Domingo, 3 de Julho, 2011


Siouxsie and the Banshees, Kiss Them For Me

Jim Morrison.

O não encerramento de escolas abre os noticiários dos três canais

Recolha do Calimero Sousa.

Sócrates ganhou 600 mil euros e não poupou nada

O ex-primeiro-ministro não tem depósitos a prazo, à ordem ou qualquer Plano Poupança Reforma.

Um Doutor entre os meninos (ou de como nem tudo o que parece é)

 (Os pontos nos ii)

 

O Paulo Guinote teve a amabilidade de postar no “Umbigo” um texto meu que alude à estreia parlamentar de Nuno Crato. Nesse texto são referidos dois episódios da minha vida com cerca de trinta anos de distância um do outro – o mais recente ocorreu, se bem me lembro, na Primavera de 2006, não posso precisar a data, e tratou-se de uma reunião informal na sede do PS no Largo do Rato entre professores, sindicalistas docentes militantes do PS e a então Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Nessa altura integrava, sem qualquer cargo executivo, a Direcção do SPGL e fui convidado para essa reunião por outros dirigentes sindicais igualmente militantes do PS. Obviamente a Direcção do SPGL, enquanto entidade orgânica, nada teve que ver com esse “Encontro” onde também nada foi negociado, tratou-se apenas de tentarmos, nós professores filiados no PS, entender o furioso e inusitado ataque que o Governo de Sócrates desferiu contra os docentes quando durante a campanha eleitoral de 2005 nada o faria esperar, Sócrates até foi recebido com todas as honras e esperanças na Fialho de Almeida.

O episódio mais antigo, evoca uma conversa havida na Cantina Velha da Cidade Universitária em Lisboa nos idos do Outono de 1975.

Ambos servem no texto para ilustrar duas teses, a primeira sobre a confusão entre a esquerda propalada e a política de direita realizada; a segunda sobre a discrepância entre uma certa estatística e uma certa realidade.

Nada disto parece ter sido entendido por alguns atentíssimos “comentadores” do Blog, que enquistados em “fait divers”, não leram, antes tresleram, o texto e vai daí ao chorrilho de processos de intenção, foi um “ver se te avias”.

Devo ser muito “naif” para não perceber como pode gente que se esconde em “nicks “ e não me conhece de lado nenhum, destilar tanta bílis. Mas apresento-me:

Chamo-me António José Carvalho Ferreira, tenho 55 anos, fundei a Secção do PS no Barreiro em 29 de Abril de 1974, sou professor da Escola Pública desde 76/77, fui membro de uma Assembleia Municipal entre 1989 e 2009 e membro dos Corpos Gerentes do SPGL, de que sou sócio desde 1977, entre 2000 e 2009. Por “ser do contra” fui “saneado “das listas do PS para a autarquia, por “ser do PS” sou atacado por gente que nem sequer sabe quem eu sou, mas que é doente do espírito com certeza, sofrendo de “maniqueíte” aguda. Fui dos que desfilaram nas manifs. (a dos 100000 e a dos 120000) com o cartão do PS ao alto, fui dos que fizeram todas as greves contra a hostilidade dos “camaradas” do Partido; os meus textos e intervenções públicas atestam o que penso da política “des”educativa dos Governos Sócrates I e II. Nunca tive tachos, vivo do meu trabalho e estou, por isso, como muitos concidadãos, mais pobre do que há 20 anos; tenho felizmente amigos, mas daqueles a sério, não é na política; não tenho “patrões “, a não ser o Estado e só na profissão; quem me conhece sabe que não traio, nem nunca traí e tenho, por ter escrito o que penso, que aturar uns “abencerragens” a chamar-me tudo, menos pai.

 Era só o que mais faltava.

“Quousque tandem”?

Ponte que os partiu!

António José Ferreira

Confederação independente de pais congratula-se com reavaliação da rede escolar

Fenprof defende que Governo deveria reabrir algumas das escolas com poucos alunos

FNE concorda com suspensão de fecho de escolas

Afinal há escolas que vão mesmo ter de fechar

… só não achou foi o pote de ouro.

