O I continua a trilhar um caminho curioso sob a nova gerência. Colado à agenda do Governo, faz lembrar aquelas CCAD que decidiram retorcer a avaliação do desempenho até ela própria gritar de dor.

O título de hoje é bombástico, mesmo se um aluno de 6º ano mediano em Matemática consegue perceber alguns disparates aritméticos básicos nesta forma de apresentar as coisas:

Há 4 mil professores destacados e a maioria vai voltar às escolas

Três em cada dez docentes estão a trabalhar nos serviços tutelados pela Educação.

Se três em cada dez docentes estão a trabalhar em serviços tutelados pela Educação, isso significa qualquer coisa a rondar os 45.000 docentes destacados (se é verdade que estão cerca de 140.000 no activo).

Mesmo que consideremos apenas 100.000 professores do quadro, chegamos a 30.000.

Se usarmos o cálculo de professores do quadro nas escolas mais esse valor de destacados voltamos aos 45.000.

Se afinal são apenas 4.000 os destacados quer dizer que temos 15.000 professores no activo?

Grande baralhação…

Mas não é nada disso que interessa.

O que interessa é promover a confusão.

Conhecendo os meandros da coisa jornalística e lendo a peça de Kátia Catulo, não tenho dúvidas que o título sensacionalista e o destaque na 1ª página têm outra dedada.

António Ribeiro Ferreira, um homem pragmático para todas as estações.

Adenda: em vários comentários escreve-se que não é bem assim, que o artigo até explica as coisas. Correcto. Ao que parece algumas pessoas não terão entendido que comentei o título e o destaque, assim como a forma como se tenta dar a entender o que não é verdade. O que mantenho.