O Arlindo (aqui, aqui e aqui) e o Ricardo (aqui, aqui, aqui, aqui) chamam a atenção para as distorções e perversidades desta nova forma – que acaba por ser velha, apenas cobrindo os atropelos de outrora com uma roupagem nova – de encarar os concursos de colocação de professores.

No fundo, há escolas e agrupamentos que apresentam 50 (!!!) ou mais horários como necessidades transitórias, enquanto em outros caos, as ofertas de escola apresentam critérios feitos à medida de alguns candidatos.

Depois de uma tentativa (frustrada) para moralizar, dando transparência justiça e equidade aos concursos na primeira metade da década anterior, agora optou-se pela sua completa desregulação, completando o trabalho iniciado no mandato de Maria de Lurdes Rodrigues, tudo sob o manto acolhedor do chavão-autonomia.

Vamos à verdade dos factos, atribuindo claramente a responsabilidade dos desmandos a quem os pratica, ou seja, o ME(C) por criar regras que permitem imensas arbitrariedades e por alguns dos seus serviços se especializarem numa hiper-regulamentação que só baralha e justifica tudo e o seu contrário, mas também as escolas e os seus órgãos de gestão, por se vergarem a todo o vento que sopra ou, em alternativa, por aproveitarem a confusão para voltarem a praticar os velhos compadrios dos tempos dos horários na gaveta para os miniconcursos, entre outras habilidades.

O que agora se vê é que muitas escolas e agrupamentos não aproveitaram o concurso nacional de 2009 para adequar devidamente os seus quadros, não abrindo vagas em muitas situações com receio de quem pudesse aparecer (era o tempo dos titulares, muita gente receou que aparecesse quem fizesse sombra) ou por incompetência na projecção das necessidades.

Por outro lado, em virtude das novas regras da chamada oferta de escola, nos TEIP mas não só, surgem critérios em que só falta mesmo colocar as medidas em fato de banho e o nº de BI dos candidatos que se querem contratar.

Se é este o modelo do futuro que pretendem institucionalizar, o dos numerosos DACL que o não deviam ser, enquanto se abrem horários depois para quem calhar, ou dos contratados feitos à medida das obediências?

Podem sempre dizer que é mesmo assim, que é a autonomia, que isto permite ter corpos docentes mais identificados com a iluminação das direcções.

Mas é um certo nojo, agora que ainda está em autoavaliação a dimensão profissional, social e ética dos professores. Será por isso que vai desaparecer? Porque de ético e deontológico isto nada tem?