Segunda-feira, 1 de Agosto, 2011


GNR, Hardcore (1º escalão)

… e o Calimero flagrou-o!

Carta Aberta ao Professor António Duarte:

Começo por o saudar pelo seu elucidativo e bem elaborado texto. Saudação, todavia, que não me exime de ser eu próprio e dele poder discordar pontualmente, apenas, pontualmente.

Pelo que julgo conhecer de si tenho-o como liberto de um fanatismo maniqueísta que oblitera qualquer argumentação do género criticado por António Vieira: “Quando se olha com simpatia para o rato preto até o rato preto nos parece branco; quando se olha para o cisne branco com antipatia até o cisne branco nos parece preto”. Desde já o confesso que careço da mesma dose de espírito de isenção que tanto aprecio e louvo em si.

Mas parece-me, o António Duarte o confirmará ou não,  que as nossas dissidências de ver, sob ópticas diferentes, as coisas do mundo da educação – do qual não se podem divorciar questões sindicais a ele atinentes e a minha defesa  para a criação de uma Ordem dos Professores para preencher lacunas de aspectos outros que não laborais –  não têm permitido que essas discordâncias descambem  para ataques “ad hominem”.

Portanto, é este espírito de“fair-play” que me leva a ver em si não um adversário mas um Colega com quem se pode discutir ideias que eu gostaria que me esclarecesse, se tiver dados estatísticos nesse sentido, sobre uma dúvida nunca esclarecida, quer pelo ministério da Educação,  quer pelos sindicais ou por quem quer que seja. A dúvida é a seguinte, vezes sem conta por mim formulada publicamente de há anos a esta parte e nunca elucidada:

Antes do malfadado critério de avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues que transformou a docência uma profissão servil de mangas-de-alpaca a preencher resmas e resmas de papéis e a auto-elogiarem-se em relatórios que os tornaria parvos se o não fizessem,   sem incluir os professores que entretanto se reformaram, faleceram ou desistiram da carreira docente, qual a percentagem de docentes que, cumpridos os requisitos legais, não chegaram ao topo da respectiva carreira, 9.º e 10.º escalões, respectivamente para bacharéis e licenciados. Na hipótese de essa percentagem ser diminuta, por chegar, apenas, a um número de um único dígito (ou pouco o ultrapassar), a conclusão a tirar-se é a de que a triagem da qualidade docente não satisfazia padrões mínimos de exigência, sendo de a excluir liminarmente pelo prejuízo causado aos bons professores e benefício aos maus professores numa injusta e gritante igualdade entre desiguais. Não, não se trata de exigir um quadro docente utópico preenchido apenas por professores excepcionais. Basta contentarmo-nos com homens e mulheres que cumpram os seus deveres de educadores.

Todos nós trabalhámos ou tivemos a nosso lado colegas que se podiam ter como modelos e outros verdadeiras antíteses. A dificuldade da avaliação anterior a Maria de Lurdes Rodrigues residia em convencer a própria opinião pública de que os professores eram todos óptimos ou menos óptimos no esquecimento do que nos legou W.G. Gilbert, “quando toda a gente é alguém, ninguém é alguém”.

 

Cumprimentos amistosos,

Rui Baptista

E porque nunca tive grandes problemas em que registassem o que digo, até por ser claro, ao contrário da súbita (?!) incompreensão de alguns comentadores que por aqui passam ou que, em outros casos, por aqui parecem ter aterrado subitamente dotados de uma memória algo selectiva.

Jornal de Notícias, 1 de Agosto de 2011

A notícia parece não estar online, pelo que só digitalizei agora. Desculpem lá se um dos riscos caiu onde não devia, mas só reparei depois. O final da peça reproduz fielmente parte do que disse anteontem à jornalista.

Alteração no dia de pagamento, funcionários do ministério de educação passam a receber no dia 23.

… para arranjar tansos, desculpem, compradores destes.

