É nestes momentos que se nota que o Ramiro está do lado de fora do quotidiano escolar e que, afinal o velho profavaliação era um pretexto.

É claro que a ADD não é o problema central da Educação em Portugal. O que não torna menos urgente a sua resolução, até como sinal de boa vontade para com uma classe docente a quem vão ser pedidos mais sacrifícios e esforços.

Mas, tudo bem, não seria difícil colher declarações do Ramiro contrárias a esta que se segue, nem será difícil encontrá-las no futuro. Chama-se a isto evolução (do pensamento) na continuidade.

Faz bem Nuno Crato não se deixar aprisionar pelas matérias do estatuto da carreira docente e da avaliação de professores. Há tempo para cuidar delas em estreita negociação com os representantes dos docentes que são, como é sabido, os sindicatos. É assim no nosso regime constitucional: há matérias legislativas que obrigam a processos negociais. E o ministério da educação negoceia com os sindicatos. Não negoceia com blogueiros nem como grupos de pressão por mais justos e influentes que eles sejam.
Há, portanto, que saber esperar. Um processo negocial em torno de uma matéria tão fraturante exige tempo e serenidade. Os professores suportaram um modelo de avaliação injusto durante quase quatro anos. Custa assim tempo esperar mais seis meses?
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Claro que eu podia fingir que não li, que não dei por nada (como é o caso de um mail que circula por aí com uma posição na inversa da do Ramiro, a apelar à suspensão imediata da ADD por parte de quem aceitou fazer parte do aparato relator), em nome de uma concórdia que não existe, mas não seria a mesma coisa, estaria a trair aquilo em que acredito e, fundamentalmente, a frontalidade devida a todos os que por aqui passam em busca de clareza e não de ziguezagues.
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Concordo em muita coisa com Nuno Crato e mantenho alguma crença pessoal em Passos Coelho, mas isso não me impede de ser coerente com o que afirmei há meses, semanas, apenas dias…