Sexta-feira, 26 de Agosto, 2011


Aerosmith, Jaded

Quanto isto chega à fase de eu colocar a bocarra do pai da Arwen é porque a imaginação começa a faltar…

Aquilo das 72 horas era verdade, agora resta buscar se as leis do universo não mudam nem evoluem em tão curto espaço.

GCSE results 2011: ‘These results would compare with any private school in the country’ – video

Despite 29% of students being on free school meals and 65% having English as a second language, pupils at Sacred Heart Roman Catholic school in Camberwell, south London, once again topped the London borough of Southwark’s league tables

The headteacher, Serge Cefai believes the good results are down to the school’s strong emphasis on discipline.

As guerras, as rebeldias, as revoluções, em especial em países com forte tradição autocrática e com fortes clivagens étnicas, artificialmente disfarçadas (como na Jugoslávia) são complicadas, muito complicadas…

Amnistia Internacional denuncia execuções e tortura de prisioneiros na Líbia

As forças de Khadafi executaram vários detidos em dois campos militares em Trípoli usados pela brigada Khamis Katiba, dirigida por um dos filhos e Khadafi, denunciou a Amnistia Internacional. A organização publicou relatos de tortura e maus tratos cometidos pelas duas partes em conflito.

… you can’t always get what you want.

Muitos alunos não conseguiram lugar na escola que queriam

Fuga de alunos do ensino privado para o público aumentou a procura de vagas nos estabelecimentos com melhores classificações nos rankings.

Há muito boas escolas fora dos tops.

Para aferir das características dos frequentadores mais regulares do Umbigo, ainda em período de interrupção lectiva, em matéria de afinidade sindical. Não pretende ser mais do que uma amostra da tendência de quem passa por este blogue. Na opção Fenprof é óbvio que devem votar tanto os da corrente ortodoxa (direcção da própria, do SPRC, SPZS, etc), quer da mais heterodoxa (direcção do SPGL e SPN). As opções são apenas estas, estão por ordem alfabética e prontos.

Carlos Abreu Amorim, alguém por quem tenho admiração quanto à forma como defende as suas opiniões e muitas vezes pelo próprio conteúdo, tem hoje no Sol um par de declarações que entram na quota dos disparates que se podem dizer na silly season:

A saber:

Jardim é o político mais injustiçado de Portugal

A Madeira tem sido bem governada ao contrário do país

Isto só se explica por muito sol na moleirinha ou por um qualquer indeterminado factor desvinculante e incapacitante do raciocínio.

ou então foi um vírus par(a)lamentar.

Dos brandos costumes à banalização do mal

         Nos últimos anos, nebulosas luminárias inscreveram no espírito dos portugueses duas espantosas teorias: todos somos responsáveis pela crise; e Portugal é um país de brandos costumes.

         Ora, permitam-me aqui discordar de ambas.

         A primeira generalização, engendrada por certos políticos e opinantes encartados dos nossos media, é imoral. Alguém no seu perfeito juízo pode admitir que um cidadão que cumpra escrupulosamente os seus deveres cívicos tenha agora de partilhar a responsabilidade da crise e do actual destino trágico de Portugal com aqueles que, pelo menos nos últimos 20 anos, desempenharam mediocremente (leia-se: através de uma ardilosa «navegação de cabotagem») funções de comando na vida política, económica e financeira do país? Alguém acredita que todo e qualquer cidadão que respeite as leis da República, seja um trabalhador empenhado e competente, viva do seu módico salário, pague os seus impostos escrupulosamente, não tenha contraído qualquer empréstimo bancário, ou então que salde religiosamente a mensalidade do seu empréstimo pela compra da sua casa ou carro possa também ser agora culpado pela depressão e falência nacional?

         A segunda teoria, fabricada pela propaganda do Estado Novo autoritário, que instituiu a censura e a repressão, não é menos risível. Não será preciso recuar ao tempo áureo dos aterrorizadores autos de fé da Inquisição (séculos XVI a XVIII) para a rebater. Quem tiver conhecimentos elementares sobre História Contemporânea do país saberá, certamente, que os portugueses viveram no século XIX duas sangrentas guerras civis (1828-34 e 1846-47). Que, entre 1908 e 1921, foram aqui assassinados um rei (D. Carlos), um príncipe (D. Luís Filipe), um presidente da República (Sidónio Pais), e barbaramente executados um primeiro-ministro e dois aclamados «heróis» da Primeira República (António Granjo, António Machado Santos e José Carlos da Maia). Que entre 1910 e 1926, o país foi fustigado por sucessivas revoluções, golpes militares, motins e rebeliões, os quais, em bom rigor, perpetuaram a violenta desordem oitocentista e provocaram centenas de mortos e feridos.

