Segunda-feira, 15 de Agosto, 2011


Bananarama, Cruel Summer

Como diz o Calimero, assim não faço amigos em lado nenhum.

😳

Têm razão os que protestam por a ADD estar a centrar a discussão em termos de Educação Não-Superior.

Mas…

Em tempos, quando se discutia, ou tentava discutir, outro tipo de assuntos, achava-se que a ADD é que envenenava tudo e a divisão na carreira e tal e coiso. A divisão terminou (mais ou menos), ficou a ADD. Discutir-se a gestão escolar? Náááá… isso é muito abstracto. Discutir-se a legislação que ia saindo? Népias, que ser professor não é isso. Discutir a reforma curricular? Só se não cortarem na minha disciplina. E por aí fora.

Os contratados têm toda a razão. Foram e são carne para canhão. Tenho mais de uma década de contratado, sei o que passei, nem sequer havia subsídio de desemprego. Mais de 10 miniconcursos, ali na fila, sem poder concorrer pela net, sentadinho. Professor do quadro aos 40, que proeza, mais um bocadinho e nem carecia de avaliação. Todos passámos por muita coisa.

Os contratados foram as cobaias da ADD a contar para a graduação profissional? Pois foram. São o elo mais fraco? Pois são. Sempre aqui disse que a luta não era, em primeiro lugar, deles. Que se deveriam resguardar. Estavam demasiado vulneráveis.

O desemprego vai atingi-los brutalmente’? Vai, sim senhor. Têm razão. O que podemos discutir acerca disso? Vamos colocar-nos, como alguns, a clamar contra as políticas globais neoliberais e a chamar nomes a este e ao outro? Isso resolve exactamente o quê? Resolveu alguma coisa no passado? Ninguém aprendeu nada com a forma como o pessoal de EVT conseguiu defender os seus direitos?

Pensem nisso.

Mas também podemos falar de outras coisas importantes, se calhar muito mais, para a vida quotidiana de todos, de contratados a professores com contrato por tempo indeterminado (adeus velhos efectivos).

Podemos falar dos purgatórios e pequenos ou grandes infernos em que se transformou o quotidiano em muitas escolas. Não apenas por culpa da tutela ou dos alunos. Também de nós próprios e daqueles que nos cercam, alguns com poder de mando.

Será esta a altura para tocar em certas podridões a céu aberto?

Os joguinhos, os esquemas, os favores, os clientelismos, as protecções, as pressões, as chantagens a coberto ou descoberto? Os silêncios cómodos ou incomodados? Os vira-casaquismos? As adesivagens ziguezagueantes? A mesquinhez que nos entra pelos olhos dentro, depois pela pele até quase querer tomar conta de nós e que há uns tempos se transformava em mal-estar docente nas teses das Ciências da Educação e agora é stress ou burnout e depressões ao entrar dos quarenta ou antes, maleitas diversas sem cura previsível, um desânimo generalizado?

Se quiserem discutir essas matérias, pessoalmente mais dolorosas para muita gente do que ba ADD, tenho o maior gosto e prazer em fazê-lo.

Mas vai doer. Porque há muita coisa feia por aí, mal escondida e por vezes às escancaras e muita outra coisa que nos entristece, de tão deprimente.

Vai doer muito.

Ficção no feminino e não-ficção sobre o feminino. E qualquer dos casos, coisas pouco simples.

… por sermos assim. Podes sempre ir para uma ESE formar professores e ensinar-lhes a serem bem educados, asseados e respeitadores da Autoridade, quando a cor é certa. Se mais como tu o tivessem feito nos últimos 25 anos, quanto teria ganho a Educação Nacional. Pena que tenhas feito outra coisa.

.

Portanto: só posso criticar pessoal nascido depois de 25 de Março de 1965. E vou ter de ir buscar os meus pais ao caixão para os reprovar pela educação que (não) me deram. E, de caminho, criticar a formação que a FCSH da Nova e a FPCE da UL me deram.

Só falta argumentar que não se deve criticar quem ganha mais. Em tempos ganhei um pouco mais de 1500 euros limpos, agora é menos.

Mas como o governo não é do PS, nem de Esquerda, devo calar-me.

A luta dos professores, também para o Ramiro, foi apenas um meio útil para atingir um fim. Alcançado, tropa para os quartéis.

Em que parte da Ética de Aristóteles é que surgem estes ensinamentos?

E qual po capítulo em que se ensina a não ter a coragem de ser frontal nas críticas e funcionar com chuveirinho, enlameando todos, ao não especificar de quem se fala?

O argumento ad hominem é muito mais justo do que atirar para cima de todos os opóbrios, reservando apenas para si mesmo a virtude. O Ramiro já assumiu a paternidade da maioria desta ADD, depois recuou, agora avança de novo. Em que ponto estará daqui a 3 nanossegundos?

É tão evidente que nem sequer vou desenvolver muito a contra-argumentação.

O ministro reconheceu que existem entre 20 a 40 mil professores que não vão ser avaliados.

Questionado sobre porque é que os professores mais velhos vão ficar de fora do processo de avaliação, Nuno Crato disse que considera que é sobre os outros, que estão a iniciar ou no meio da carreira, que é necessário fazer a avaliação.

Só dois detalhes: há quem entre formalmente na carreira, já com 10 anos de exercício ou ainda mais; entre quem está no topo de carreira e quem está a meio dela haveria muito a dizer como à forma como foi feita a sua formação e tudo o mais.

Repito: não é nada comigo, pois a proposta contempla a obrigatoriedade de aulas apenas para os 2º e 4º escalão (estou naquele mini-escalão da treta, o 5º, criado só para empatar). Não posso é aceitar que se apresente como natural algo que não o é.

E que é: ausência de avaliação – qualquer avaliação – para um terço ou um quarto dos docentes. Só porque?

Há quem goste de fazer comparações com outras profissões, a começar pelos médicos. Certamente é por falta de conhecimento que o dirão, pois nas especialidades mais complicadas o trabalho é cooperativo ou pelo menos colaborativo (vários médicos colaboram na mesma operação ou consultam-se em casos mais complicados) e não é raro que até médicos mais jovens assistam à prática dos médicos mais experientes, para assim aprenderem.

Página seguinte »