Benfica vende Roberto ao Saragoça por 8,6 milhões de euros

Olá, Paulo

Continua a tragicomédia dos documentos confidenciais do GAVE cuja divulgação poderá vir a ser permitida desde que não se use o respectivo conteúdo para eventuais reclamações. Só não aconselho a imprimir directamente em papel higiénico, porque pode estragar a impressora.

Basta ler com atenção para perceber que, ao adicionar descritores aos já existentes, há alteração dos critérios de classificação.

Uma das maneiras possíveis de demonstrar profissionalismo consiste em reconhecer erros, mas isso seria um feito inaudito para os lados do GAVE

Abraço

Anexo: DOC_GAVE_PORT_639_Fase2

Ainda A ADD

Tentando devolver alguma inteligibilidade a um debate que tende a escapar a toda e qualquer racionalidade…

1. A ADD nos moldes actuais surgiu com o 1º governo socratino, no quadro de novos princípios e modelos da avaliação que pretenderam aplicar a toda a função pública. A avaliação do desempenho docente, que já existia desde 1998, foi então profundamente descredibilizada junto da opinião pública, dizendo-se que os professores nunca tinham sido avaliados, que as progressões na carreira eram automáticas, que era preciso avaliar com consequências, para identificar e recompensar os melhores e dessa forma fazer com que todos se esforçassem mais e as boas práticas se disseminassem.

2. Para distinguir a realidade da ficção socratina, convém reconhecer que o modelo de avaliação anterior, assente na elaboração de um relatório crítico, no tempo de serviço, na realização de formação contínua e na ausência de factos documentados que indicassem falhas no cumprimento dos deveres profissionais, conduzia invariavelmente, se todas estas condições fossem cumpridas, à atribuição do Satisfaz. O que tem toda a lógica, pois constatava-se que de facto tinha feito tudo o que lhe era exigido. Mas também havia o Não Satisfaz para quem não cumprisse e as notas de Bom e Muito Bom, a que os professores que o entendessem se poderiam candidatar. Contudo, por exclusiva responsabilidade dos sucessivos governos, estas últimas nunca foram adequadamente regulamentadas de forma a terem benefícios efectivos na progressão ou na remuneração dos professores.

3. Todo este sistema, com as suas virtualidades e limitações, foi deitado fora para dar lugar à ADD de Maria de Lurdes Rodrigues. Com quotas para as melhores classificações, objectivos individuais, aulas assistidas e sempre, sempre, montes de papelada. Uma avaliação punitiva, destinada a demonstrar que a grande maioria dos professores estavam longe da excelência apregoada e que a docilidade na obediência às chefias e no acatamento das determinações governativas eram caminhos seguros para uma melhor avaliação e uma mais rápida progressão.

4. Houve então contestação generalizada ao novo modelo de avaliação, as grandes manifestações de professores e o recuo ministerial que acabou por esvaziar parcialmente os protestos, com a simplificação dos procedimentos e a redução da avaliação da grande maioria dos professores a pouco mais do que a apresentação de um relatório de auto-avaliação, ou seja, mais ou menos o que estava antes.

5. O que temos agora é a ADD do segundo governo socratino, que no essencial – classificações, quotas, aulas assistidas – recupera o primeiro modelo de MLR. Substituíram-se os titulares pelos relatores, limaram-se algumas arestas mais polémicas, acenou-se com as progressões ao virar da esquina para quem alinhasse na coisa, e aí está a nova/velha ADD em acção. Este ciclo avaliativo está quase a terminar, mas o pior ainda está para vir: quando, nas escolas onde os professores concorreram em massa às classificações de mérito, depois de muito pranto e ranger de dentes na atribuição da classificações, a maioria deles se aperceber que, por via das quotas, vão ter o mesmo Bom que recebeu o colega que não se esteve para chatear e se limitou a entregar o relatório e as evidências no final.

