Hoje é a vez de Maria Filomena Mónica no DN, no balanço dos 50 dias do Governo. Eis a base do seu argumento a favor das quotas na avaliação dos professores, que ela recomenda a Nuno Crato: não é por serem funcionários públicos é porque existe a Curva de Gauss.

Vou tentar ser o mais elegante que consigo perante esta asneira:

  • A Curva de Gauss é um modelo idealizado de distribuição de um dado tipo de fenómenos. Não é a própria realidade e não se pode aplicar a todas as distribuições (por exemplo, temperaturas ao longo do ano, de um mês). A sua utilização abusiva em fenómenos de tipo social e cultural é conhecida.
  • A Curva de Gauss só ganha maior valor operatório quando o número de ocorrências verificadas é bastante elevado. Qualquer definição de Curva de Gauss ou de Bell Curve, incorpora esse detalhe que não é um pormenor.

O que MFM descompreende é que aplicar a dita curvinha em universos de 5, 10, 20 professores, como acontece actualmente com a ADD aplicada a grupos dentro de cada escola, é um rematado disparate. Se o universo global dos 140.000 professores pode – mas repito que apenas em termos teóricos – dar origem a uma distribuição do desempenho (de acordo com que padrões?) em forma de curva de Gauss, isso não é válido para micro-grupos de ocorrências.

Já agora, nunca me passou pela cabeça aplicar a Curva de Gauss ao desempenho dos meus alunos, nem mesmo a turmas com mais de 20 elementos. Se o tivesse feito este ano, teria cometido diversas injustiças.

Temo sinceramente pelos alunos de MFMónica no passado, se ela está assim tão convencida que a Curva de Gauss regula o valor do desempenho das pessoas em pequenos grupos.