Sexta-feira, 29 de Julho, 2011


Tears For Fears, Everybody Wants To Rule The World

O Ramiro está hoje de parabéns, tem um poste que já ultrapassou 40 (quarenta) comentários.

O processo vai continuar a ser sigiloso?

Não elimina a questão das quotas para a progressão (imposição do SIADAP; etc, etc). Deixa muito por explicar. Precisa de aprofundamento sério de muitas questões. Não é fácil mas também não é tarefa hercúlea. Quem resolveu tudo num dia até ao início da madrugada consegue isto em menos de uma mão-cheia de reuniões de trabalho e não de conversa fiada, beijinhos e telepizzas.  A menos que tenham outra agenda a cumprir.

Quanto a mim, tanto se me faz. Esta ou outra, pessoalmente, nem me amorna, sem me desarrefece.

Nem na antiga nem na nova pretendo que me considerem munta bom ou xalente e muito menos tenho interesse em avaliar terceiros.

Uma coisa eu conclui da leitura dos comentários em posts anteriores: a partir das cinco da tarde de hoje deu-se uma enorme conversão de professores à avaliação interpares da própria escola. Coisa equivalente em dimensão à benzedura ordenada por D. Manuel no Terreiro do Paço que criou milhares e milhares de cristãos-novos.

A sério: acho que há gente – e agora acredito piamente que serão muito mais do que os que o assumem a descobertoque já se ambientou muito bem a esta ADD e aos RAA copy/paste feitos com base naquele livrinho que circula em pdf pela net.

Felizmente na sondagem lá mais em baixo, a maioria dos cerca de 330 votos recolhidos até este momento está na expectativa, que é a atitude certa.

Quanto à gritaria: aconteceria sempre, já é reflexo. Já é modo de vida.

E agora a parte em que eu acho que vão surgir coisas mesmo mais desagradáveis para muita gente mas com as quais até, porventura concordo.

Vejamos:

VALORIZAÇÃO DAS COMPONENTES CIENTÍFICA E PEDAGÓGICA em sala de aula, tendo em vista a melhoria dos resultados escolares.

Isto até agora era uma fantochada. Formalmente era apenas avaliada a componente pedagógica. Se o avaliado quisesse (e podia dar jeito), era possível ser-se avaliado por alguém de outro grupo disciplinar que pouco entendesse do conteúdo da aula. Era avaliada a forma dela e a sua representação em papelada como o plano de aula e os registos produzidos a posteriori. Ou quando calhasse para caber no portafolhas.

Repito: formalmente a componente científica era descurada.

Concordo que, mais do que a forma, o conteúdo de uma aula seja avaliado por quem a observa. Pode-se mobilizar e envolver muito bem uma turma ensinando disparates giros e encantadores. Ora… eu acho mais importante que os conhecimentos transmitidos estejam correctos.

Para isso é indispensável que o observador/avaliador tenha competência para o efeito. Não pode achar apenas que tem. Como acontece, em muitos casos, agora.

E todos os professores que leccionam devem ter aulas observadas. Todos. Se estão no topo da carreira, arranja-se quem também esteja e tenha grau académico equivalente ou superior. Ninguém deve estar isento – excepto nos casos que adiante se verá – de ser observado nas suas aulas.

Pior: acho que as aulas não devem ser marcadas previamente ao detalhe, mas sim ser marcada apenas a semana na qual isso pode acontecer.

Se isto é impopular? É.

Mas quem quer exigência e trabalho dos alunos, não coloque o traseiro fora do alcance da seringa.

Por isso é importante que o sexto princípio seja muito bem explicadinho:

O estabelecimento de um QUADRO OBJECTIVO DE ISENÇÕES DE AVALIAÇÃO, para situações concretas;

Desde que exista componente lectiva, deve existir avaliação da prática pedagógica. Só devem estar isentos aqueles que, por razões de saúde ou funções específicas (Ensino Especial, por exemplo), não trabalhem em sala de aula com turmas.

