Foi a forma mimosa como Daniel Oliveira designou, ao início da madrugada, no Eixo do Mal, o indigitado ministro da Educação.

Parece que é por causa das opiniões pouco fofinhas de Nuno Crato sobre a forma como deve ser encarada a Escola, o Ensino, a Educação.

Daniel Oliveira disse isto ao lado de Rui Ramos, um exemplo de não-taliban nestas matérias. Como já dissera muitas coisas, ao lado de Pedro Marques Lopes, admirador confesso de Maria de Lurdes Rodrigues e defensor da linha mais dura nestas matérias.

O que lhes chamaria Daniel Oliveira se fossem para ministros?

Nada. Porque são amigos. Os amigos não são talibans. Muito menos se pagos pelo mesmo patrão filantropo, esse vulto do não-liberalismo que é Francisco Balsemão, o anfitrião nacional do clube Bildeberg.

Daniel Oliveira está feliz, cada vez mais feliz, no seu papel de esquerdista na lapela de Balsemão, papel outrora desempenhado com garbo por Louçã, enquanto foi novidade.

Daniel Oliveira está no seu direito. De ter opiniões e, felizmente, de as poder amplificar via o Luta Operária, desculpem, o Expresso e a SIC. Mas poderia ter o decoro de não nos fazer passar por parvos.

Daniel Oliveira tem existência palpável, profissional, fora do conglomerado Impresa?

Daniel Oliveira tem ideias não-taliban sobre Educação?

Que tem um problema grave de complexo de inferioridade académica, é notório, tantas vezes repete que não é doutor.

Não é. Primeiro seria preciso ser licenciado. Só que isso, não interessando, não precisa de ser assunto de conversa. Se é e tantas vezes, revela algo.

Que Daniel Oliveira só gosta de professores fofinhos, inclusivos, nhónhónhó, já sabemos desde o episódio em que condenou publicamente, com base num curto vídeo, como impreparada, a professora do Carolina Michaelis daquele triste episódio do telemóvel.

Daniel Oliveira sabe sempre muita coisa porque – como no mesmo programa explicou – um político faz-se ao longo de décadas. Como ele. Que em tempos se designava como jornalista no de Miguel Portas. No que, talvez, alguns considerassem jornalismo-taliban se fossem tão preconceituosos como ele com as pessoas de quem discorda.

Daniel Oliveira abomina (teoricamente) um modelo de escola onde se cultive o trabalho, a disciplina e a avaliação.

Mas aposto que na prática é aquilo que deseja e defende para os seus.

Como eu.

Só que eu alinho a teoria e a prática pelos mesmos princípios.

Quero para os meus alunos o mesmo que desejo para a minha filha: escolas seguras, rigorosas, onde se cultive o trabalho e a diversão possível. Onde o professor é amigo, mas não deixa de ser professor. Onde é natural o conflito, a divergência, o confronto de opiniões, o espírito crítico. Mas com respeito mútuo. Entre os alunos, entre eles e os professores, entre estes. Entre todos os agentes educativos. Incluindo os pais.

O que exclui um papá que designe como taliban alguém que pense como eu.

Até porque poderei sempre considerar que, como adversário dos taliban, Daniel Oliveira se tornou um agressor imperialista americano.

A pertença, como assalariado, a um grande grupo capitalista (onde Nuno Crato também escreve) até é um sinal…

Estereotipo por estereotipo…

Para finalizar mesmo: sei que no Bloco há muitos professores e tenho a certeza que a larga maioria deles está satisfeita com a escolha de Nuno Crato para ministro da Educação. Porque sabem o que se passa no terreno.

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