… a praticam quando dá jeito. Quando os que se encrespam com ataques ad hominem os fazem sem nenhum problema quando lhes dá jeito.

Eu sei que é mais simples assim, dizer uma coisa quando lhes arde e outra quando querem que arda a outrem.

Mal por mal, aqui pratica-se a crítica a ideias e pessoas, conforme essas merecem crítica. Não se pratica e depois diz-se que não. Se é para ir ao osso, vai-se ao osso. Se é para elogiar, elogia-se. Não se pratica o calculismo como modo de vida. Até porque, como todos os anos escrevi e disse, sei o que estarei a fazer a 1 de Setembro seguinte e faço-o por gosto, não por imposição ou frustração.

Isto vem a propósito do novo ME, de reacções blogosféricas, mediáticas e circulações por mail no sentido da multiplicação de efeitos.

Eu concretizo: o novo ME anunciou até agora uma medida (suspensão para reavaliação do processo de encerramento de escolas) e duas orientações (revisão da ADD sem suspensão imediata e necessidade de concentrar o currículo dos 2º e 3º CEB).

Mais nada foi anunciado ou feito nesta semana ou duas de Governo.

A medida anunciada é positiva. Das duas orientações uma é igualmente positiva e outra é muito ambígua em relação a uma promessa eleitoral do PM, pois não explica se esta ADD é mesmo para levar (pouco) a sério até 31 de Dezembro.

Perante isto notam-se reacções muito personalizadas, contra (Crato e Passos Coelho) e a favor (de Santana Castilho, putativo ME que o não foi).

Em alguns sectores (sindicais, principalmente, mas também da esquerda pedagógica) fofinha concentram-se as críticas em Nuno Crato ainda antes de ele ter feito alguma coisa (bastaria recuar a 2005 para perceber como a pressa em intimidar ia acabando com corte de orelhas e rabo aos experimentados lutadores). Em alguns sectores próximos do PSD, evitando-se a afronta a Crato (afinal, ainda há esperança de alguma coisa), para se concentrarem as críticas em Passos Coelho, por ter alegadamente frustrado as esperanças de uma pessoa conduzir os destinos da Educação Nacional.

Sobre as medidas concretas – ainda quase inexistentes – pouco se diz e acena-se com as imposições da troika (mas, afinal, não existiam antes, quando alguém elaborou um não-programa?) que, afinal, não se confirmam, por exemplo, na aceleração da concentração da rede escolar.

Não me cumpre aqui fazer o papel de carteiro de ninguém – e já devolvi ontem o que tinha a devolver ao emérito autor da alcunha, a quem decidi crismar de bigodim do Norte como contrapartida (sim, Luís, esta é para ti) -, mas é impossível não reparar até que ponto a fulanização substituiu qualquer debate em torno das medidas concretas. Logo em quem, no passado, se fez muito purista nessas matérias.

Para finalizar, um pensamento abstracto ou nem tanto (sim, Octávio, esta é para ti mesmo que digas, com a habitual dose de arrogância, que não passas por aqui): se há quem esteja mesmo muito visceralmente contra a ADD e queira apontar-se como exemplo de contestação, por favor, esclareça o público se até ao momento aceitou cumprir as regulamentações destinadas a relatar colegas e se as continua a cumprir, apenas com reserva mental. Se conseguiu livrar-se disso, tanto melhor.

Eu esclareço desde já que entreguei o meu RAA e nem sequer estou para pensar muito nisso. Mas não ando a fazer declarações pópovo divulgar.

Não falo de relatores sem grande poder de embate contra nomeações impostas por direcções mais ou menos abusivas, falo de relatores ilustres e muito cheios de si mesmos, antes e depois. Mas que o fazem durante. Válido também para chicos-guerreiros, que se acham melhores relatores do que os outros.

Disclaimer final: se eu podia não ter escrito este texto? Claro que sim, mas não era a mesma coisa. Era fingir que não via, lia ou ouvia. Era fingir que existe unidade onde ela não há. Era fingir que as clivagens e fracturas não se aprofundaram mais e mais ao longo do tempo. Como não acho que seja ao esconder os podres da família que se consegue alguma concórdia ou unidade funcional consistente, prefiro desde já deixá-las à vista.

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