Antes de mais e como apreciação global parece-me muito vaga e carece de explicitação quanto à forma de operacionalização dos seus princípios.

Vejamos o primeiro desses princípios:

Enquanto não se implementar um novo processo de avaliação, o MEC salienta que NINGUÉM SERÁ PREJUDICADO na fase de transição.

Após o próximo ciclo de avaliação, com o novo modelo, os professores poderão optar pela melhor classificação obtida num dos ciclos já realizados. Deste modo, no futuro e aquando do descongelamento da carreira, nenhum professor avaliado pelo modelo actual será prejudicado.

Este princípio parece ser pacífico e virtuoso, embora também possa significar que a classificação vai contar para alguma coisa (e espera-se que não para os concursos, pelo menos dos contratados no próximo ano) e que o descongelamento não está mesmo nada para breve.

Quanto a nenhum professor ser prejudicado pelo modelo actual, numa leitura relativamente simples e directa, isso significa que ninguém poderá ser – simetricamente – beneficiado?

Ou seja, que os resultados deste ciclo de ADD não contarão para nada, caso as pessoas assim queiram?

Já se passarmos para o segundo princípio lê-se que:

OS CICLOS DE AVALIAÇÃO SERÃO MAIS LONGOS, de forma a permitir uma maior tranquilidade da vida das escolas e a possibilidade de todos os professores participarem no processo sem atropelos e sem concentração do trabalho avaliativo sobre todos os professores. (Os ciclos coincidirão com a duração dos escalões da carreira docente.

Também me parece pacífico (afinal só há um escalão com dois anos, que é exactamente aquele mini-degrau onde eu estou e que só serviu mesmo para empatar), embora seja necessário concretizar até que ponto se fará a divisão entre a fase formativa do ciclo de avaliação (um ou dois anos) e aquela em que a avaliação conduzirá de forma mais directa à avaliação final e quais os intervenientes no processo (a cruzar com o 4º princípio).

Há que perceber como se implementará isto, porque cada professor – à data do descongelamento – estará em pontos diferentes da sua progressão e é preciso perceber quando se iniciará cada ciclo para cada docente.

Há também que esclarecer como isto se aplica aos professores contratados, que não têm escalões de progressão.

Penso que até aqui as questões são razoavelmente pacíficas e que só se levantarão problemas acerca disto se quisermos mesmo levantar problemas a tudo e mais alguma coisa e quisermos dar o dito por não dito.