Muita gente anda por aí ao engano. Alguns conseguiram iludir a opinião pública dizendo que iam servir lebre bravia e saborosa, mas depois optaram por coelho de coelhário, sempre insípido e a carecer de muito tempero.

Vejamos parte da agenda parlamentar do plenário de hoje:

Projecto de Resolução n.º 29/XII/1.ª (PCP) sobre  suspensão do regime de avaliação de desempenho dos docentes e anulação da produção dos efeitos resultantes do ciclo 2009/2011.

Projecto de Resolução n.º 22/XII/1.ª (BE) que recomenda ao Governo que proceda à suspensão do actual modelo de avaliação do desempenho docente.

Conclusão óbvia: a votação não vão estar projectos de lei para a suspensão da ADD, mas meros projectos de resolução nesse sentido. Lendo o seu conteúdo, percebe-se que, na prática, a sua aprovação pouco ou nada muda. Mesmo se forem respeitadas pelo Governo, apesar de não serem vinculativas.

Perante estas propostas, são óbvios os votos favoráveis do Bloco e do PCP.

Em relação ao PSD e CDS, em coerência, também deveriam votar favoravelmente, quer pelo passado, quer porque os projectos apresentados, nestes termos e agora, nada mudam. Em moderada incoerência poderão abster-se, lavando daí as suas mãos, embora ficando com elas algo manchadas.

Do PS espera-se que vote contra.

Mas…

Mas…

E se as coisas até se passassem de outro modo?

E se António José Seguro, que funcionou como orelhão durante um par de anos para grupos de professores animados com a sua inação (embora nunca tenha alinhado com os alegristas, desempatando a coisa e permitindo a suspensão da ADD), ganhasse um pouco de coragem e, em coerência com a forma como manteve esses grupos de professores na esperança de qualquer coisa, indicasse à actual direcção do grupo parlamentar para se abster? Com base no argumento pragmático que nada disto conduz exactamente a nada?

Com uma tripla abstenção (CDS, PS, PSD), os projectos de resolução seriam aprovados.

E… seria giro.

Pensem nisso.

Se é que esta ideia vai a tempo de alguma coisa.

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