Segunda-feira, 25 de Julho, 2011


He!, quero dormir, a sesta foi caótica.

New York Pony Club, Ice Cream

Bom dia Paulo Guinote,

Primeiro quero aproveitar para  agradecer o seu blog e a forma empenhada com que o gere. Tem-me sido muito útil pela sua diversidade de conteúdos.

Agradeço também  a todos os seus comentadores, uns porque me informam e tiram dúvidas, outros me libertam do stress, quando dou umas boas risadas com os seus “desabafos”. Isso também é muito importante, quer uns gostem, quer não. Informa, diverte, partilha e discute-se pontos de vista. Para mim é excelente e por isso diariamente o frequento.

Quanto ao motivo deste contacto, agradecia que publicasse este meu assunto, pois creio que não surgiu  ainda um tal procedimento aplicado à atribuição da nota final da avaliação.

É o seguinte:

Tive aulas assistidas.

Tudo decorreu não digo normal, porque em vez dos 45m, o avaliador esteve as manhãs inteiras a assistir à aula, foi várias vezes visitar o meu dossier da sala, ao que chamam porta folhas,  fazendo grandes elogios e queria tirar ideias, etc. Não sei se era para se justificar ou não, mas não atribui importância, porque simplesmente foi aulas normais que sempre dei e que constavam nos meus planos. Não fez como manda o regulamento mas com quis. Hoje interrogo-me se deveria ter reagido ou não. Ao longo de todo o tempo dizia que realmente merecia o muito bom porque não havia nada a apontar, estava tudo em ordem. Mas não sabia se podia dar essa nota, pois não tinha poder.

O passo seguinte foi a discussão da nota e tomada de conhecimento. Embora não concordasse porque a nota atribuída é quase à tangente e eu cumpri tudo à risca, não por ser avaliada mas porque felizmente, adoro o que faço. Põe exemplo, na avaliação anterior não tive aulas assistidas e a nota final só teve menos 0,3. Mas isso não discutiu, assinei e fiquei a aguardar.

Quando um dia a relatora me chama, dizendo que queria falar comigo mas a sós e fora da escola. E diz-me que a Directora não concordou com a nota e por teve de a baixar. Diz-me a razão, a qual não vou descrever aqui, mas só digo que é terrivelmente feio, imoral, tudo o que se pode imaginar de maléfico e abusivo. É como que alguém nos quisesse transformar o âmago da nossa natureza para a satisfação dos seus caprichos. Eu só comparo com pedofilia. Sei lá.

É evidente que só pensar nisso, fico perturbada. Respondi o que tinha isso a ver com o meu despenho profissional. Mas… Isto foi dito às 19h30, quando terminamos o trabalho no Agrupamento, vim para casa pensar pois, o que fazer. Sem documento escrito, véspera das minhas férias, elas todas a fugir e a evitar as minhas questões, a tudo-nada sabiam… Vou por acaso à secretaria e peço o registo da minha avaliação e verifico então este documento que lhe envio. A nota atribuída é de 8,3 e o júri reúne para me atribuir 7,9, referindo que posso melhorar o envolvimento e participação na escola.

Mas como? Cumpri à risca o PAA, não dei uma única falta, participei no que devia e nem por isso.  É formidável!

As minhas questões são:

1º Se eu não reclamei da nota que me foi atribuída, é legal o júri por sua auto recreação ser ele próprio a reclamá-la?

2º Se eu discordasse da nota, teria de reclamar ao Júri, mas ele antecipou-se à minha revelia, o que posso fazer agora quando o tempo urge?

A relatora disse-me que tudo estava em ordem em relação ao meu desempenho na altura da discussão e ali está escrito que tenho de melhorar o meu empenhamento na escola e no Agrupamento, neste mesmo dia que estou de férias e encontro-me no Agrupamento para uma reunião convocada e a terminar o relatório de Avaliação do PAA?

Acreditem, não é a nota, nem pensar, que me faz doer, aliás, como Paulo também sou graduada bem acima da média e não o fiz por causa do fosse que fosse mas para me tornar mais competente e é isso que procuro cada dia. Mas o ajuste de contas mascarado de “falta de envolvimento e participação na escola e agrupamento”.

Estou mesmo muito desiludida. Não fiquei a mesma. Confesso que me mudou por dentro, perdi um grande pedaço da confiança e credibilidade no ser humano. Ao que chega a falta de escrúpulo humano.