         A propagação destas duas falaciosas teorias visa inculcar nas massas sociais mais proletárias e nas classes médias — invariavelmente, as grandes vítimas da inépcia prospectiva e/ou do oportunismo pragmático dos sempre anafados e inimputáveis ministros, secretários de Estado e directores-gerais que nos governaram (e se governaram) — um complexo de culpa piedoso e recriminatório. Mais: estes mitos coevos pretendem, enfim, inculcar nos mais desventurados portugueses a peregrina ideia de que a sua histórica brandura fleumática associada ao seu nobre sentido cívico os impedirá de reagir com violência aos sacrifícios ainda mais insuportáveis que os esperam.

         E o que pode, afinal, esperar essa massa popular desempregada ou coagida a trabalhar mais horas com piores remunerações e precários direitos laborais, imoralmente taxada pelo fisco, espoliada nos seus salários, sem esperança de reforma, com acesso mais incomportável à saúde e a todos os bens essenciais do quotidiano? O purgatório — esse limbo fétido e ultrajante que, como aconteceu na Europa dos anos 20 e, sobretudo, após a Grande Depressão de 1929, serviu de incubação para a descida ao inferno: leia-se, o triunfo do nazismo e de outros totalitarismos, a eclosão da II Guerra Mundial e a execução da «solução final». Esse habitat derradeiro, onde, outrora, emergiu a «banalização do mal» que a politóloga judia Hanna Arendt tão bem demonstrou nos títulos As Origens do Totalitarismo (1951) ou Eichmann em Jerusalém (1963), e, mais recentemente, Jonathan Littell ficcionou, de forma tão brutal quanto genial, no livro As Benevolentes (2006).

         Na entrada do campo de concentração de Auschwitz, onde judeus e outros prisioneiros eram escravizados, gaseados e cremados, lia-se: «O trabalho liberta». Ora, antes que o tempo e o modo desta cínica máxima atormentem o corpo e a alma dos digníssimos leitores, sugiro-lhes a leitura pedagógica das obras atrás mencionadas. E, presunçosamente, sugiro também este exercício cívico aos nossos irmãos humanos apparatchiks (termo que se aplicava aos diligentes funcionários comunistas na ex-URSS) do neoliberalismo e coveiros da já defunta democracia social europeia, mais a sua horda de kapos (eram os prisioneiros seleccionados dentro dos campos de concentração nazis para fiscalizar os outros reclusos) zeladores do satus quo.

         Suponho que as boas leituras podem constituir uma das melhores panaceias contra a ignorância ou o esquecimento. Deviam mesmo constituir uma boa ferramenta de sensibilização e combate contra este mundo liberal ameaçador mas celestial, mega-burocrático mas desregulado, ultra-tecnológico mas inumano, desigual mas mais desprovido de serviços públicos fundamentais, propagandeado por uma garbosa nomenclatura linguística, onde emergem amiúde palavras ocas, como «empreendedorismo» e «excelência».

         Oxalá que os homens alterem a rota do presente, para que o devir da humanidade não termine num outro «Holocausto».

Luís Filipe Torgal

Entrevista de Mário Nogueira ao DN. Estou expectante quanto ao rumo da luta.

Versão original, com os 3800 caracteres solicitados inicialmente, do texto hoje publicado no Sol:

Está um novo ano lectivo para começar e continuamos enredados, no que à Educação Não-Superior diz respeito, no novelo infindável da avaliação do desempenho docente (ADD).

As peripécias anteriores são conhecidas, assim como as posições pré-eleitorais dos protagonistas que formam a actual coligação governamental. O modelo foi adjectivado de forma generosamente depreciativa por todos, de deputados de ontem e hoje ao actual primeiro-ministro quando ainda era candidato. Do actual MEC ouviram-se declarações menos vigorosas a este respeito, mas são conhecidas as suas opiniões firmes contra uma cultura de facilitismo e favoráveis a uma prática de rigor visando a excelência nos mais variados aspectos da Educação.

Ganhas as eleições por tão vocais críticos da ADD, esperou-se que o novo Governo assumisse as posições anteriores. Ilusão rapidamente desfeita, com argumentos fracos, esgrimidos por figuras de segunda ordem da nova situação. Entre os destroços ficou apenas a promessa de um novo modelo, o que fez manter alguma esperança, em especial entre os que acreditavam que o novo ministro optaria por uma solução de rigor e que rasgasse com as más práticas detectadas e denunciadas.

Surpresa das surpresas, após vagos sete princípios anunciados com pompa desnecessária, surgiu, quando uma noite de Verão já ia avançada, aquilo que se esperava ser uma proposta que surpreendesse pelas razões certas. Só que, pelo contrário, surpreendeu pelas razões erradas, pois apenas se descobriu a terceira simplificação do modelo existente, o que fora sucessivamente remendado por se revelar inaplicável em diversos aspectos, injusto em outros e incoerente no seu todo.