Mário Nogueira disse, ainda na RTPN, que uma coisa é uma pessoa opinar sobre Educação em escritos, outra ser ME e colocar em prática as ideias contidas nos livros escritos.

Pois…

Eu também acho que uma coisa é uma pessoa opinar sobre os anseios dos professores em comunicados, outra ser professor com horário completo e testar na prática os conselhos contidos em tomadas de posição de gabinete.

Suspender e reavaliar o encerramento de escolas do 1º CEB e a constituição de novos mega-agrupamentos é uma boa decisão. Os mas de Mário Nogueira na RTPN há pouco eram desnecessários. Só facto de travar, mesmo que seja temporariamente, este disparate é uma boa notícia e a prova de que o acordo com a troika não implica continuar necessariamente com esta política cega e indiferenciadora.

No resto MN até esteve bem, mesmo quando juntou os 6 anos de Sócrates no mesmo embrulho, quando sabemos que o último ano e meio foi de namoro da Fenprof com o ME.

Já não bastava ter sido escrito em 20o8, era necessário Ricardo Arroja repescá-lo, com orgulho, em 2011.

Eis parte de uma visão absolutamente caricata do que deve ser a Educação e o trabalho sustentado entre alunos e professores:

Tudo isto é demasiado disparatado. Desde a forma automática (e não demonstrada) como se determina a “elite da corporação” até tudo o mais.

isto não existe em lado nenhum do mundo – em particular uma avaliação deste tipo baseada numa rotação anual de professores – mas como demos novos mundos ao mundo, também podemos inovar no disparate (e temos algumas competências na área…).

Também não mereceria grande atenção, caso do Insurgente não tivesse saído já um governante e outros candidatos não andassem por lá perfilados.

É nestes momentos que se nota que o Ramiro está do lado de fora do quotidiano escolar e que, afinal o velho profavaliação era um pretexto.

É claro que a ADD não é o problema central da Educação em Portugal. O que não torna menos urgente a sua resolução, até como sinal de boa vontade para com uma classe docente a quem vão ser pedidos mais sacrifícios e esforços.

Mas, tudo bem, não seria difícil colher declarações do Ramiro contrárias a esta que se segue, nem será difícil encontrá-las no futuro. Chama-se a isto evolução (do pensamento) na continuidade.

Faz bem Nuno Crato não se deixar aprisionar pelas matérias do estatuto da carreira docente e da avaliação de professores. Há tempo para cuidar delas em estreita negociação com os representantes dos docentes que são, como é sabido, os sindicatos. É assim no nosso regime constitucional: há matérias legislativas que obrigam a processos negociais. E o ministério da educação negoceia com os sindicatos. Não negoceia com blogueiros nem como grupos de pressão por mais justos e influentes que eles sejam.
Há, portanto, que saber esperar. Um processo negocial em torno de uma matéria tão fraturante exige tempo e serenidade. Os professores suportaram um modelo de avaliação injusto durante quase quatro anos. Custa assim tempo esperar mais seis meses?
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Claro que eu podia fingir que não li, que não dei por nada (como é o caso de um mail que circula por aí com uma posição na inversa da do Ramiro, a apelar à suspensão imediata da ADD por parte de quem aceitou fazer parte do aparato relator), em nome de uma concórdia que não existe, mas não seria a mesma coisa, estaria a trair aquilo em que acredito e, fundamentalmente, a frontalidade devida a todos os que por aqui passam em busca de clareza e não de ziguezagues.
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Concordo em muita coisa com Nuno Crato e mantenho alguma crença pessoal em Passos Coelho, mas isso não me impede de ser coerente com o que afirmei há meses, semanas, apenas dias…

Ao contrário do que alguns gostam de dar a entender, por eduquês não se devem entender práticas pedagógicas destinadas a dar uma atenção diferenciada aos alunos e a diversificar as estratégias de transmitir conhecimentos, competências e atitudes aos alunos, por forma a eles melhor conseguirem assimilar o que deles se espera ou que aos mesmos garante sucesso nas aprendizagens (e aqui já teríamos um mundo imenso de debate para a verborreia eduquesa).

