Quinta-feira, 25 de Agosto, 2011


The Avalanches, Frontier Psychiatrist

A necessidade de cortar para encaixar. Amanhã, artigo de opinião no semanário Sol:

ADD: Um Simulacro de Existência

Publicarei por aqui, em devido tempo, a versão mais adjectivada e menos depurada.

Cá é exactamente ao contrário em termos socioeconómicos, mas é a beleza dos paradoxos:

Terry Moe, Schools, Vouchers, and the American Public, pp. 2-3.

Tirando umas picadelas, uns ecos, coisa pouca, o(s) Reitor(es) anda(ão) muito calado(s) com o desempenho do PSD em matéria de Educação. Estará(ão) de acordo com o simplex 3? Ou embaraçados?

Esta é mesmo uma muito private joke. Confesso, há muito tempo que não ouvia alguém rir-se tanto com um disparate daqueles que me saem de vez em quando.

R-E-S-P-E-C-T.

Interessa, porque os cotas pagam mais do que os outros na nossa colectividade.

… conseguido hoje pela POMPA (Plataforma Organizativa dos Melões Portugueses e Aparentados), após duras negociações com a TRETA (Tendência Renovadora e Estrumada da Terra Agrícola): a partir da próxima temporada, os melões passarão a crescer sobre a terra e não debaixo dela, numa estratégia que visa a dignificação desta variedade de cucurbitáceas, tão maltratada durante os últimos anos em que as negociações com a ECA (Entidade Colectiva Agrícola) não obtiveram os resultados desejados.

Faz sentido “isentar” da avaliação parte dos professores ?

Contra e a favor, como convém, quando se quer conhecer qualquer coisa.

 

Ontem, no rescaldo do encontro MEC/Fenprof, a Lusa difundiu uma noticia em que se dava conta de um acordo sobre os professores com horário zero.

Até hoje de manhã quase todos os jornais online inseriram a notícia (e alguns na edição em papel), sem verificarem se os factos correspondiam a alguma novidade, se efectivamente algo de novo tinha acontecido ou se era apenas a aplicação dos normativos legais em vigor.

Ok, fica para alguns blogues não servirem de mero eco e fazerem a análise crítica das coisas.

Encontra-se já em decreto-lei retro-prospectivo, o 51/2009 de 27 de Fevereiro:

Artigo 43.º
Procedimento
1 — Para efeitos de colocação por ausência da componente lectiva, podem os docentes indicar as suas preferências de acordo com o disposto no artigo 12.º
2 — Na ausência de horários nas preferências manifestadas, a colocação dos docentes dos quadros de agrupamento de escolas ou escola não agrupada efectua -se para a área do concelho do lugar de origem ou de colocação, sendo que se o lugar de origem ou de colocação do docente se situar nas áreas dos concelhos de Lisboa e do Porto ou na área dos concelhos enunciados no número seguinte a colocação faz -se para lugares neles situados, independentemente do acordo do interessado.
3 — Para efeitos do número anterior, consideram-se, relativamente a Lisboa, os concelhos de Amadora, Odivelas, Vila Franca de Xira, Loures, Cascais, Sintra, Oeiras, Almada, Seixal, Barreiro, Montijo e Alcochete e, relativamente ao Porto, os de Matosinhos, Maia, Gondomar, Valongo e Vila Nova de Gaia.

Esta curiosa confluência na propagação de uma mentira por parte do MEC e de alguns sindicatos muito representativos traz água no bico.

O Arlindo (aqui, aqui e aqui) e o Ricardo (aqui, aqui, aqui, aqui) chamam a atenção para as distorções e perversidades desta nova forma – que acaba por ser velha, apenas cobrindo os atropelos de outrora com uma roupagem nova – de encarar os concursos de colocação de professores.

No fundo, há escolas e agrupamentos que apresentam 50 (!!!) ou mais horários como necessidades transitórias, enquanto em outros caos, as ofertas de escola apresentam critérios feitos à medida de alguns candidatos.

Depois de uma tentativa (frustrada) para moralizar, dando transparência justiça e equidade aos concursos na primeira metade da década anterior, agora optou-se pela sua completa desregulação, completando o trabalho iniciado no mandato de Maria de Lurdes Rodrigues, tudo sob o manto acolhedor do chavão-autonomia.

Vamos à verdade dos factos, atribuindo claramente a responsabilidade dos desmandos a quem os pratica, ou seja, o ME(C) por criar regras que permitem imensas arbitrariedades e por alguns dos seus serviços se especializarem numa hiper-regulamentação que só baralha e justifica tudo e o seu contrário, mas também as escolas e os seus órgãos de gestão, por se vergarem a todo o vento que sopra ou, em alternativa, por aproveitarem a confusão para voltarem a praticar os velhos compadrios dos tempos dos horários na gaveta para os miniconcursos, entre outras habilidades.

O que agora se vê é que muitas escolas e agrupamentos não aproveitaram o concurso nacional de 2009 para adequar devidamente os seus quadros, não abrindo vagas em muitas situações com receio de quem pudesse aparecer (era o tempo dos titulares, muita gente receou que aparecesse quem fizesse sombra) ou por incompetência na projecção das necessidades.

Por outro lado, em virtude das novas regras da chamada oferta de escola, nos TEIP mas não só, surgem critérios em que só falta mesmo colocar as medidas em fato de banho e o nº de BI dos candidatos que se querem contratar.

Se é este o modelo do futuro que pretendem institucionalizar, o dos numerosos DACL que o não deviam ser, enquanto se abrem horários depois para quem calhar, ou dos contratados feitos à medida das obediências?

Podem sempre dizer que é mesmo assim, que é a autonomia, que isto permite ter corpos docentes mais identificados com a iluminação das direcções.

Mas é um certo nojo, agora que ainda está em autoavaliação a dimensão profissional, social e ética dos professores. Será por isso que vai desaparecer? Porque de ético e deontológico isto nada tem?

Governo e Fenprof chegam a acordo sobre docentes com horário zero

Verdade se diga que no nosso país isso é sempre uma enorme conquista negocial. Não percebo é de quem será que parte esta vontade de revelar um acordo que mais não é do que a aplicação da legislação em vigor.

É verdade que isto convém às duas partes: do lado do MEC parece que se conseguiu arrancar um acordo à Fenprof. Do lado da Fenprof parece que se conseguiu arrancar uma cedência ao MEC.

É como a história do cego e do paralítico.