Como novidades a proposta do MEC trouxe apenas o alargamento dos ciclos avaliativos, a instituição como regra dos avaliadores externos (que antes era opção) e a isenção de avaliação para os docentes posicionados nos escalões mais elevados da carreira.

Tudo o resto revela continuidade com o passado, apenas simplificando ou renomeando: os objectivos individuais passam a ser designados como projecto docente, as aulas assistidas permanecem para os professores de dois escalões da carreira, mas apenas num ano do ciclo avaliativo, as quotas não desaparecem, assim como não desaparece a possibilidade de cada escola definir um conjunto próprio de parâmetros para a avaliação, gerando situações de manifesta injustiça. O relatório de autoavaliação bianual que deveria ter seis páginas passou a ser anual e a ter três. Quando se lê parece brincadeira mas, infelizmente, não é.

O modelo ficou mais simples, é certo, mas isso apenas reforçou a artificialidade do que já só era um simulacro de avaliação de desempenho.

Se há algo oposto à imagem que tínhamos de Nuno Crato, investigador e analista crítico da Educação, é este modelo de ADD. É um modelo injusto (porque isenta muitos professores de qualquer avaliação), facilitista (porque reduz a avaliação em vários escalões a meros relatórios anuais) e economicista (porque o que interessa é estrangular o acesso à metade superior da escala salarial e reduzir encargos com a própria ADD).

Do lado dos sindicatos as reacções foram as esperadas:

Ø      Não há nada nesta proposta que impeça um entendimento ou acordo com a FNE. Afinal, o governo é do PSD.

Ø      Não há nada nesta proposta que possa levar a um entendimento ou acordo com a Fenprof, embora seja quase igual ao que levou aos sorrisos de 8 de Janeiro de 2010. Afinal, o governo é do PSD.

Ø      Não há nada nesta proposta que torne relevante um entendimento ou acordo com qualquer outra pequena organização sindical.

Até parece que demos quase um salto no tempo e voltámos décadas atrás em coreografia negocial. Em boa verdade, poder-se-ia já passar, sem danos, para a última ronda negocial, na qual se acertam as vírgulas e a ordem das (não) assinaturas.

… com a conversa de blogue,  o que lhe interessa é a luta (desde que faça uma pausa em Agosto), mesmo as que não travou ou aquelas a que chegou com muito atraso.

Na página 15 do DN (penso que a peça não tem link) é possível avaliar, pelas entrelinhas e não só, o quanto os representantes se irritam com a maralha, a arraia-miúda, que mantém certos assuntos em discussão, sem calendarização formatada e concertação com estratégias mais abrangentes.

Os blogues chateiam-no, alguns pelo menos. Longe vai o tempo em que pedia para pedirem. Ou sugeria para sugerirem. Não interessa agora recordar os tempos em que chegaram a pensar que poderiam conquistar pela sedução os recantos desalinhados. Agora é mesmo pela intimidação e, como se vê por alguns comentadores, pela pura provocação.

Colega Mário Nogueira, não se irrite connosco, a malta dos bloguezecos. Comigo já é habitual, não é novidade, já me habituei. Recordemos as reuniões em que eu era tratado não pelo nome mas por aquele fdp por alguns camaradas seus, teoricamente meus colegas de profissão. Nunca tratei assim, nem tratarei, essas pessoas. Sabemos que é verdade. Convivemos pouco, mas quem me conhece sabe que o palavrão não é, para mim, uma arma ou uma forma de expressão habitual.

Agora mais a sério, tente estabelecer um novo pacto de pacificação e silêncio, como em 2010, com os parceiros. Já percebi que a FNE também concordará. Deixe os homens de mão vir aqui difamar, inventar coisas que nunca escrevi, incomodar família e amigos com insinuações como Santos&Vargas (com outras criaturas na sombra) fizeram e fazem quase todos os dias. Coisa que nunca fiz, como é sabido e pode ser testemunhado.

Não se irrite, repito, aproveite para desfrutar o resto das férias, o sol na pele, se possível sem areia na virilha.

Não evoque é lutas inexistentes (contra os megagrupamentos), conquistas negociais virtuais (quanto aos horários zero) ou números aleatórios (os potenciais 10.000 horários que se perderiam com os megagrupamentos que não avançaram).

Aproveite para recolher umas ideias, uns materiais para análise, uns números interessantes (como os que o Arlindo tem divulgado) e não se amofine tanto.

Faz-lhe mal. Fica-lhe mal. Até porque nunca o vimos assim tão irritado com a equipa anterior do ME.

Agora que a coreografia e os tangos nunca mais poderão ser os mesmos, enquanto os chatos andarem por aqui, lá iso é verdade…

Temos pena. Mas não muita…