Obrigada a todos,

P. Alves

Nuno Crato acredita que novo modelo de avaliação de professores será bem recebido

O ministro da Educação, Nuno Crato, vai apresentar o novo modelo de avaliação aos sindicatos na próxima sexta-feira, disse à Lusa, manifestando-se convicto de que o mesmo “será bem recebido”.

Quem está há anos contra esta ADD não deveria ter uma proposta mais concreta do que querer apenas um modelo que seja formativo, fofinho e fon-fon-fon?

Segundo a TVI, a educação vai ser uma das pastas mais afectadas pelos cortes no cargos de chefia, 77 cargos serão eliminados, segundo Nuno Crato, é preciso fazer “mais com menos”
Os ministérios que serão afectados segundo as recomendações do governo anterior.

Custo das Scut derrapa 695 milhões

Em 2011, encargos com as parcerias público-privadas rodoviárias atingirão os 1,16 mil milhões de euros.

Em algumas escolas foi colocada em prática e, até certo ponto, concordo. E há quem também permita a avaliação dos relatores.

Estranho é que, no caso desta escola, se peça esta avaliação antes dos relatores e coordenadores fazerem a avaliação dos seus relatados… e, pelo que me dizem, de início o próprio anonimato não estar garantido.

Numa escola não muito distante desta – são mais uns quilómetros para norte – em vez de 7 parâmetros são apresentados 18.

Numa aqui mais próxima de mim são menos (AvaliaCoord1). Não acho necessariamente uma má prática, pois permite moderar abusos. Ou alguns. O que é uma má prática é pedir isto antes de…

Gosto em particular da escolha da terminologia. É caso para dizer que, em caso de falta de consistência, se pode sempre acrescentar Farinha Maizena… à laia de outro espessante.

 

… é que só dou a outra face quando me apetece.

Há casos em que não merecem tal, de modo algum, pela forma rasteira como certas pessoas actuam.

Para quem aqui passa, certamente será fácil recordar as reservas que coloquei no domingo, 17 de Julho, à proposta de lei do PCP para suspensão da ADD (aqui, aqui, aqui e aqui, entre outros posts), assim como à proposta equivalente do Bloco.

A troca de argumentos tornou-se muito azeda, com destaque para o modo ofensivo como Francisco Santos e José Manuel Vargas (sob o nick de Maverick, que agora se transformou em Leitor), ditosos amigos e companheiros em listas derrotadas para eleições no SPGL, adeptos da ortodoxia sindical mais empedernida, me trataram de forma repetida em comentários e em posts em outro blogue, chamando-me de tudo um pouco. Mentiram repetidamente e fizeram-no por ignorância ou má-fé pura. Opto, sem grandes pruridos, pela segunda hipótese, pois sei o quanto desagrado a cada um deles, por diversas razões que não fica aqui muito bem expor publicamente.

A certa altura lembro-me de afirmar que acreditava existir no grupo parlamentar do PCP inteligência suficiente para corrigirem o que pretendiam fazer e emendarem a mão.

Cumpriria a verdade, a decência e um mínimo de capacidade de enfrentar a realidade, que Santos&Vargas  fizessem um mea culpa perante as evidências.

Na 4ª feira não será votado qualquer projecto de lei do Bloco ou do PCP para a suspensão da ADD, mas projectos de resolução que não incluem as partes que eu na altura destaquei como juridicamente frágeis e politicamente desastradas.

Tanto o Bloco como o PCP apresentam na 4ª feira propostas de resolução passíveis de ser aprovadas por todos os partidos que votaram a suspensão da ADD em Março. Esta forma é bem mais inteligente, mesmo se sem força de lei, e está expurgada de entorses jurídicos.

Não sou falsamente modesto. Sei que tinha razão. Talvez por isso tenha respondido de forma tão extensa aos disparates de duas criaturas que, se fossem deixadas (bem como os seus amigos em diversos graus no movimento sindical e na blogosfera) de mãos livres, arrastariam os docentes que neles confiassem para o total abismo.

Felizmente, nem o próprio partido a que pertencem e prestam devoção acrítica lhes dá crédito.

