Segunda-feira, 22 de Agosto, 2011


Groove Armada, At the River

Há por aí muita saudade partilhada.

Um aluno em topo de carreira obrigatória ficará dispensado de exames nacionais?

Todos e todas ao Rossio no dia 10 de Setembro!

Não ao maior despedimento da história do ensino

É o que dá ler mais do que o necessário e arranjar ideias onde menos se espera. Ao ler interessante sobre o tema dos vouchers deparei como aquilo que ficou conhecido como a GI Bill for Children do período final do pai Bush na presidência americana. No fundo, era a aplicação de um sistema de cheques-ensino, mas apenas para famílias de rendimentos baixos ou medianos.

Uma espécie de percursor dos targeted vouchers, ou seja, um sistema em que a medida visa beneficiar especificamente os grupos mais necessitados (aqui, um estudo sobre a aplicação do sistema na Colômbia) e não providenciar uma medida universal para todos os que desejam escolher a sua escola, independentemente dos seus rendimentos.

No fundo é a mesma lógica que leva alguns pensadores a defender taxas moderadoras diferenciadas conforme os rendimentos.

Resta saber se os liberais nacionais concordariam com este tipo de liberdade de escolha, em que se direcciona o apoio para quem dele necessita em termos materiais e não de forma indiscriminada.

Não vi, mas consta que o líder da Fenprof decidiu, por fim, expressar-se de forma clara contra a isenção de avaliação para os docentes do 8º e 9º escalão. Parece que deu numa televisão perto de nós e eu não vi.

Estando nós oficialmente em período de pousio (quando dei a entender outra coisa ia sendo degolado) e não tendo eu dado por qualquer consulta aos professores, conforme prometido pelo mesmo Mário Nogueira quando se recusou inicialmente a negociar em Agosto, fico sem saber porque aparece agora esta posição com tal firmeza, quando antes tudo eram nuances e expectativas. Verdadeiras ou estratégicas.

Não sei se será com a mesma firmeza outrora demonstrada contra as quotas que, em Janeiro de 2010, foram aceites em sede de negociação da revisão do ECD.

Portanto, por um lado fico satisfeito por saber que a Fenprof  está a ir num sentido que, há uns dias, parecia menos definido. Mas, por outro, fico sem perceber em que instâncias e através de que método se chegou a esta decisão (boa) e se esse mesmo método será usado para tomar outras (boas, menos boas, péssimas, tudo depende) decisões em relação às negociações. Como em Abril de 2008 e Janeiro de 2010.

Não sou sindicalizado em qualquer sindicato. Mas há uns largos milhares que são. Dezenas de milhar, pela última vez que se contaram as fisgas. E acho que, se foi usado o argumento da sua consulta, então deveria ser colocado em prática. Sem reuniões teleguiadas com guiões previamente definidos e moção única a votação.

Eu prometo que não apareço em nenhuma. Não quero que nenhum se sinta incomodado e obrigado a convidar-me sair da dita.

Para culminar o regresso ao passado de tudo isto, temos agora a percepção de que a ADD se tornou uma nova área de negócio para alguns interesses instalados.

Se no caso das editoras especializadas, se compreende a mercância (a rimar com ganância), já no caso de outras organizações é algo problemático que se opte pelo argumento do mercado para justificar o que, do ponto de vista ético e deontológico, há muito é uma zona nebulosa da acção dos sindicatos.

Lê-se João Dias da Silva no DN, acerca da possibilidade da FNE (via ISET) facultar formação para avaliadores das aulas assistidas e não se quer acreditar:

O mercado é livre e cada um poderá escolher a instituição que preferir. (…) O que a FNE deseja não é dar mais trabalho ao instituto, é que as pessoas tenham formação.

Bollocks, lá diria qualquer moderado herdeiro do punk.

Não é recente, não é de agora, que de uma forma legítima do ponto de vista das leis em vigor os sindicatos criem organismos deles dependentes para fornecer formação aos seus associados e a outros clientes interessados. Nos anos 90 esta prática generalizou-se, oleada com verbas comunitárias. Foi ver os planos de formação de centros dependentes dos mais variados sindicatos e os formadores que lá se abastaram anos a fio, dando muitas vezes formação quando tinham isenção de horário por serem dirigentes sindicais. Isso e um amiguismo evidente ao olhar de todos no recrutamento dos formadores bem remunerados, sendo ainda maior do que o que se instalou nos centros de formação ligados ao ME e às escolas.

Não vale a pena dizer que não sabemos. Foi assim que a formação contínua se deformou, enquanto engordava. Para bem-estar de todos os actores em presença com uma voz activa. Os governos compraram uma paz sindical assinalável, rompida apenas por aqueles tangos anuais em torno das negociações salariais e respectivas greves e batucadas à porta do ME para TV ver.

Se nos acomodámos? Sim. Acomodámo-nos todos ou quase todos. A vida corria fácil e ninguém, ou quase ninguém, desalinhava de um arranjo que a todos convinha.

Só que os tempos mudaram, os dinheiros encurtaram e o ambiente entre o poder político, os sindicatos e a classe docente mudou radicalmente durante uma mão-cheia de anos.

É impossível fingir que nada se passou e que podemos voltar ao que foi, sem que se aponte claramente o dedo a quem pretender ganhar algo com aquilo de que diz discordar e ser mau para is seus representantes.

Se algum sindicato – com o cinismo e oportunismo mais hipócrita – quer financiar-se à custa da formação de avaliadores no âmbito desta ADD, é bom que o assuma, sem argumentos da treta.

Se algum sindicato que isso fizer, a acrescentar ao acto, ainda tenha no currículo a assinatura de um acordo com o MEC sobre a matéria, ainda maior deverá ser a dose de alcatrão a distribuir pelos seus responsáveis e formadores.

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