Sexta-feira, 22 de Julho, 2011


Mail recebido por classificadores, reencaminhado a partir do respectivo agrupamento:

Exmo. Sr.(a) Director(a)

Prestes a iniciar a 2ª fase dos exames nacionais, venho agradecer, em meu nome e em nome do agrupamento que coordeno, toda a colaboração prestada pela Vossa instituição em todo o processo relativo à 1ª fase dos referidos exames.

Agradeço também que faça chegar a todos os docentes da Vossa Escola este agradecimento, dado terem sido igualmente parte fundamental do processo num período já de si desgastante e exigente.

Verificámos no entanto nesta 1ª fase, algumas lacunas que, sendo corrigidas contribuirão para um melhor trabalho.

Neste sentido, apelo a uma maior atenção, quer por parte dos vigilantes, quer por parte do Secretariado de Exames, para as seguintes situações:

  • ­ as duas rubricas dos professores vigilantes devem ficar no meio do espaço destinado de modo a que quando se proceda ao anonimato parte das referidas rubricas fique visível;
  • ­ os professores vigilantes devem verificar o preenchimento correcto e completo do cabeçalho, pelo aluno, em todas as folhas bem como o número de páginas utilizadas e respectiva versão (caso se aplique);
  • ­ assegurar o pleno anonimato, dado na primeira fase terem chegaram ao agrupamento algumas provas que identificavam o aluno e/ou a escola. Para tal, devem remover parte do cabeçalho em todas as folhas e certificar-se que o aluno não se identifica quer no cabeçalho fixo, quer nas respostas às questões, nomeadamente nas provas de línguas, se houver lugar à elaboração de alguma carta ou redacção;
  • ­ agrafar correctamente e por ordem as provas;
  • ­ não permitir que os alunos entreguem as provas com respostas elaboradas a lápis;
  • ­ preencher o registo das presenças e faltas, da mesma forma utilizada na 1ª fase, através do Google docs , (incluir o endereço) na primeira meia hora de prova, apelando ao cumprimento deste prazo, determinante para o rápido envio da informação para a Coordenação do JNE e também para uma célere selecção e convocatória dos professores classificadores que terão de levantar as provas no dia seguinte, não pondo em causa a comunicação a estes em tempo útil.

Relativamente ao processo de reapreciações que está a decorrer, o JNE determina que os documentos GAVE que foram distribuídos aos professores classificadores, não podem ser divulgados por serem material confidencial e muito menos podem servir de fundamentação ou alegação para o pedido de reapreciação, por parte do aluno. Assim apelo a uma cuidada leitura dos pedidos que entraram nas escolas, de forma a evitar indeferimentos futuros desses pedidos.

Cumprimentos,

Não é de agora, não é resultado de nenhuma teoria eduquesa, não é por causa das competências e dos valores que os professores são obrigados a atribuir às atitudes.

É mentira.

Até é com boas intenções, mas…

É aquela tendência para, em várias paragens, engordar a nota com que os alunos vão aos exames. Tal como os 8 se transformam em 10, também os 10 se transformam em 12 ou 13 e os 13 em 15 ou 16 e por aí acima.

Como disse, não é prática de agora, conheço-a desde os tempos de alunos.

No meu 12º ano, há quase três décadas, assisti ao vivo à inflação de notas no final do 3º período (ler estórinha no fim do post). Na altura a justificação era o numerus clausus e o empurrão que se devia dar aos alunos para ver se entravam na Faculdade. Coitadinhos, é melhor ajudá-los.

Ninguém falava em eduquês, não havia competências a valorizar. Ainda era a pré-história disso tudo. Do tipo Mesolítico. Chumbava pessoal que nem tordos até ao 9º ano, mesmo com a água-benta.

Por isso, não se venha agora dizer que as diferenças por vezes pasmosas entre avaliação interna e resultado em exames é resultados do espírito dos tempos e dos obstáculos colocados pelas teorias pedagogentas que infestaram o sistema de avaliação.

É mentira!