Reunião n.º 8 – XII Legislatura, 1.ª Sessão Legislativa
Dia 27 de Julho de 2011

15:00 Horas
Declarações Políticas
Proposta de Lei n.º 3/XII (GOV)
 – Altera a Lei das Comunicações Electrónicas, que estabelece o regime jurídico aplicável às redes e serviços conexos e define as competências da Autoridade Reguladora Nacional neste domínio transpondo as Directivas n.ºs 2002/19/CE, 2002/20/CE, 2002/21/CE, 2002/22/CE e 2002/140/CE.
Tempos: Grelha D
Projecto de Resolução n.º 29/XII (PCP) – Suspensão do regime de avaliação de desempenho dos docentes e anulação da produção dos efeitos resultantes do ciclo 2009/2011.
Projecto de Resolução n.º 22/XII (BE) – Recomenda ao Governo que proceda à suspensão do actual modelo de avaliação do desempenho docente.
Tempos: Grelha D
Petição n.º 34/XI/1.ª (José Manuel de Jesus Oliveira e outros) – Solicitam que os Psicólogos inscritos na recém-criada Ordem não sejam desqualificados retroactivamente.
Tempos: 3 minutos a cada Grupo Parlamentar

Claro que agora podem sempre aparecer uns comentadores expertos a negar o óbvio. Mas, como disse, não sou cristão. Não dou a outra face.

 

Tem estado a ser a aberração mais recente deste processo todo. Relatores, CCAD e “júris de avaliação” têm recusado relatórios e grelhas de evidências com base em critérios altamente subjectivos.

Já nem falo dos que só querem em papel, enquanto outros só querem em digital. Falo da recusa de conjuntos de evidências ou de algumas específicas, só porque não se percebe bem o quê. Já aqui referi a recusa em aceitar a obtenção do grau de mestre como evidência de valorização profissional, mas há coisas tão ou mais mais giras como, por exemplo, ser recusada pura e simplesmente a entrega das evidências, por não ser preciso para ter Bom, enquanto em outros casos, para o mesmo Bom recusam-se evidências que não documentem o processo da evidência, mas apenas o poduto. Há ainda quem recuse algumas evidências quando se remete para documentos já produzidos anteriormente ou arquivados e disponíveis online. Há quem obrigue a apresentação de matrizes, grelhas e planificações, mesmo quando são comuns a um grupo disciplinar, enquanto há quem recuse estes materiais, exactamente por serem individuais.

Há de tudo um pouco.

Teria a sua graça, numa perspectiva de teoria do caos, caso não se olhasse para muitas das pessoas que são responsáveis por esses abusozinhos de poder, esses delíquios de sapiência pura, e não encontrássemos quem nunca seria capaz de distinguir uma evidência por muito evidente que ela fosse e quem só sabe fazer uma referência bibliográfica se a copiar de um guia qualquer. Mas o poder foi-lhes entregue para o poderem exercer, transformando em autoridade administrativa o que não passa de mediocridade intelectual.

Aliás, esta ADD tem algo em comum com as Novas Oportunidades pois permitiu que se elevasse a auto-estima de muito boa gente, certificando como competentes para algo quem só sabe contar estórias.

Versão (pouco) longa da síntese publicada hoje na pá. 14 do Diário Económico. Como se calcula, não é possível fazer um tratado exaustivo em poucas centenas de caracteres.

1 – Quais são os principais problemas do actual modelo de avaliação?

É um modelo que privilegia a representação da prática docente e não a própria prática. Ou seja, valoriza bastante a produção de registos, papéis e evidências e não tanto a prática pedagógica. As duas aulas assistidas programadas não permitem perceber até que ponto a prática é melhor ou pior.
O facto de ter um ritmo de apenas dois anos, concentra muito trabalho burocrático num espaço de tempo muito curto.
Para além disso, na prática, tem-se prestado a apropriações indevidas e excessivas por parte das CCAD que definem critérios muito díspares entre agrupamentos.

2 – Quais são as alterações mais urgentes para o novo modelo?

A distensão dos ciclos de avaliação. A sistematização das aulas assistidas, numa fórmula em que as primeiras sejam observadas com objectivos mais formativos do que de classificação. A adequada formação dos avaliadores. O aligeiramento da carga burocrática. A uniformização dos critérios de classificação. O controle dos abusos por parte dos poderes instituídos nas escolas. E é imperativo que o modelo recompense as boas práticas dos docentes, independentemente de critérios administrativos. Isto significa que as classificações mais elevadas devem depender exclusivamente do desempenho dos docentes e não de quotas.

3 – Concorda com uma avaliação feita entre 3 a 4 anos? Porquê?