Ou que estejam destacados em outros serviços.

O resto deve ser avaliado. Acho mesmo que isenção de avaliação só deve existir em casos de licenças de maternidade ou equivalentes, quando num ano lectivo não seja leccionado um número mínimo de semanas. Mas num ciclo de avaliação de 4 anos, acho que as situações excepcionais deste tipo ou outro serão escassas.

Quanto ao sétimo princípio, acho-o perfeitamente pacífico e inócuo.

Um SISTEMA DE ARBITRAGEM expedito para os recursos.

Entramos agora em território mais polémico e que pode gerar maiores resistências, necessitando de clarificação alguns pontos essenciais.

Vejamos o terceiro princípio:

O PROCESSO SERÁ DESBUROCRATIZADO, baseando-se em elementos simples para o avaliado – Programa Educativo do Professor e Relatório de Auto-Avaliação.

A desburocratização é algo também consensual, mas enunciá-la não chega. Há que perceber o que é exactamente o Programa Educativo do Professor.

Pessoalmente preferiria um Projecto Educativo do Professor, porque o entendo como uma espécie de documento-base para o trabalho que o professor pretende desenvolver ao longo do ciclo de avaliação. Há quem considere que isto é uma forma de objectivos individuais mas eu preferia encará-lo como uma espécie de projecção do contributo do professor para a concretização do Projecto Educativo da Escola/Agrupamento, para os objectivos e metas do seu grupo disciplinar e departamento e para o trabalho com as suas turmas, em especial numa perspectiva de continuidade pedagógica (mesmo se os ciclos de escolaridade não coincidem com os 4 anos do escalão) e estabilidade de colocação. Claro que podendo ser reajustado este Programa/Projecto no início de cada ano lectivo, em colaboração com a equipa de avaliação (pois não acho que ela deva ser feita por um único avaliador).

O que nos leva ao quarto princípio:

HIERARQUIZAÇÃO DA AVALIAÇÃO com REFERÊNCIA EXTERNA, a fim de eliminar conflitos de interesses entre avaliadores e avaliados. Os avaliadores terão de pertencer a um escalão mais avançado que os dos respectivos avaliados. As aulas observadas serão efectuadas por professores do mesmo grupo disciplinar, mas exteriores à escola do professor avaliado.

Acho que a hierarquização é um termo algo desnecessário aqui. Considero que a solução de constituir uma bolsa de professores que procedam à observação de aulas não é má, pois mantém uma componente interna à docência mas inclui um elemento externo à escola/agrupamento, embora devam ser muito claros os critérios para a sua constituição. Antes de mais, não deve ser o refúgio dos actuais relatores que se considerem habilitados para isso. Deve ser constituída por professores com uma formação especializada e sempre com habilitação académica, no mínimo, equivalente à do observado/avaliado. Não chega estarem um escalão acima na carreira, como agora se recomendava.

Para além disso, acho que a avaliação global de cada docente não deve ficar apenas a cargo dos professores que observem (e avaliem) as aulas, devendo a avaliação final resultar da combinação desta avaliação com a da direcção da escola (aspectos de tipo mais administrativo e de integração na vida da escola) e eventualmente do coordenador de departamento, com um peso a determinar para cada aspecto. Discordo que a avaliação final resulte meramente da classificação/avaliação das aulas assistidas e da assiduidade mais formação contínua.

Acho que esta solução é melhor do que a actual (apenas interpares), do que uma entregue a professores vindos de outros níveis de ensino que não façam ideia do que é dar uma aula no 1º ciclo ou no Secundário, do que uma entregue a uma IGE como a que existe que não tem quadros para o efeito ou do que entregue a uma qualquer agência puramente externa, estranha ao funcionamento de uma escola.

Quem acha que qualquer destas soluções é melhor, que o diga. Ou se existem outras alternativas viáveis.

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