Sábado, 16 de Julho, 2011


Guns’N’Roses, Knocking on Heaven’s Door

Cartoons de David Fitzsimmons, Ed Stein e Jimmy Margulies

Há uma obsessão pelos resultados nos exames e depois não se faz nada com eles para melhorar as aprendizagens

Ao contrário dos que acham que os exames não servem para nada, que servem para pouco ou que não são aproveitadas as conclusões que deles se podem extrair, eu sou favorável ao alargamento de exames, desde que feitos com uma base metodológica estável e critérios de classificação sem remendos ao fim de uma semana.

Desde logo acho importante, pelo menos no 6º ano, a introdução de exames em Inglês e no 9º ano na área das Ciências.

Depois, progressivamente, havendo meios, em História, Geografia e o resto.

Porquê?

Porque tivemos a introdução do Inglês no 1º CEB, mas quer-me parecer que foi mesmo para inglês ver. A miudagem chega ao 5º ano, em muitas zonas do país, com um mero amontoado de palavras aprendidas e pouco mais.

E se foi uma aposta estruturante, é bom que se saiba exactamente como anda a coisa.

Na área das Ciências, porque é outra das áreas essenciais do conhecimento.

Sendo eu de História, será que estou a desprezar a disciplina-mãe e aquela que em grande parte molda a forma como encaro isto tudo? Nem tanto… Apenas acho que sem uma intervenção mais funda nesta área (programas, carga horária), o que se anda a ensinar é um fio muito fininho de Ariane.

No caso da História, por acaso acho que é essencial mais carga horária para se fazer alguma coisa com sentido, pois mais do que uma disciplina prática, trata-se de uma narrativa essencial para a estruturação da nossa visão do mundo, para a preservação da Memória e para não perdermos a noção do que é ser humano. Enquanto se achar que isso se faz com 90 minutos semanais, está tudo estragado. Ou então, é bom que se perceba que aqui a articulação programática entre os 2º e 3º CEB deveria ser feita não pela sobreposição, mas pela continuidade dos conteúdos.

Por fim sublinhar que os resultados dos exames do 9º ano podem e devem servir de material de trabalho, em especial agora que se fala tanto da verticalização dos percursos educacionais, após a escolaridade obrigatória de 12 anos. Não adianta ver esses exames como o fim de um ciclo, mas sim como determinantes para a continuação dos estudos.

Agora mesmo, mesmo a acabar, para nos rirmos, as declarações daquele que deveria ser submetido a um qualquer tipo de exame, se possível à extensão dos disparates que lhe saem da boca, em especial nestes tempos em que anda desorientado por não ter o colinho habitual do ME:

“Deviam e não foram. É uma coisa que não se compreende: uma verdadeira fraude”, reage o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Albino Almeida, para quem há consequências políticas a extrair destes resultados: “Têm de se acabar os paninhos quentes, o director do Gave devia demitir-se, porque é como se os alunos estivessem a ser avaliados na sua capacidade para pilotar um avião quando a escola só os preparou para conduzir um automóvel”, desfere.

 

… aspectos relativos à ADD em Amares, publicados um par de posts abaixo. isto é tudo muito dinâmico… Pode estar online, mas está desactualizado.

51% favorável, quase 35% nem por isso. O resto não sabe.

Selecção com várias perspectivas  a partir da recolha do Livresco.

EMPIRISMO

Recolha do Livresco:

Como já disse, há exemplos de bom trabalho e exemplos de outras coisas.

Para além dos materiais já divulgados, tenho cerca de 20-25 documentos sobre a ADD enviados pelo Livresco a partir de uma pesquisa online. Tenho mais uma dezena de guias/manuais/orientações/directrizes que me foram enviado(a)s por mail e sei de muitas mais por conversas com colegas. O que faz um acervo de cerca de meia centena de exemplos.

Há de tudo: bom senso e equilíbrio, mas também delírio; há simplicidade e rigor q.b mas também complexidade bacoca. Os critérios  tanto podem ter um critério reconhecível como não se perceber se aterraram numa nave espacial.

Isto pode ser apresentado como resultado de uma autonomia desejada. Mas a mim parece-me mais o descambar do mau uso do livre arbítrio das CCAD e de algumas Direcções.

Este é o modelo remendado, herdado de uma equipa ministerial que deixou de governar muitos meses antes da demissão do Governo, beneficiando do beneplácito de um acordo com os representantes sindicais que, em nenhum momento, denunciaram concretamente estes atropelos, limitando-se pelos comunicados generalistas e os pedidos de reuniões.

Vários testemunhos sobre o decorrer do processo dão-me conta de atropelos diversos, quebras sistemáticas de regras mínimas de civilidade e respeito, já para não falar de ética profissional ou pessoal. Abusos de poder sobre avaliados, em especial contratados, incompetência declarada dos intervenientes no processo de observação de aulas, amiguismo e nepotismo às claras na atribuição de classificações.

