… pedir sempre mais e dar nada em troca.

A questão da ADD no contexto actual de congelamento das progressões não tem qualquer impacto orçamental.

É uma questão política.

Ao optar por não suspender este modelo de ADD, cumprindo o prometido há tão pouco tempo, o Governo faz, de novo, o que se criticou a Aguiar Branco em Novembro de 2009.

A confirmar-se, é uma evidente péssima primeira impressão feita àqueles a quem vai, de novo, ser pedido mais em troca de nada.

Mesmo sendo um processo legislativo com algumas complicações, a suspensão desta ADD e dos seus efeitos (os asteriscos, por exemplo) era um sinal de boa vontade.

Deste modo, para evitar críticas de cedência ao fantasmagórico poder corporativo dos professores, o Governo, Pedro Passos Coelho e Nuno Crato, cederam ao poder corporativo de um punhado escasso de opinadores, acantonados em alguma comunicação social, assim como àquela coligação de geometria alargada que encheu a Almedina do Saldanha no lançamento do livro de Maria de Lurdes Rodrigues.

Como é fácil notar, não gosto de usar adjectivações coloridas para classificar actos descoloridos. Isso fica para outros quadrantes.

Mesmo não sendo completamente inesperado, para mim, que raramente desisto de algo e nunca quando estou convicto, acho que este tipo de rendição póstuma a Sócrates era desnecessário.