Está no Ensino Superior. Os erros começaram mesmo a terminar os anos 80 e agravaram-se brutalmente dos anos 90, conjugando ganância privada com desleixo público. O cruzamento de interesses levou à proliferação de uma oferta sem qualquer regulação ou monitorização da qualidade, induzindo milhares de alunos e famílias em erro. O interessante é que aqueles que clamaram imenso pela liberalização do sector foram depois os que pediram a intervenção do Estado quando a gordura começou a escassear no leite.

Agora, já com pelo menos uma década de atraso, vai-se fazendo alguma coisa, mas pouca e, como é habitual entre nós, os erros detectados não têm responsáveis e, mesmo que tivesse, existiriam milhentas justificações para justificar o que logo na altura era possível ver que era um erro.

Como a generalização acrítica dos métodos bolonheses, cujos efeitos perniciosos já se notam, mas que muita gente quer encobrir até passar um período suficiente para a névoa do tempo obscurecer os responsáveis pelo espalhanço que foi, antes de mais, uma forma para desvalorizar as licenciaturas e alargar zonas de negócio com o 2º ciclo de estudos.

Enquanto a accountability só for exigida a alguns executores e não aos decisores, não adianta esta coisa das avaliações…

A entrevista é interessante, a maioria das respostas revela lucidez, mas tudo cairá em saco mais do que roto.

Expresso, 3 de Junho de 2011