender, sem divulgar a minha identidade.

Abraço,

M.

Alcoutim: Câmara reforça apoios a alunos para ajudar famílias com dificuldades financeiras

Ferreira do Zêzere: autarquia ajuda na compra de livros

Trofa: Autarquia oferece manuais escolares

Assunto de que foi sempre sendo feita aqui divulgação:

Admitidas ilegalidades no processo de constituição de agrupamento de escolas do Sátão