Na Visão de 5ª feira vem uma peça (pp 42 e uma pontinha da 44) não muito relevante em si mesma sobre os bloguers que estarão a chegar ao poder, usando como exemplos o novo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira do Desmitos que está desde 18 de Junho em pausa, um dos novos assessores de Miguel Relvas, o João Gonçalves do Portugal dos Pequeninos que continua activo, e ainda Miguel Morgado, assessor político de Passos Coelho, do super-colectivo Cachimbo de Magritte.

Como problema, o facto de ser possível encontrar no calor diário dos posts poucas ou muitas coisas que agora serão capazes de embaraçar estes bloguers nas suas novas funções e obediências.

O tema é apenas friccionante q.b., mas merece um pouco de atenção, porque se misturam coisas bem diferentes no mesmo saco, saco esse a que eu chamaria Geração Galamba, a partir de João Galamba, o deputado encontrado em 2009 pelo PS no Jugular.

Sinceramente, acho que quem escreve em blogues o faz por inúmeras razões, a principal delas fazer-se ouvir/ler. O resto é treta. Se o faz com base em convicções ou ambições é outra conversa. Se o faz com uma agenda política meramente teórica ou com objectivos práticos, se o faz como diletante sem pretensões ou como candidato a qualquer coisa é todo um outro campeonato.

Aquilo a que eu chamo Geração Galamba corresponde aos bloguers que têm uma agenda que mistura a moderada convicção política com a evidente ambição pessoal de chegar a algum lado. Usam a blogosfera como outrora (anos 90) houve quem usasse a imprensa, em especial o Independente (à direita) e, em muito menor escala o (à esquerda).

É gente na casa dos 30 anos, com currículo profissional escasso, embora por vezes com verniz académico numa universidade de maior ou menor prestígio, mas com uma auto-estima em alta e a convicção de quem um destino qualquer está à sua espera.

Na falta de um lugar de primeira fila, acomodam-se – enquanto esperam – ao papel de cortesãos, assessores, chefes de gabinete, consultores. Frequentam a corte, sussurram ao ouvido dos que têm o poder de mando, sentem-se bem por influenciarem e por acharem que estão num processo ascensional em direcção a algo mais do que fazer mera opinião publicada na imprensa (outra derivação comum). É natural. Se assim não fosse, nem existiriam os tais super-colectivos bloguísticos que dominam a geografia (quase fixa) da blogosfera política nacional.

Mas há quem escreva pelo que parecem ser convicções, idiossincrasias muito particulares, pancadas específicas, prazeres especiais.

Era nesse saco que eu incluía o João Gonçalves. Nunca me passou pela cabeça que ele se deixasse confundir com a Geração Galamba, tanto pela idade como pelo trajecto, não esquecendo a qualidade própria do pensamento e da escrita (gostemos mais ou menos).

Mas, cada vez mais acredito nisso, a Geração Galamba é um estado de espírito.