Sim, porque permite que o processo se desenrole com um ritmo mais adequado, acompanhando um ciclo de escolaridade completo ou mesmo mais, o que aligeira a concentração de tarefas em períodos de tempo curtos e, em algumas fases, em evidente sobreposição com tarefas importantes para alunos e professores (final dos ano lectivo).

4 – Os sindicatos pedem para que o actual modelo não tenha efeitos para concursos. Concorda?

Concordo e há muito o defendo, pois esta avaliação, pela forma desconexa como tem sido implementada, pelos seus sucessivos remendos, pela disparidade de critérios de avaliação entre escolas e agrupamentos, nunca deveria funcionar como factor de graduação profissional, permitindo a uma minoria subir a sua posição na lista ordenada para provimento de vagas.

5 – Qual é a sua expectativa para futuro em relação à avaliação?

Espero que o novo modelo seja claro, mais justo do que o actual, e que sirva para premiar efectivamente os melhores professores, não sobrecarregado as escolas com trabalho burocrático excessivo e que em nada ajuda à promoção das aprendizagens dos alunos.

Embora acredite que alguns, a acontecer, conseguissem achar defeito numa qualquer vírgula.

Crato pondera anular efeitos da avaliação nos contratados

Sindicatos dizem que Crato está “receptivo” a cancelar resultados da avaliação.

A avaliação dos docentes, aprovada pelo anterior Governo e ainda em vigor, está em vias de ser neutralizada nos concursos para professores contratados. Esta foi uma das principais reivindicações dos sindicatos de professores durante as primeiras reuniões com o novo ministro da Educação, Nuno Crato, segundo a Federação Nacional de Professores (Fenprof) e a Federação Nacional da Educação (FNE).

Em causa estão cerca de 35 mil professores contratados, que concorreram ao próximo ano lectivo, e que foram avaliados no actual sistema. Este modelo prevê que os professores com um resultado “muito bom” ou “bom” consigam um lugar à frente na lista nacional, sendo assim mais fácil a colocação numa escola.

Só um remoque final: não adianta a muita gente afirmar-se publicamente contra a ADD e contra a sua inclusão na graduação final mas depois, em privado, moverem-se como podem para que tudo continue.

Não esqueçamos o que aconteceu no ano passado e a forma nebulosa como certas coisas aconteceram e certos protagonistas se moveram.

Consta que este ano está pior e que a coerência e a decência na cara estão a um preço proibitivo.

 

… como sabemos nada disso se passa fora das escolas públicas.

A agenda colaborante entre a imprensa e certos desígnios políticos do momento começa a ganhar os contornos a que estamos habituados, só que agora em outras paragens. Aliás, o actual director do I é garantia de capacidade camaleónica, desde que lhe cheire a firmeza. MLR ofereceu-lhe bolachinhas, o que o converteu de imediato ao rodriguismo. Duvido que Crato o faça, mas… há quem nos territórios fronteiriços da Educação tenha uma agenda (demonstrar que há liberdade de escolha no privado, uma falácia bem construída, pois é aí que as pressões e seduções mais imperam) a desenvolver e há quem a a colha em nome da sobrevivência…

Pais que procuram a melhor educação para os filhos só podem ser trafulhas

Falsificar documentos, arrendar casas, abdicar da tutela dos filhos ou pressionar directores são esquemas usados para escolher a escola pública,

… isso significa que é errado dirigir quase todos os esforços para a inclusão e sucesso num sentido…

“Ensino normal não chega para os alunos como eu”

Miguel Santos, aluno do 10.º na Escola Secundária de Alcanena, sobre medalha de ouro nas Olimpíadas de Matemática.

Correio da Manhã – Esta medalha de ouro nas Olimpíadas indica que o País não está assim tão mal a Matemática?

Miguel Santos – Estes resultados são mais consequência do esforço individual de um grupo pequeno de alunos de topo apoiado pelo projecto delfos. No sistema de ensino ainda há um longo caminho a percorrer.

Não deixa de ser curiosas a forma como o herói não tem quaisquer pruridos em destacar um nicho vocacionado para a excelência, o projecto delfos, dizendo que o trabalho da escola regular não lhe serve.

Sendo ele a dizer acredito que não desperte as reacções acaloradas e contraditórias que despertaria se fosse outra pessoa a dizê-lo. Desde logo a acusação de elitismo. Gostaria de saber a opinião de certos sectores político-eduqueses a estas declarações…