Um aluno de 12 não passa a ter 15 ou 16 por causa das atitudes. Na maior parte das escolas, as atitudes e etc valem 20-30, no máximo 40% da nota final. Um aluno de 12, com boas atitudes chega ao 13, 14 no máximo (70% x 12 dá 8,4, 16 x 30% dá 4,8, tudo junto dá 13,2 valores). Não dispara para um 16 ou 17. Deixemo-nos de tretas.

E é uma perversidade, em que os fins não justificam os meios.

E pode ser usada contra os professores, se algum dia um modelo de ADD se basear, mesmo que em parte, nos resultados dos alunos.

E também não vale a pena dizer que os alunos não se esforçam nos exames e por isso descem a nota. Se assim é, não há razão para valorizar as atitudes, correcto?

Portanto, deixemos de culpar o sistema por tudo e mais alguma coisa. A culpa também é nossa.

Estórinha final: fui aluno mediano (13-14) no 10 e 11º ano de Filosofia. Professores fracos (um gostava muito de anedotas, outra ia provar um ponto de vista para as aulas), desinteresse parcial meu. No 12º ano fui acolhido em outra Secundária com um 9,5 no primeiro teste, cortesia de um professor (colega alguns anos depois quando comecei a leccionar, para meu enorme embaraço) que hesitou em ficar-se pelo 9 que eu talvez merecesse. Deu-me um puxão de orelhas. Disciplinei-me e, era o arranque dos anos 80, não havia net, despachei vários volumes da agora empoeirada História da Filosofia do Nicola Abbagnano e vários livrinhos monográficos fininhos das Edições 70 (graças à biblioetca da escola e à da Gulbenkian na minha santa terrinha) sobre diversos filósofos. Desgostei Descartes e degustei Kant. Passei a ter sempre ou 18-18,5 até final do ano. A generalidade da minha turma do 3º curso ficava-se até aos 15-16. Na aula final de (já na altura) auto e heteroavaliação, eu era dos últimos, letra P numa sala com larga maioria de gente a começar por A, J e M. A certa altura percebi que alguém (não vale sequer a pena explicar as especificidades do caso) ia ter um 18 na disciplina. Fiquei descansado. Quando chegou a minha vez, disse que, atendendo ao que passara e embora eu achasse que merecia 17 no máximo, seria necessário ao professor dar-me 21. E sorri. Levei com um 19, para meu embaraço, pois sabia não o merecer em absoluto, mas apenas por tabela. Mas sai do exame com 19, na mesma, fruto de mais um par de semanas a engolir o que pudesse ler e entender sobre Kant, Fichte, Hegel, até o Nietzsche. Os 18 de colegas caíram para 12, quanto muito 14, por excesso de confiança. Já em História e Geografia não foi bem assim. O desastre foi maior. Mas nessa altura percebi que muitas vezes a injustiça na avaliação nasce do desejo de ajudar… E desperta reacções desencontradas. Entende-se a boa intenção, mas está errado.

No Parlamento. Sobre o imposto extraordinário que leva grande parte do subsídio de Natal. Em outros tempos escorreria sangue pelo ecrã da televisão.Nos tempos que correm, o tempo nem chega ao das televendas, tão fraquinho o nível dos protagonistas e argumentos.

Salvan-se a sobriedade do ministro das Finaças e a acutilância de Honório Novo. O PS está perdido, o Bloco idem e o PSD e o CDS encostam-se à maioria e mal se esforçam por querer parecer coerentes com as suas posições sobre política fiscal.

Badameco:

Nuno Crato – Mais do mesmo – Afonso Leonardo

De Rerum Natura:

Apelo ao Ministro Nuno Crato

Memória Recente e Antiga:

As evidências…

O Gato Maltês:

Matemática e Português

Como recompensa pelos serviços prestados e devido à escassez de cargos de destaque no Governo. Nogueira Leite vai para a CGD, só não se sabendo se irá para as mesmas funções que em tempos desempenhou Armando Vara, seu antigo colega de Governo durante o guterrismo.

« Página anteriorPágina seguinte »