É este o retrato de nós, afinal. Somos assim, como sociedade, como país, como microcosmos nacional e local. Mas o fatalismo e a resignação não podem ser as soluções, deixando que os predadores e os espertalhões assumam a condução das coisas, enquanto os acomodados ou receosos se calam para evitar problemas. Deixando isolados meia dúzia de gauleses que pensam que isto pode mudar.

Enquanto os abusos são sofridos e calados, apenas tartamudeados em conversas de amigos, como desabafos quase escondidos, os abusadores continuarão a sentir-se impunes, pavoneando o seu micro-poderzinho.

Esta ADD tem peças boas, exemplos maiores de respeito, competência e solidariedade, mas tem tantas ou mais de puro arbítrio, prepotência e incompetência.

E as coisas não podem, nem devem, ser deixadas assim apenas porque chegaram a este ponto.

  • No trabalho na sala de aulas de alunos e professores.
  • Em torno do conhecimento a transmitir e das aptidões a desenvolver.
  • Na relação pedagógica que permite a propagação de aprendizagens significativas e cientificamente correctas.
  • Na verificação de que isso se passa. Que cada um cumpre aquilo que é suposto estar a fazer numa Escola.

Eu acho que concordo.

Claro que há quem ache que tudo deve ser muito fofinho. Mas só fofinho não chega.

Documentos online. Cada sítio seu uso.

Em Amares usa(va)-se o critério da assiduidade com base no 102, o número de horas de formação e o exercício de cargos no Agrupamento. Nada disto está regulamentado desta forma a nível nacional.

Na Secundária Pedro Alexandrino os critérios são totalmente diferentes. Não percebo bem o que é o grau de habilitação profissional mais elevado… penso que a terminologia não é bem…

Já no Agrupamento Inês de Castro a abordagem é mais convencional:

O que está aqui em causa nem sequer é o direito de cada CCAD pensar por si. O que está em causa é isto ter resultado em critérios perfeitamente díspares (e por vezes disparatados) a aplicar a pessoas que, em seguida, entram no mesmo concurso, competindo directamente com base em bonificações alcançadas com o critério X ali e com o Y acolá.

Recolha do Livresco.

 

When you’re young when you’re young
Yea you’re just a teenager
Wait little chump
yea you wait a little later
Grow up you grow up
and keep all the anger
Come in a lover
you’re leaving a hater

ouvi, ouvi este poeta ignorado
que cá de longe fechado numa gaveta
no suor do século vinte
rodeado de chamas e de trovões,
vai atirar para o mundo
versos duros e sonâmbulos como eu.
Versos afiados como dentes duma serra em mãos de injúria.
Versos agrestes como azorragues de nojo.
Versos rudes como machados de decepar.
Versos de lâmina contra a Paisagem do mundo
— essa prostituta que parece andar às ordens dos ricos
para adormecer os poetas.

Fora, fora do planeta,
tu, mulher lânguida
de braços verdes
e cantos de pássaros no coração!

Fora, fora as árvores inúteis
— ninfas paradas
para o cio dos faunos
escondidos no vento…

Fora, fora o céu
com nuvens onde não há chuva
mas cores para quadros de exposição!

Fora, fora os poentes
com sangue sem cadáveres
a iludiremos de campos de batalha suspensos!

Fora, fora as rosas vermelhas,
flâmulas de revolta para enterros na primavera
dos revolucionários mortos na cama!

Fora, fora as fontes
com água envenenada da solidão
para adormecer o desespero dos homens!

Fora, fora as heras nos muros
a vestirem de luz verde as sombras dos nossos mortos sempre
de pé!

Fora, fora os rios
a esquecerem-nos as lágrimas dos pobres!

Fora, fora as papoilas,
tão contentes de parecerem o rosto de sangue heróico dum
fantasma ferido!

Fora, fora tudo o que amoleça de afrodites
a teima das nossas garras
curvas de futuro!

Fora! Fora! Fora! Fora!

Deixem-nos o planeta descarnado e áspero
para vermos bem os esqueletos de tudo, até das nuvens.
Deixem-nos um planeta sem vales rumorosos de ecos húmidos
nem mulheres de flores nas planícies estendidas.
Uma planeta feito de lágrimas e montes de sucata
com morcegos a trazerem nas asas a penumbra das tocas.
E estrelas que rompem do ferro fundente dos fornos!
E cavalos negros nas nuvens de fumo das fábricas!
E flores de punhos cerrados das multidões em alma!
E barracões, e vielas, e vícios, e escravos
a suarem um simulacro de vida
entre bolor, fome, mãos de súplica e cadáveres,
montes de cadáveres, milhões de cadáveres, silêncios de cadáveres
e pedras!

Deixem-nos um planeta sem árvores de estrelas
a nós os poetas que estrangulamos os pássaros
para ouvirmos mais alto o silêncio dos homens
— terríveis, à espera, na sombra do chão
sujo da nossa morte.

[José Gomes Ferreira]