Ao contrário do que alguns gostam de dar a entender, por eduquês não se devem entender práticas pedagógicas destinadas a dar uma atenção diferenciada aos alunos e a diversificar as estratégias de transmitir conhecimentos, competências e atitudes aos alunos, por forma a eles melhor conseguirem assimilar o que deles se espera ou que aos mesmos garante sucesso nas aprendizagens (e aqui já teríamos um mundo imenso de debate para a verborreia eduquesa).

Por eduquês entende-se, antes de outra coisa, um discurso nevoento sobre a realidade observável, envolvendo-a num manto de (auto)referências e num aparato de pretensa erudição, cujo objectivo essencial é legitimar políticas que assegurem o sucesso através da recusa da utilização de um qualquer padrão que sirva para medir (palavra horrível para muitos) o desempenho dos alunos.

A obra que em seguida apresento (não é por acaso que é coordenada pelo autor de uma das obras do post anterior e contém um artigo do autor de outra) é apenas uma entre muitas passíveis de serem usadas como exemplificadoras deste tipo de discurso, com matizes mais suaves ou mais densas.

Escolhi uma longa citação do artigo de A. M. Magalhães e Stephen Stoer que se pode encontrar nas páginas 37 e 38 da obra. É longa e espirala em torno de si mesma, podendo resumir-se a «tomem atenção às diferenças (culturais, sociais) dos alunos, respeitem-nas e tentem ensiná-los como indivíduos e não como peças de uma engrenagem».

Eu acho que era mais simples, mas citar Rorty (faltou Habermas) é mais giro.