Terça-feira, 26 de Julho, 2011


Aztec Camera, Oblivious

Um conflito complicado, demorado, com vítimas, mas que deve ser travado a todos os níveis, do local ao global, para usar um chavão pós-moderno, muito anos 80-90 do século que passou. No caso da Educação, cada pequeno clarão parece arrancado a ferros e contra os interesses. Cansa.

Glasnost sim, mas só para os outros?

… pelo que fica mal andarem em caças às bruxas só porque os vossos papéis apareceram aqui no blogue. Afinal, têm vergonha ou orgulho d(n)o que fizeram?

2008:

2011:

Portugal coloca os F-16 à venda

Nas escolas. Não apenas a produção dos chamados horários-zero mas até principalmente os jogos com a distribuição das turmas e das manchas horárias.

Não me vou alongar em considerandos que todos conhecem. Ou quase todos e afortunados são os que desconhecem. Ou então são distraídos. Ou…

Conheço vários métodos de elaborar horários: só pelo PCE(antigamente)/Director(agora), por uma comissão para o efeito que se perpetua no tempo, pelos delegados(antigamente)/coordenadores (agora). Mas nunca conheci nenhum modelo em que a elaboração de horários não fosse a tarefa mais intimamente ligada ao Poder dominante nas escolas. Directamente pelo soberano ou pelos mais estimados cortesãos.

O poder sobre o tempo alheio, sobre a forma de organizar a vida de outrem. A volúpia do favor concedido ou negado. O êxtase de poder fazer ou não fazer.

Felizmente, nem sempre é assim. Mas é em muitos lados. Mais agora, quando nem sequer a velha graduação profissional é critério a respeitar, muito menos as minudências de continuidades pedagógicas ou outros ditames despejados em regulamento interno para usar apenas quando interessa e não perturba a superior conveniência do serviço.

Por estes dias fazem-se e desfazem-se vidas ao sabor dos humores, amores e rancores.

É triste de ver e explica porque nem sempre 100.000 são 100.000.

Já sabia de escolas onde não iam abrir turmas novas, mas ao que parece – pelo menos na zona de Lisboa – hoje chegou uma coisa qualquer a dizer que acabaram todos os nocturnos, excepto numa espécie de escolas de referência.

Consequência directa: Secundárias com dezenas de ordens de DACL para pessoal com horários nocturnos…

Tenho sentimentos mixados acerca disto. Por um lado, sei que há quem nas DRE e no ME e respectivas Direcções-Gerais ou Específicas faça um excelente trabalho e deva lá continuar.

Por outro, sei que há quem tenha ido para lá e, apanhando-se sem dar aulas, fez da profissão de professor mera memória e pretexto.

Não há regra universal. Deveria haver uma avaliação específica. Das efectivas necessidades. Do efectivo desempenho. Não na base da dança de cadeiras, dos cartões coloridos, de meros amiguismos ou encostanços.

Havendo necessidade de um determinado número de funcionários nos quadros da administração central ou regional do ME abriam-se as ditas vagas para concurso externo e interno e quem quisesse ficar, ficava, mas deixava o vínculo às escolas de origem. Isto não impediria a existência de consultores externos, mas em regime de acumulação semelhante ao da acumulação da docência, ponto final. Ou situações excepcionais de um ano, no máximo dois.

Assim, há quem tenha sempre um pé cá e outro lá, quem tenha feito da regra dos quatro anos uma anedota e se tenha instalado para a vida. De preferência, uma vida descansada, só perturbada pela mudança dos horários do cafézinho da manhã.

Agora, a ordem para regressar tem efeitos dramáticos e presta-se a muita coisa, a muito jogo, a muito nepotismo e a muito dramatismo. Mudem-se as regras, clarifiquem-se os critérios, definam-se as necessidades. E, perante isso, que cada um assuma o que quer continuar a fazer.

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