6. Chegamos ao novo governo PSD/CDS e ao ministro Nuno Crato, em quem tantos professores depositaram expectativas favoráveis. E o que é que vemos para já, numa altura em que talvez seja prematuro estar a dissertar sobre um modelo de que ainda só conhecemos algumas linhas gerais? Vemos um ministro cercado, aparentemente prisioneiro de um conjunto de condicionantes. Vejamos algumas:

– A projecção que a propaganda socratina e a luta dos professores deram a esta questão, transformando-a artificialmente num problema nacional e, por arrastamento, numa arma de arremesso político. O cidadão comum não quer saber como são avaliados os médicos ou os funcionários das finanças, mas todos se acham no direito de ter opiniões definitivas sobre a avaliação dos professores, e daí a necessidade de não “dar parte de fraco”, não suspendendo a ADD porque isso seria visto como uma cedência aos que “não querem ser avaliados”;

– A aparente incapacidade de os novos governantes encontrarem soluções fora do quadro mental socratino. As aulas assistidas como regra, a definição de objectivos individuais, a existência de quotas, entre outras, deveriam ser seriamente questionadas. Mais: encontrar uma solução aceitável para a ADD implica substituir estas práticas, que não se encontram na generalidade dos países e que complicam o processo, tornando-o pesado, conflitual, demorado e dispendioso;

– Ora a recusa em suspender o modelo actual cria um novo problema que é a falta de tempo e de dinheiro para o substituir por outro que seja mais justo e aceitável para os professores. Fala-se em formar avaliadores para avaliar externamente os professores de uma escola, mas isso não se consegue de um dia para o outro. E custa muito dinheiro, se quisermos tê-los atrás de todos os 140 mil professores, a observar aulas, a conferir as planificações e a preencher grelhas e relatórios.

7. Quando as coisas se complicam desta forma, surge a tentação clássica de mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma. Mas essa é a solução errada. Desde logo porque o actual ministro é um homem inteligente, que já demonstrou ter algumas ideias claras sobre os verdadeiros problemas do sistema educativo e vontade de as tentar pôr em prática. Seria uma pena que esgotasse o seu mandato a tentar encontrar uma má solução para um falso problema herdado do passado. Mas também não se pense que, em nome de valores mais altos que se levantem, os professores devam, em relação à ADD, aceitar mais uma vez a imposição e a chantagem, as armas negociais que foram apanágio dos governos socratinos.

António Duarte

O decreto-Lei 8/2011. É provisório. Há-de existir. Alguém o fez nascer prematuro.

A partir de meio da passada semana foi aqui sendo dado conhecimento das irregularidades e desconformidades entre diversas indicações para o arranque do próximo ano lectivo, desde o caso dos EFA ao das instruções todas baralhadas da DGIDC, que até remetem para legislação revogada.

O Público chegou ao tema na 6º feira, o JN no domingo e o I apenas hoje. Eu sei que aquilo parecia brincadeira e que ao fim de semana é difícil obter confirmações, muito menos em on.

De qualquer modo, ficou documentada por aqui a evolução da situação, entre posts e comentários. Sendo que tudo dá a sensação de cada serviço do ME estar entregue a si mesmo ou, em alternativa, estar a fazer os possíveis por confundir as escolas ao máximo.

Em qualquer dos casos temos o que eu tenho chamado uma espécie de feudalismo nesta matéria, sendo que é um modelo de feudalismo em que cada senhor(a) faz o que bem entende e só mantém uma obediência vaga e simbólica ao topo da pirâmide.

Ao mesmo tempo, nas escolas começa a campear alguma confusão, por vezes resolvida na base da incompetência ou do atropelo dos direitos dos docentes. Os poderes intermédios (DRE) funcionam em regime estival, mas tentam dar alguma coerência regional ao que se vai fazendo. Mas tão só isso.

Começa a ser tempo de transmitir algum sentido a tudo isto. Ao que parece a SE para o Ensino Básico e Secundário inexiste na prática ou despacha tarde e a más horas, a reboque da situação, ajudando à confusão.

Mau começo, muito mau começo. A impreparação para lidar com as situações concretas do arranque de um ano lectivo e os labirintos dos serviços ministeriais e respectivas (in)competências começa a dar demasiado nas vistas.

