Era uma vez um doente, doentinho, ‘tadinho, a quem foi diagnosticada uma doença muito grave que implicava a amputação de um braço e uma perna.

Insatisfação, consternação e muita indignação.

A equipa médica responsável pela proposta de tratamento, foi afastada.

Gritaria generalizada, que quem viesse a seguir ainda era capaz de querer amputar mais. Escarecéu todos os dias, à moda da carpideira mediterrânica, só faltando arrepelar os pelos do buço.

Algum tempo depois veio outra.

Avaliou o doente e disse-lhe que, mesmo com alguma perda de sensibilidade dos dedos e dos pés, eventualmente amputando alguns dedos, poderia manter a perna e o braço sem amputação total. Pelo menos por mais um ano poderia andar e comer pelos seus meios.

Parte da família do doente protestou: a bata dos médicos tinha uma cor que não lhes agradava.

Assinado: Carteiro Paulo