É verdade que se diz que há muitos sindicatos de docentes. Mas agora temos um fenómeno novo que o associativismo de dirigentes escolares. Para representar poucos milhares de dirigentes (menos se contabilizarmos apenas os directores propriamente ditos) há duas associações (ANDE e ANDAEP) e um conselho promovido pela tutela (Conselho de Escolas).

O que significa que existem três vozes só para os dirigentes escolares: Manuel António Pereira (ANDE), Adalmiro Fonseca (ANDAEP) e Manuel Esperança (Conselho de Escolas).

O primeiro deles tem hoje uma entrevista publicada no Expresso onde oscila entre o diagnóstico correcto de muitas das perturbações que afectam a vida das escolas (necessidade de envolver mais os EE, intromissão excessiva do ME em algumas questões, indicações contraditórias para o arranque do ano lectivo) e a reivindicação microcorporativa (mais autonomia em poderes para os directores, algo que todos repetem), não esquecendo as análises incompletas (a avaliação por professores de outras escolas é possível e o próprio explica como – com meios financeiros e crédito horário).

Como é Verão, destaco apenas um outro aspecto, que é aquele com que finaliza a entrevista: diz Manuel António Pereira que “os alunos não vão buscar nada à escola que não haja em casa. A escola tem de competir com a Internet, a Playstaion, tudo e mais alguma coisa que eles têm”.

Evitando outras questões aqui levantadas (nem todos têm isso em casa), diria que os alunos não têm casa algo essencial: os professores.

E, custa-me ter de o relembrar isto a um colega (suponho que ainda se considere professor), nunca devemos esquecer que são os PROFESSORES quem faz a diferença entre a escola e a casa e são o valor acrescentado que aquela apresenta sobre toda a diversão que eles possam ter algures.

Se os professores têm de se tornar mais atractivos para que os alunos se interessem?

Se os deixarem ser PROFESSORES na verdadeira e mais completa acepção do termo e da missão/função, a Playstation só aguenta os primeiros embates.

Expresso, 6 de Agosto de 2011