Por eduquês entende-se, antes de outra coisa, um discurso nevoento sobre a realidade observável, envolvendo-a num manto de (auto)referências e num aparato de pretensa erudição, cujo objectivo essencial é legitimar políticas que assegurem o sucesso através da recusa da utilização de um qualquer padrão que sirva para medir (palavra horrível para muitos) o desempenho dos alunos.

A obra que em seguida apresento (não é por acaso que é coordenada pelo autor de uma das obras do post anterior e contém um artigo do autor de outra) é apenas uma entre muitas passíveis de serem usadas como exemplificadoras deste tipo de discurso, com matizes mais suaves ou mais densas.

Escolhi uma longa citação do artigo de A. M. Magalhães e Stephen Stoer que se pode encontrar nas páginas 37 e 38 da obra. É longa e espirala em torno de si mesma, podendo resumir-se a «tomem atenção às diferenças (culturais, sociais) dos alunos, respeitem-nas e tentem ensiná-los como indivíduos e não como peças de uma engrenagem».

Eu acho que era mais simples, mas citar Rorty (faltou Habermas) é mais giro.

Os exemplos poderiam ser outros, pois as referências são variadas. Colhi estes porque estavam mais à mão na estante. Fazem parte da corrente de sociologia da Educação que a partir dos anos 50 na Inglaterra e dos anos 60 nos EUA e França, acusaram o sistema de ensino de reproduzir desigualdades, de estar formatado para servir os interesses das classes dominantes e manter as classes dominadas num estado de apatia e controle ideológico, através de mecanismos de classificação e selecção em ambiente escolar.

Foi uma corrente que, em especial nos anos 70, se cruzou com a denúncia do neocolonialismo, etc, etc. Podemos sempre afirmar que, apesar do olhar ideológico comprometido, as intenções de emancipação dos oprimidos eram as melhores.

Uma coisa é certa: ainda escreviam com clareza o que pensavam e ao que vinham. Ler estas obras é um exercício relativamente simples, mesmo para leigos e mesmo que discordemos de algumas passagens e raciocínios.

Isto não se confunde com o que, mais tarde, se convencionou chamar eduquês. Apenas forneceu as bases teóricos e a contextualização histórica para uma evlução específica do discurso pedagógico.

Encerramento de escolas suspenso por ministro
Nuno Crato quer que seja reavaliada a situação de mais de 650 instituições que têm menos de 21 aluno
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ANMP: “É razoável a suspensão do encerramento das escolas até ao ano lectivo de 2012”

Municípios aplaudem suspensão de fecho de escolas

… é saber que currículo existirá, ao certo, no próximo ano lectivo. O acerto de datas é, quase sempre, mínimo de ano para ano lectivo. Já a reorganização curricular em suspenso nos 2º 3º ciclos do Ensino Básico em consequências directas na carga horária semanal dos alunos e é essencial para determinar quantos professores são necessários ou não. Para além de que, assim, não se podem  fazer os horários das turmas nem dos professores, nem sequer um cálculo de quantos contratados permanecem ou saem do sistema.

Pelo que é para ontem definir-se se ficamos, por enquanto, como estamos, se há alterações e, em termos globais, em que sentido serão.

Se querem reforçar o Português e a Matemática, desdobrem com clareza o Estudo Acompanhado e recuperem as aulas de Apoio Pedagógico Acrescido para os alunos com dificuldades globais de aprendizagem e organização dos métodos de estudo e dos materiais de trabalho. E aproveitem e, com a eliminação da Área de Projecto, permitam que as escolas distribuam essas horas pelas restantes disciplinas (Inglês, História, Ciências, etc).

Mesmo assim poupam bastante, pois estas disciplinas eram leccionadas em par pedagógico no 2º ciclo, enquanto reforçam o chamado core curriculum, tal como julgo que o novo ME o concebe.

… sobre o subsídio de Natal de milhões de portugueses e promete apresentar em 15 dias a solução técnica para todos os casos possíveis também deve ser capaz de anunciar um novo modelo de avaliação de desempenho para 140.000 docentes e, em 15 dias, apresentar a solução técnica.

Colbert Super PAC – Addresses Colbert Super Nation – The Colbert Report – 6/30/11 – Video Clip | Comedy Central.

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