Vamos lá a ver se nos entendemos… o programa de Matemática  do Básico é novo, tem um par de anos, mas pronto… pode-se achar que precisa de retoques, só que o de Português, para o bem e mal (e eu nem gosto muito dele) é novinho em folha e andamos há dois anos a tentar preparar a sua aplicação que deve acontecer agora em Setembro, tendo sido escolhidos novos manuais e tudo.

O ministro quer que seja reformulado quando e em que termos? Antes de ser aplicado?

Note-se que desgosto do novo programa, pois é herdeiro da da TLEBS e é um programa de uma facção dos estudos linguísticos mas – raios! – ainda nem o aplicámos e foram teoricamente adoptados manuais para 4 anos.

O ministro da Educação admitiu ontem que os programas de Português e Matemática precisam de “reformulação grande”: “não puxam pelos jovens”.

Confesso: Nuno Crato estava melhor quando não falava destas coisas, porque escusava de demonstrar sta falta de conhecimento sobre os detalhes das coisas. Mais valia que enviasse um memorando às dgidcs e dgrhes a impedi-las de enviar ou telefonar instruções sobre o ano lectivo às escolas antes de autorização superior.

Um último reparo: quem puxa ou não pelos alunos são os professores e os métodos usados, não necessariamente os programas. Podem estar mal concebidos, ter objectivos meio nhónhós, mas tudo isso é ultrapassado se os docentes sentirem que têm apoio no seu trabalho e busca de exigência.

Ora… isso está neste momento em evidente risco pois o MEC não soube ainda retomar a confiança perdida pelas suas antecessoras e que foi inicialmente depositada nele.

E os próprios professores, se optarem por uma estratégia de terra queimada em matéria de ADD, perdem credibilidade se quiserem apresentar-se como modelos de uma cultura de rigor nas escolas.