Mas então a execução orçamental não ia de vento em popa? Mas então as medidas da troika não eram suficientes? Mas é assim que acham que existirá alguma retoma com base na procura interna?

É estimável a clareza do discurso, mas parece-me que a fundamentação carece de muita coisa. Desde logo porque já foram anunciadas medidas contra as quais PSD e CDS se tinham manifestado frontalmente contra (redução das deduções na Saúde e Educação) e outras sobre as quais houve polémica (ajustamentos no IVA).

Será que há a coragem de avançar, mesmo contra a vontade de Belém, para uma auditoria externa às contas do Estado e ao défice de 2010 e anunciado para 2011?

Sem esse tipo de esclarecimento, que demonstre de forma cabal o que se passa nas nossas finanças públicas, este tipo de medida não é aceitável.

Não basta dizer que faz falta e, de forma vaga, porquê. Neste momento precisamos de demonstração clara do que se tem passado e se passa.

Doa a quem doer. Não apenas a quem é apresentada a conta. Que são sempre os mesmos. Quem pede o sacrifício é que muda.

Passos anuncia imposto extraordinário sobre subsídio de Natal

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou hoje uma contribuição especial para o ajustamento orçamental, em sede de IRS, equivalente a 50 por cento do subsídio de Natal acima do salário mínimo nacional. Apenas vigorará este ano.

Já agora, espero que a redução salarial que o anterior Governo impôs aos funcionários públicos, também só vigore um ano. A menos que a constitucionalidade destas coisas seja de geometria variável e conforme o presidente da República ache por bem mandar fiscalizar.

Se querem que paguemos as asneiras alheias, o mínimo é dar algo em troca e o mínimo são explicações e a reposição da legalidade.