Isto anda bonito,

Bom dia PG ,
Caso esteja interessado e queira referi-lo no Umbigo a aplicação DACL já começou a dar barraca. Não é que pede aos professores do quadro que introduzam a avaliação qualitativa e quantitativa de 2009/2011??!! Ora pelo que julgo saber ainda ninguém teve acesso a essa info uma vez que, em muitas escolas inclusivamente, a entrega do relatório de auto-avaliação termina só em 31 de Agosto!! Estes e os do DGIDC devem andar a apanhar sol demais na moleirinha….
Obrigada

H,

Colega e amiga com AVC durante o fim de semana, alguns anos mais nova do que eu e colocada em situação de extrema precariedade laboral.

A causa talvez não seja só essa, mas o stress ajuda muito.

Apetecia-me apontar algumas coisas… mas… enfim. A culpa é do sistema, dizem muitas das pessoas que o fazem mover-se.

Estado perde 2,4 mil milhões de euros com negócio BPN

O Governo prevê perder com o BPN 2,4 mil milhões de euros, segundo o comunicado divulgado hoje, domingo, pelo Ministério das Finanças.

“Valor que propusemos é adequado”

Luís Mira Amaral, CEO do BIC Portugal, considera que o montante de 40 milhões oferecido pela compra do BPN é “adequado”.

Se isto seguir em frente é um erro enorme. Se é para haver avaliação, todos devem ser avaliados. Estando no topo da carreira (o que não acontece pois ninguém está no actual 10º escalão) até devem ser os primeiros a revelar o que valem pois, de acordo com um dos princípios anunciados pelo ministro, devem sr eles os avaliadores da maioria dos colegas. Pelo que não devem estar acima do modelo e devem, isso sim, mostrar o que valem.

Estou a ficar cansado de todos os que se deixaram prender pela ideologia dos titulares e de um sistema de castas hierarquizadas.

Se assim é, também não quero ser avaliado, pois tenho mestrado na minha área científica e doutoramento em Ciências da Educação e não fiz teses sobre as asas da mosca na gastronomia hindu do século XVI ou sobre a autoestima dos alunos com peúgas azuis em salas com nº ímpar durante as tardes das 4ªs feira de Fevereiro, em anos bissextos.

Vamos lá a ver se nos entendemos… o programa de Matemática  do Básico é novo, tem um par de anos, mas pronto… pode-se achar que precisa de retoques, só que o de Português, para o bem e mal (e eu nem gosto muito dele) é novinho em folha e andamos há dois anos a tentar preparar a sua aplicação que deve acontecer agora em Setembro, tendo sido escolhidos novos manuais e tudo.

O ministro quer que seja reformulado quando e em que termos? Antes de ser aplicado?

Note-se que desgosto do novo programa, pois é herdeiro da da TLEBS e é um programa de uma facção dos estudos linguísticos mas – raios! – ainda nem o aplicámos e foram teoricamente adoptados manuais para 4 anos.

O ministro da Educação admitiu ontem que os programas de Português e Matemática precisam de “reformulação grande”: “não puxam pelos jovens”.

Confesso: Nuno Crato estava melhor quando não falava destas coisas, porque escusava de demonstrar sta falta de conhecimento sobre os detalhes das coisas. Mais valia que enviasse um memorando às dgidcs e dgrhes a impedi-las de enviar ou telefonar instruções sobre o ano lectivo às escolas antes de autorização superior.

Um último reparo: quem puxa ou não pelos alunos são os professores e os métodos usados, não necessariamente os programas. Podem estar mal concebidos, ter objectivos meio nhónhós, mas tudo isso é ultrapassado se os docentes sentirem que têm apoio no seu trabalho e busca de exigência.

Ora… isso está neste momento em evidente risco pois o MEC não soube ainda retomar a confiança perdida pelas suas antecessoras e que foi inicialmente depositada nele.

E os próprios professores, se optarem por uma estratégia de terra queimada em matéria de ADD, perdem credibilidade se quiserem apresentar-se como modelos de uma cultura de rigor nas escolas.