Para além dos materiais já divulgados, tenho cerca de 20-25 documentos sobre a ADD enviados pelo Livresco a partir de uma pesquisa online. Tenho mais uma dezena de guias/manuais/orientações/directrizes que me foram enviado(a)s por mail e sei de muitas mais por conversas com colegas. O que faz um acervo de cerca de meia centena de exemplos.

Há de tudo: bom senso e equilíbrio, mas também delírio; há simplicidade e rigor q.b mas também complexidade bacoca. Os critérios  tanto podem ter um critério reconhecível como não se perceber se aterraram numa nave espacial.

Isto pode ser apresentado como resultado de uma autonomia desejada. Mas a mim parece-me mais o descambar do mau uso do livre arbítrio das CCAD e de algumas Direcções.

Este é o modelo remendado, herdado de uma equipa ministerial que deixou de governar muitos meses antes da demissão do Governo, beneficiando do beneplácito de um acordo com os representantes sindicais que, em nenhum momento, denunciaram concretamente estes atropelos, limitando-se pelos comunicados generalistas e os pedidos de reuniões.

Vários testemunhos sobre o decorrer do processo dão-me conta de atropelos diversos, quebras sistemáticas de regras mínimas de civilidade e respeito, já para não falar de ética profissional ou pessoal. Abusos de poder sobre avaliados, em especial contratados, incompetência declarada dos intervenientes no processo de observação de aulas, amiguismo e nepotismo às claras na atribuição de classificações.

É este o retrato de nós, afinal. Somos assim, como sociedade, como país, como microcosmos nacional e local. Mas o fatalismo e a resignação não podem ser as soluções, deixando que os predadores e os espertalhões assumam a condução das coisas, enquanto os acomodados ou receosos se calam para evitar problemas. Deixando isolados meia dúzia de gauleses que pensam que isto pode mudar.

Enquanto os abusos são sofridos e calados, apenas tartamudeados em conversas de amigos, como desabafos quase escondidos, os abusadores continuarão a sentir-se impunes, pavoneando o seu micro-poderzinho.

Esta ADD tem peças boas, exemplos maiores de respeito, competência e solidariedade, mas tem tantas ou mais de puro arbítrio, prepotência e incompetência.

E as coisas não podem, nem devem, ser deixadas assim apenas porque chegaram a este ponto.